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Futebol feminino ainda não caiu nas graças dos brasileiros

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Copa do Mundo das mulheres segue em busca do mesmo envolvimento causado pela masculina


Lorena da Silva Avila
Especial para o Diário

16/06/2019 | 07:00


Se Deus é brasileiro, então ficou decretado que além de domingo, os dias de jogos da Copa do Mundo também são sagrados. Isso porque é costume do País parar religiosamente nos horários em que a Seleção entra em campo. Afinal, manter o foco sem roer as unhas de nervosismo, querendo saber o placar, é praticamente impossível. Esse sentimento contagia dos patrões aos funcionários. Todo mundo quer ‘Copar’.

Mas essa euforia parece reservada apenas ao Mundial masculino, hábito cultural que vem sendo questionado diante das pautas de empoderamento feminino, cujo um dos objetivos é valorizar o esporte praticado por elas. Pontos fora da curva neste cenário são algumas iniciativas como a da Prefeitura de São Caetano, que publicou no Diário Oficial, decreto que tornam pontos facultativos os dias de jogos da Seleção feminina na Copa do Mundo, cuja final será no dia 7. Empresas também entraram no clima, como a Boticário, a Avon e a Allianz Partners, de São Bernardo, que transmite as partidas aos colaboradores.

“Divulgamos a programação dos jogos e habilitamos todas as televisões de cada área. As pessoas também podem vir com acessórios e roupas temáticas. A mensagem por trás disso é a representatividade; nós queremos que as mulheres saibam que o espaço delas é onde elas quiserem”, explica Karina Bertolla, 29 anos, gerente de comunicação e treinamento corporativo, uma das responsáveis pela iniciativa.

A ideia não veio apenas como uma forma de incentivo e apoio à diversidade, mas também para contemplar 70% das funcionárias que atuam nos 22 departamentos da empresa. Ser uma das precursoras nessa iniciativa é o primeiro passo para tornar o futebol menos desigual para as jogadoras, que ainda atuam ganhando salários menores, recebem pouco patrocínio e são desvalorizadas. A ação não promove só descontração, mas leva a realidade do futebol feminino para pessoas que nem tinham conhecimento sobre o evento.

Letícia Malheiros, 23, é analista de qualidade, joga no São Bernardo como hobbie e tem propriedade para falar sobre paixão por estádio e sobre não encontrar apoio necessário para alimentar o sonho em ambiente majoritariamente masculino. “No Brasil o investimento é zero para o futebol feminino, além disso minha mãe não aceitava bem o fato de eu querer jogar bola e sofri muito preconceito no início. Por jogar bem, já me falaram que deveria estar no time dos homens.”

Na luta para tornar o esporte mais democrático não estão apenas torcedoras e atletas, mas também quem comunica, que carrega como responsabilidade dar visibilidade e voz para os que ficam de escanteio.

É o caso da Natália Santana, 32, analista de atendimento. Ela trabalha como repórter esportiva nas horas vagas. Formada em Jornalismo e tocando o projeto Elas em Campo, que começou como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), explica com propriedade por que não se surpreendeu com a derrota do Brasil contra a Austrália (3 a 2, na quinta-feira).

“Apesar das mudanças para o futebol feminino, a Seleção vem sendo mantida com a mesma direção dos últimos anos, algo que não deu certo. Nós tivemos pouca evolução com um técnico que não vence nem jogos preparatórios; se fosse o Tite perdendo com a Seleção masculina, fariam pressão pela saída dele”, opina Natália.

Recuperada, Marta deve enfrentar a Itália

Eleita seis vezes a melhor do mundo, Marta está com fome de bola. Ela ficou fora da estreia do Brasil no Mundial Feminino de futebol, e atuou apenas no primeiro tempo diante da Austrália, na derrota por 3 a 2 – enquanto esteve em campo, a equipe vencia por 2 a 1, com um gol dela, de pênalti.

A lesão na coxa esquerda parece ter ido embora. A estratégia do técnico Vadão foi poupá-la na etapa final, até porque fisicamente ela não aguentaria os 90 minutos. A boa notícia é que Marta vem treinando normalmente e deve ser titular contra a Itália, em Valenciennes, na terça-feira, às 16h, quando a Seleção definirá o futuro no torneio.

A presença da camisa 10 muda o patamar da Seleção. Tanto que mesmo longe de sua forma física ideal, ela teve ótima movimentação e fez gol histórico diante da Austrália. A atacante atingiu a marca de 16 gols em partidas de Copa do Mundo, igualando o recorde do alemão Miroslav Klose. Ela também levantou a bandeira da igualdade em campo ao usar chuteira especial, sem patrocínio e com bandeira rosa e azul no lugar.

O problema de Vadão é a volante Formiga, suspensa. Além disso, ela está com entorse no tornozelo esquerdo. A tendência é que Luana seja titular. Ontem, a equipe treinou no Stade Jean Jacques, em Valenciennes. (do Estadão Conteúdo)  



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Futebol feminino ainda não caiu nas graças dos brasileiros

Copa do Mundo das mulheres segue em busca do mesmo envolvimento causado pela masculina

Lorena da Silva Avila
Especial para o Diário

16/06/2019 | 07:00


Se Deus é brasileiro, então ficou decretado que além de domingo, os dias de jogos da Copa do Mundo também são sagrados. Isso porque é costume do País parar religiosamente nos horários em que a Seleção entra em campo. Afinal, manter o foco sem roer as unhas de nervosismo, querendo saber o placar, é praticamente impossível. Esse sentimento contagia dos patrões aos funcionários. Todo mundo quer ‘Copar’.

Mas essa euforia parece reservada apenas ao Mundial masculino, hábito cultural que vem sendo questionado diante das pautas de empoderamento feminino, cujo um dos objetivos é valorizar o esporte praticado por elas. Pontos fora da curva neste cenário são algumas iniciativas como a da Prefeitura de São Caetano, que publicou no Diário Oficial, decreto que tornam pontos facultativos os dias de jogos da Seleção feminina na Copa do Mundo, cuja final será no dia 7. Empresas também entraram no clima, como a Boticário, a Avon e a Allianz Partners, de São Bernardo, que transmite as partidas aos colaboradores.

“Divulgamos a programação dos jogos e habilitamos todas as televisões de cada área. As pessoas também podem vir com acessórios e roupas temáticas. A mensagem por trás disso é a representatividade; nós queremos que as mulheres saibam que o espaço delas é onde elas quiserem”, explica Karina Bertolla, 29 anos, gerente de comunicação e treinamento corporativo, uma das responsáveis pela iniciativa.

A ideia não veio apenas como uma forma de incentivo e apoio à diversidade, mas também para contemplar 70% das funcionárias que atuam nos 22 departamentos da empresa. Ser uma das precursoras nessa iniciativa é o primeiro passo para tornar o futebol menos desigual para as jogadoras, que ainda atuam ganhando salários menores, recebem pouco patrocínio e são desvalorizadas. A ação não promove só descontração, mas leva a realidade do futebol feminino para pessoas que nem tinham conhecimento sobre o evento.

Letícia Malheiros, 23, é analista de qualidade, joga no São Bernardo como hobbie e tem propriedade para falar sobre paixão por estádio e sobre não encontrar apoio necessário para alimentar o sonho em ambiente majoritariamente masculino. “No Brasil o investimento é zero para o futebol feminino, além disso minha mãe não aceitava bem o fato de eu querer jogar bola e sofri muito preconceito no início. Por jogar bem, já me falaram que deveria estar no time dos homens.”

Na luta para tornar o esporte mais democrático não estão apenas torcedoras e atletas, mas também quem comunica, que carrega como responsabilidade dar visibilidade e voz para os que ficam de escanteio.

É o caso da Natália Santana, 32, analista de atendimento. Ela trabalha como repórter esportiva nas horas vagas. Formada em Jornalismo e tocando o projeto Elas em Campo, que começou como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), explica com propriedade por que não se surpreendeu com a derrota do Brasil contra a Austrália (3 a 2, na quinta-feira).

“Apesar das mudanças para o futebol feminino, a Seleção vem sendo mantida com a mesma direção dos últimos anos, algo que não deu certo. Nós tivemos pouca evolução com um técnico que não vence nem jogos preparatórios; se fosse o Tite perdendo com a Seleção masculina, fariam pressão pela saída dele”, opina Natália.

Recuperada, Marta deve enfrentar a Itália

Eleita seis vezes a melhor do mundo, Marta está com fome de bola. Ela ficou fora da estreia do Brasil no Mundial Feminino de futebol, e atuou apenas no primeiro tempo diante da Austrália, na derrota por 3 a 2 – enquanto esteve em campo, a equipe vencia por 2 a 1, com um gol dela, de pênalti.

A lesão na coxa esquerda parece ter ido embora. A estratégia do técnico Vadão foi poupá-la na etapa final, até porque fisicamente ela não aguentaria os 90 minutos. A boa notícia é que Marta vem treinando normalmente e deve ser titular contra a Itália, em Valenciennes, na terça-feira, às 16h, quando a Seleção definirá o futuro no torneio.

A presença da camisa 10 muda o patamar da Seleção. Tanto que mesmo longe de sua forma física ideal, ela teve ótima movimentação e fez gol histórico diante da Austrália. A atacante atingiu a marca de 16 gols em partidas de Copa do Mundo, igualando o recorde do alemão Miroslav Klose. Ela também levantou a bandeira da igualdade em campo ao usar chuteira especial, sem patrocínio e com bandeira rosa e azul no lugar.

O problema de Vadão é a volante Formiga, suspensa. Além disso, ela está com entorse no tornozelo esquerdo. A tendência é que Luana seja titular. Ontem, a equipe treinou no Stade Jean Jacques, em Valenciennes. (do Estadão Conteúdo)  

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