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Arte contemporânea


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

21/06/2006 | 08:08


Termina no próximo sábado (dia 24) o 34º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto no Salão de Exposições do Paço Municipal de Santo André. Tido como uma importante vitrina nacional para jovens artistas colocarem suas obras em circulação, o salão cumpriu este papel mais uma vez. Não é uma mostra homogênea – nem poderia ser. A heterogeneidade de suportes existentes, e os infinitos modos para combiná-los em diferentes formas de leitura do mundo contemporâneo aparecem na seleção das 64 obras de 32 artistas escolhidos entre 711 inscritos e 2,1 mil obras, recorde de participação.

Essa diversidade na temática e no modo de criar são próprios deste fazer contemporâneo, visto aqui em sua abrangência muito mais nacional que local. Paulistas são a imensa maioria, inclusive do interior, mas há artistas de Belém (PA) e Rio (RJ) selecionados.

Nesta edição em particular, sobressaíram obras de caráter urbano e intimista. Entre outras, formas que se completam, diálogos entre objetos, fotografias e pinturas que transcendem o realismo, instalações que remetem à memória. O belo nesta mostra é a procura por caminhos.

Paulo Nenflidio, artista de São Bernardo, encontrou sua seara com seus desenhos de engenhocas sonoras. Seu Gerador de Música recebeu um dos prêmios aquisição do Salão. Embora não realizadas, essas prováveis máquinas de produzir sons – Telembrau e Rotoarco são os outros desenhos em exposição – têm a coerência de uma proposta que utiliza arte e sonoridade, embora esta última fique no plano da utopia. Engenhocas realizadas são a Máquina de Levantar Bolinhas e o Morcego, que farfalha asas entre sacos de papel, ambas de Tago (Thiago José Cóser). É um dos diálogos deste Salão.

Outro diálogo possível se dá entre as fotografias de Rafael Guadeluppe, de Diadema, que expõe uma noite hiper-realista na cidade em três cenas distintas, e as paisagens crepusculares, um quase-noite em cenários da natureza, nas imagens clicadas por Reginaldo Pereira, de São Paulo.

Objetos também mantêm uma relação estreita, uma sugestão de intimidade, de aconchego do lar. A mesa com pé de livros (escultura em madeira), de Julio Meiron e Deyson Gilbert, mais o Aquecedor (aço inox e acrílico), de Wagner Malta Tavares (outro prêmio aquisição) compõem esta figuração. Este lado íntimo começa do lado de fora, no saguão de entrada do Teatro Municipal, com uma cama em técnica mista, de Érica Ferrari, que ficou com o Prêmio Estímulo.

Equilíbrio – A instalação Aos Pares, de Rosângela Dorazio, é uma obra síntese deste Salão. Os cristais transparentes sobrepostos uns aos outros, alguns preenchidos com líquido colorido, sugerem formas que se complementam e se equilibram. Equilíbrio, no caso, entendido como um diálogo que ocorre entre formas físicas, cores e transparência.

Este Salão registra ainda, sobretudo, uma apropriação, um remix de coisas. A maquete de prédios Ilhas, instalação de Bruno Faria a partir de anúncios de imóveis publicados em revistas, e Arquivo, de Adalgisa Campos, intervenção com guache, lápis de cor e grafite sobre folhas de documentos, anotações e recibos que pertenceram a seu pai estão aí para mostrar.

Há desenhos e pinturas no Salão, alguns explorando temas que flertam com o surrealismo (as aquarelas de Mariana Palma) ou ainda com técnicas variadas, como o bordado sobre papel de Martha Lacerda. Mas é a fotografia, a mais contemporânea linguagem deste 34º Salão. Ela se sobressai, pelo menos em número de obras apresentadas: 34% do total.


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Arte contemporânea

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

21/06/2006 | 08:08


Termina no próximo sábado (dia 24) o 34º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto no Salão de Exposições do Paço Municipal de Santo André. Tido como uma importante vitrina nacional para jovens artistas colocarem suas obras em circulação, o salão cumpriu este papel mais uma vez. Não é uma mostra homogênea – nem poderia ser. A heterogeneidade de suportes existentes, e os infinitos modos para combiná-los em diferentes formas de leitura do mundo contemporâneo aparecem na seleção das 64 obras de 32 artistas escolhidos entre 711 inscritos e 2,1 mil obras, recorde de participação.

Essa diversidade na temática e no modo de criar são próprios deste fazer contemporâneo, visto aqui em sua abrangência muito mais nacional que local. Paulistas são a imensa maioria, inclusive do interior, mas há artistas de Belém (PA) e Rio (RJ) selecionados.

Nesta edição em particular, sobressaíram obras de caráter urbano e intimista. Entre outras, formas que se completam, diálogos entre objetos, fotografias e pinturas que transcendem o realismo, instalações que remetem à memória. O belo nesta mostra é a procura por caminhos.

Paulo Nenflidio, artista de São Bernardo, encontrou sua seara com seus desenhos de engenhocas sonoras. Seu Gerador de Música recebeu um dos prêmios aquisição do Salão. Embora não realizadas, essas prováveis máquinas de produzir sons – Telembrau e Rotoarco são os outros desenhos em exposição – têm a coerência de uma proposta que utiliza arte e sonoridade, embora esta última fique no plano da utopia. Engenhocas realizadas são a Máquina de Levantar Bolinhas e o Morcego, que farfalha asas entre sacos de papel, ambas de Tago (Thiago José Cóser). É um dos diálogos deste Salão.

Outro diálogo possível se dá entre as fotografias de Rafael Guadeluppe, de Diadema, que expõe uma noite hiper-realista na cidade em três cenas distintas, e as paisagens crepusculares, um quase-noite em cenários da natureza, nas imagens clicadas por Reginaldo Pereira, de São Paulo.

Objetos também mantêm uma relação estreita, uma sugestão de intimidade, de aconchego do lar. A mesa com pé de livros (escultura em madeira), de Julio Meiron e Deyson Gilbert, mais o Aquecedor (aço inox e acrílico), de Wagner Malta Tavares (outro prêmio aquisição) compõem esta figuração. Este lado íntimo começa do lado de fora, no saguão de entrada do Teatro Municipal, com uma cama em técnica mista, de Érica Ferrari, que ficou com o Prêmio Estímulo.

Equilíbrio – A instalação Aos Pares, de Rosângela Dorazio, é uma obra síntese deste Salão. Os cristais transparentes sobrepostos uns aos outros, alguns preenchidos com líquido colorido, sugerem formas que se complementam e se equilibram. Equilíbrio, no caso, entendido como um diálogo que ocorre entre formas físicas, cores e transparência.

Este Salão registra ainda, sobretudo, uma apropriação, um remix de coisas. A maquete de prédios Ilhas, instalação de Bruno Faria a partir de anúncios de imóveis publicados em revistas, e Arquivo, de Adalgisa Campos, intervenção com guache, lápis de cor e grafite sobre folhas de documentos, anotações e recibos que pertenceram a seu pai estão aí para mostrar.

Há desenhos e pinturas no Salão, alguns explorando temas que flertam com o surrealismo (as aquarelas de Mariana Palma) ou ainda com técnicas variadas, como o bordado sobre papel de Martha Lacerda. Mas é a fotografia, a mais contemporânea linguagem deste 34º Salão. Ela se sobressai, pelo menos em número de obras apresentadas: 34% do total.

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