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Mais do gênio Chico


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

20/08/2006 | 22:06


Os primeiros passos na carreira artística, a produção de um histórico musical infantil e a composição de trilhas para o cinema. São estes os temas abordados na quarta e última caixa da série de DVDs sobre a vida e a obra do cantor e compositor Chico Buarque (Emi, R$ 130 em média). Assim como as edições anteriores, o pacote traz três discos, todos com a direção de Roberto de Oliveira. Em separado, cada DVD sai por R$ 50 (preço médio).

No disco Roda Viva, repleto de imagens de arquivo dos lendários festivais de música da década de 60, Chico relembra fatos marcantes, como a consagração de A Banda no 2º Festival de Música Brasileira da TV Record, promovido em 1966. Em um programa de 1982, ele assiste, ao lado de Nara Leão, à interpretação que os dois fizeram da canção, responsável por alçar um garoto tímido de olhos verdes ao primeiro time da MPB. Mesmo pessoas imunes à nostalgia não deixarão de sentir uma pontinha de saudade ao ver cenas de um Brasil que, apesar do regime militar, ainda era capaz de “parar na janela para ver a banda passar”.

Não faltam no DVD cenas de artistas como Tom Jobim, Elis Regina, Caetano Veloso, Mutantes e Jair Rodrigues, encantando o público com a força e o lirismo do clássico Disparada, composição de Geraldo Vandré. Palcos de disputas não somente musicais, mas, sobretudo, políticas, os festivais contavam com torcidas fanáticas que, volta e meia, davam demonstrações de seu radicalismo. Taxada por uma parcela da esquerda brasileira como alienada, a canção Sabiá, de Chico e Tom, recebeu uma estrondosa vaia no 3º Festival Internacional da Canção, em 1968.

O DVD também mostra a viagem no tempo empreendida por Chico, que visitou o prédio da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde estudou antes de se tornar músico. O compositor conta ainda como familiares e amigos o influenciaram em sua escolha pela arte.

Saltimbancos – Para quem já chegou aos 30 anos, ou está bem perto disso, o DVD Saltimbancos é um quitute saboroso. Chico reencontra o compositor italiano Sergio Bardotti, um dos autores da peça I Musicanti, versão original de Os Saltimbancos.

Três décadas depois da adaptação produzida pelo brasileiro, que deu origem ao filme Os Saltimbancos Trapalhões, da trupe humorística de Renato Aragão, o musical continua sendo encenado com grande sucesso. O espetáculo narra as aventuras de quatro bichos – um cachorro, um jumento, uma galinha e uma gata – que se rebelam contra um fazendeiro e decidem sair pelo mundo para criar uma comunidade.

A partir da lembrança da montagem de Os Saltimbancos, Chico rememora sua infância e diz, com um pouco de ironia, que se tornou comunista por causa de Benedita, sua babá. “Ela era apaixonada por um lixeiro chamado José e eu perguntava se eles iriam se casar. Ela dizia que não dava porque o José não tinha dinheiro. Eu ficava pensando: esse mundo é muito injusto. Meu pai fica o dia inteiro no escritório batendo à máquina e pode casar e ter sete filhos. O José, que é lixeiro e trabalha muito, não pode”, narra.

Cinema – A extensa lista de trilhas sonoras criadas pelo artista é resgatada no DVD Cinema. O espectador poderá conferir momentos antológicos, como a dobradinha entre Chico e Milton Nascimento, em À Flor da Pele (O que será?), tema do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto.

Outros destaques são as composições escritas para os filmes de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar (1972) e Bye, Bye Brasil (1979).



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Mais do gênio Chico

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

20/08/2006 | 22:06


Os primeiros passos na carreira artística, a produção de um histórico musical infantil e a composição de trilhas para o cinema. São estes os temas abordados na quarta e última caixa da série de DVDs sobre a vida e a obra do cantor e compositor Chico Buarque (Emi, R$ 130 em média). Assim como as edições anteriores, o pacote traz três discos, todos com a direção de Roberto de Oliveira. Em separado, cada DVD sai por R$ 50 (preço médio).

No disco Roda Viva, repleto de imagens de arquivo dos lendários festivais de música da década de 60, Chico relembra fatos marcantes, como a consagração de A Banda no 2º Festival de Música Brasileira da TV Record, promovido em 1966. Em um programa de 1982, ele assiste, ao lado de Nara Leão, à interpretação que os dois fizeram da canção, responsável por alçar um garoto tímido de olhos verdes ao primeiro time da MPB. Mesmo pessoas imunes à nostalgia não deixarão de sentir uma pontinha de saudade ao ver cenas de um Brasil que, apesar do regime militar, ainda era capaz de “parar na janela para ver a banda passar”.

Não faltam no DVD cenas de artistas como Tom Jobim, Elis Regina, Caetano Veloso, Mutantes e Jair Rodrigues, encantando o público com a força e o lirismo do clássico Disparada, composição de Geraldo Vandré. Palcos de disputas não somente musicais, mas, sobretudo, políticas, os festivais contavam com torcidas fanáticas que, volta e meia, davam demonstrações de seu radicalismo. Taxada por uma parcela da esquerda brasileira como alienada, a canção Sabiá, de Chico e Tom, recebeu uma estrondosa vaia no 3º Festival Internacional da Canção, em 1968.

O DVD também mostra a viagem no tempo empreendida por Chico, que visitou o prédio da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde estudou antes de se tornar músico. O compositor conta ainda como familiares e amigos o influenciaram em sua escolha pela arte.

Saltimbancos – Para quem já chegou aos 30 anos, ou está bem perto disso, o DVD Saltimbancos é um quitute saboroso. Chico reencontra o compositor italiano Sergio Bardotti, um dos autores da peça I Musicanti, versão original de Os Saltimbancos.

Três décadas depois da adaptação produzida pelo brasileiro, que deu origem ao filme Os Saltimbancos Trapalhões, da trupe humorística de Renato Aragão, o musical continua sendo encenado com grande sucesso. O espetáculo narra as aventuras de quatro bichos – um cachorro, um jumento, uma galinha e uma gata – que se rebelam contra um fazendeiro e decidem sair pelo mundo para criar uma comunidade.

A partir da lembrança da montagem de Os Saltimbancos, Chico rememora sua infância e diz, com um pouco de ironia, que se tornou comunista por causa de Benedita, sua babá. “Ela era apaixonada por um lixeiro chamado José e eu perguntava se eles iriam se casar. Ela dizia que não dava porque o José não tinha dinheiro. Eu ficava pensando: esse mundo é muito injusto. Meu pai fica o dia inteiro no escritório batendo à máquina e pode casar e ter sete filhos. O José, que é lixeiro e trabalha muito, não pode”, narra.

Cinema – A extensa lista de trilhas sonoras criadas pelo artista é resgatada no DVD Cinema. O espectador poderá conferir momentos antológicos, como a dobradinha entre Chico e Milton Nascimento, em À Flor da Pele (O que será?), tema do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto.

Outros destaques são as composições escritas para os filmes de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar (1972) e Bye, Bye Brasil (1979).

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