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‘Diário’ flagra adesivo do Esquadrão da Morte em carro de policial


Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

26/06/2006 | 07:55


Um Golf prata, estacionado na última sexta-feira em área reservadaa policiais do 1ºDP de Santo André, ostentava no pára-brisa dianteiro um adesivo com os dizeres Scuderie Detetive Le Cocq, E.M. Brasil. O emblema é do Esquadrão da Morte, principal grupo de extermínio que atuou no país e que praticou diversos assassinatos durante o regime militar. O grupo voltou à mídia após a aparição de dois policiais com o emblema nas camisetas durante sessão na Assembléia Legislativa. O fato ocorreu na época de execuções suspeitas praticadas pela polícia, após os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), no mês passado.

O Golf estacionado no DP da rua Xavier de Toledo, no Centro, está no nome de Marcelo Rodrigues Pereira. O policial que se identificou como proprietário do carro se recusou a dizer o nome. Negou ser um justiceiro ou fazer parte do esquadrão, e disse que comprou o carro com adesivo. Não explicou há quanto tempo tem o veículo ou quem era o antigo proprietário. Segundo ele, o adesivo ainda estaria colado no pára-brisa porque o vidro da frente teria película protetora. “Até tentei tirar. Mas só se arrancar o insulfilm todo que sairia”, alegou.

Ao perceber o teor da reportagem, o chefe dos investigadores do DP, Ricardo dos Santos, foi chamado. Ele apresentou outra versão para a origem do símbolo. “Ele comprou na banca de jornal aqui da frente. Tem um monte lá”, explicou, levando a reportagem até lá. No local, não havia adesivos do Esquadrão da Morte, apenas brasões de setores especiais da polícia.

O delegado titular do 1ºDP, Fábio Dal Mas, disse que não saber sobre o adesivo ostentado por um de seus investigadores. “Vou primeiro verificar se isso é verdade. Aí, vou verificar que atitudes posso tomar”, garantiu. Desde o início do ano, a Justiça Federal do Espírito Santo determinou a dissolução do grupo e a proibição da divulgação de nomes ou símbolos ligados à Scuderie.

O possível retorno do Esquadrão da Morte é alvo de investigação do Ministério Público e Corregedoria da polícia. Desde os ataques de maio, há registros de cerca de 30 chacinas na Região Metropolitana, cujas vítimas eram suspeitos de pertencer ao PCC. O presidente do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, lembra que a região foi palco de pelo menos duas ações que poderiam ter o ‘dedo‘ do esquadrão.

A Scuderie surgiu na década de 1960 no Rio de Janeiro, para vingar a morte do policial carioca de origem francesa Milton Le Cocq, assassinado por um criminoso. O grupo cresceu, com fileiras formadas por policiais, advogados, militares e políticos, e se ramificou em diversos Estados do páis. O auge do esquadrão ocorreu no período militar, mas foi perdendo força na década de 1990, após a redemocratização do país.


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‘Diário’ flagra adesivo do Esquadrão da Morte em carro de policial

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

26/06/2006 | 07:55


Um Golf prata, estacionado na última sexta-feira em área reservadaa policiais do 1ºDP de Santo André, ostentava no pára-brisa dianteiro um adesivo com os dizeres Scuderie Detetive Le Cocq, E.M. Brasil. O emblema é do Esquadrão da Morte, principal grupo de extermínio que atuou no país e que praticou diversos assassinatos durante o regime militar. O grupo voltou à mídia após a aparição de dois policiais com o emblema nas camisetas durante sessão na Assembléia Legislativa. O fato ocorreu na época de execuções suspeitas praticadas pela polícia, após os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), no mês passado.

O Golf estacionado no DP da rua Xavier de Toledo, no Centro, está no nome de Marcelo Rodrigues Pereira. O policial que se identificou como proprietário do carro se recusou a dizer o nome. Negou ser um justiceiro ou fazer parte do esquadrão, e disse que comprou o carro com adesivo. Não explicou há quanto tempo tem o veículo ou quem era o antigo proprietário. Segundo ele, o adesivo ainda estaria colado no pára-brisa porque o vidro da frente teria película protetora. “Até tentei tirar. Mas só se arrancar o insulfilm todo que sairia”, alegou.

Ao perceber o teor da reportagem, o chefe dos investigadores do DP, Ricardo dos Santos, foi chamado. Ele apresentou outra versão para a origem do símbolo. “Ele comprou na banca de jornal aqui da frente. Tem um monte lá”, explicou, levando a reportagem até lá. No local, não havia adesivos do Esquadrão da Morte, apenas brasões de setores especiais da polícia.

O delegado titular do 1ºDP, Fábio Dal Mas, disse que não saber sobre o adesivo ostentado por um de seus investigadores. “Vou primeiro verificar se isso é verdade. Aí, vou verificar que atitudes posso tomar”, garantiu. Desde o início do ano, a Justiça Federal do Espírito Santo determinou a dissolução do grupo e a proibição da divulgação de nomes ou símbolos ligados à Scuderie.

O possível retorno do Esquadrão da Morte é alvo de investigação do Ministério Público e Corregedoria da polícia. Desde os ataques de maio, há registros de cerca de 30 chacinas na Região Metropolitana, cujas vítimas eram suspeitos de pertencer ao PCC. O presidente do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, lembra que a região foi palco de pelo menos duas ações que poderiam ter o ‘dedo‘ do esquadrão.

A Scuderie surgiu na década de 1960 no Rio de Janeiro, para vingar a morte do policial carioca de origem francesa Milton Le Cocq, assassinado por um criminoso. O grupo cresceu, com fileiras formadas por policiais, advogados, militares e políticos, e se ramificou em diversos Estados do páis. O auge do esquadrão ocorreu no período militar, mas foi perdendo força na década de 1990, após a redemocratização do país.

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