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Hip Hop ajuda alunos de Diadema

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Grupo Matéria Rima, do Serraria, ensina letras com conteúdo didático a 960 crianças dos 4º e 5º anos da rede municipal de ensino


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

15/11/2014 | 07:00


No bairro Serraria, em Diadema, o grafite e o hip hop estão presentes nas ruas, no jeito de se vestir e também nos muros. Na sede do grupo Matéria Rima, localizada na Rua Bororós, os ritmos ganham espaço também na Educação infantil.

O grupo dá aulas de grafite, dança de rua, hip hop e discotecagem para alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental das escolas municipais de Diadema. São 15 unidades de ensino e 960 crianças que assistem a duas oficinas por semana. A ação é possível graças à parceria com a Prefeitura.

O grupo teve início em 2002, porém, a ideia de utilizar o ritmo para transformar e ajudar no aprendizado foi desenvolvida por Jodson do Nascimento Silva, 35 anos, conhecido como Joul, bem antes. “Comecei a fazer as letras em 1993, quando tinha 13 anos. Foi quando me interessei mesmo pelo hip hop vendo aquela dança, o DJ, as rimas, o grafite, e vi que ia ter espaço para mim em algum lugar. Como tinha dificuldade com algumas matérias na escola, comecei a fazer rimas e fiz um rap para explicar o corpo humano”, contou.

O que era para ser apenas uma letra acabou se tornando um hábito de Joul. Ele começou a fazer raps para aprender também as lições de Matemática, Português, História e outras matérias.

Após se formar, ele viu a necessidade do conhecimento ser repassado para outras crianças. Surgia assim o Matéria Rima. “Nos juntamos aos amigos que participavam do movimento e hoje somos 15 educadores. Queremos resgatar valores da Educação por meio da arte, unindo ambas”, disse.

O grupo já lançou dois CDs com as composições relacionadas à escola. Além disso, antes das atividades há um teatro apresentado para os pais e professores sobre a arte, drogas e o bullying, temas recorrentes na idade dos jovens.

Segundo Joul, o grupo já chegou a sofrer preconceito, porém, a resposta vem dos próprios alunos e dos pais. “Muitas pessoas pensam que o hip hop é uma coisa ruim, que ensina maus exemplos e fala palavrão. Mas mostramos que não, que é possível ensinar coisas boas por meio do ritmo, como o incentivo à leitura e valores. Quando uma mãe vem nos procurar e dizer que a criança não está mais passando tanto tempo em frente à TV, vem lendo mais e falando coisas boas, é a certeza de que fazemos a coisa certa.”

“Queremos ser multiplicadores dessa cultura. Como sou professora, sei da importância que esse trabalho tem”, disse a coordenadora pedagógica Josiane Silva, 41.

Atualmente o grupo artístico planeja se tornar um instituto a fim de captar recursos e possibilitar que mais crianças tenham acesso às oficinas. “Queremos que o hip hop educativo fique maior e que vire tendência, ajudando a transformar o futuro dos pequenos”, afirmou o fundador.

Vendedor de mandioca é conhecido pelos moradores

Na esquina da Avenida Rotary, rua principal do bairro Serraria, um vendedor de mandioca pode ser encontrado todos os dias no mesmo ponto. De domingo a domingo, das 6h às 18h, Gilson Oliveira, 30 anos, trabalha vendendo o tubérculo.

Nascido no Centro de São Paulo, Oliveira disse que começou a atuar com vendas por falta de oportunidades. “Foi o que acabou aparecendo para mim. Trabalhei muito na roça, no Interior, praticamente a minha adolescência inteira. Depois, decidi vender os produtos. Hoje só compro dos produtores e revendo aqui”, disse.

Ele foi criado em Minas Gerais, onde teve contato com as plantações de mandioca e aprendeu a reconhecer os tubérculos bons e ruins. Também morou na Bahia, por isso, se diz paulista, mineiro e baiano.

Atualmente é solteiro e vive sozinho no Parque Real. Garantiu que consegue se manter apenas com o comércio das mandiocas, por R$ 2,50 o saquinho. Ele calcula que vende cerca de 50 por dia.

O trajeto até o Serraria é feito totalmente a pé, empurrando o carrinho carregado, que ele estima pesar em torno de 80 quilos. Mas Oliveira não reclama.

“Venho a pé tranquilo, a distância é pouca, cerca de um quilômetro só. O bom mesmo é que já vale como se eu puxasse ferro, nem preciso pagar uma academia”, disse, bem-humorado.

Há 12 anos ele está na mesma esquina e disse que não pretende sair de lá. “Aqui o ponto é muito bom, tem bastante comércio, o que ajuda. Fora que o pessoal já me conhece, não tem como ir para outro lugar.”

Questionado sobre os planos para o futuro, Oliveira respondeu que vive o presente. “Não quero casar, estou muito bem sozinho e fazendo o que faço. Já trabalhei de lavrador, balconista de lanchonete, mas realmente me encontrei aqui, nas vendas. É um trabalho muito tranquilo e foi o que me veio na cabeça para fazer.”

Estrategicamente posicionado em frente a um açougue, é difícil resistir à compra da mandioca para acompanhar as costelas de boi e fazer a tradicional vaca atolada. “O que mais vendo é para isso mesmo, mas o produto é bom para fritar também e já vem descascado.”

Bairro conta com bazar do Exército da Salvação

O bazar do Exército da Salvação foi inaugurado no bairro Serraria há seis meses e já é bastante conhecido entre os moradores da região. Lá é possível encontrar roupas, móveis, livros e instrumentos musicais que vêm de doações e são vendidos a preços menores. A renda vai toda para instituições de caridade.

Conforme explicou a gerente Juliana Aparecida de Vaz Ferreira da Rocha, 29 anos, a loja é a terceira no Grande ABC. “Já temos duas em São Bernardo, uma no Jabaquara, uma no Grajaú e agora essa é a primeira em Diadema. É um sucesso, estamos sempre cheios de compradores”, disse.

Juliana também afirmou que aqueles que ganham menos são justamente os que estão sempre propensos a ajudar. “Vemos muitas pessoas aqui que vêm fazer compras exatamente para ajudar.”

O pedreiro Salviano Gonçalves, 63, estava na loja pela segunda vez. “Eu já comprei muito aqui. Hoje só vim dar uma olhadinha mesmo, mas gostei de uma mala que virei buscar”, disse o morador do bairro.

“Passei de carro na inauguração e venho sempre à loja. O bom é que economizamos, além de ajudar as pessoas mais necessitadas”, afirmou a dona de casa Juceli Oliveira Santos, 36.

Quem quiser fazer alguma doação é só ligar para 4003-2299. O objeto é retirado pela equipe.  



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Hip Hop ajuda alunos de Diadema

Grupo Matéria Rima, do Serraria, ensina letras com conteúdo didático a 960 crianças dos 4º e 5º anos da rede municipal de ensino

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

15/11/2014 | 07:00


No bairro Serraria, em Diadema, o grafite e o hip hop estão presentes nas ruas, no jeito de se vestir e também nos muros. Na sede do grupo Matéria Rima, localizada na Rua Bororós, os ritmos ganham espaço também na Educação infantil.

O grupo dá aulas de grafite, dança de rua, hip hop e discotecagem para alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental das escolas municipais de Diadema. São 15 unidades de ensino e 960 crianças que assistem a duas oficinas por semana. A ação é possível graças à parceria com a Prefeitura.

O grupo teve início em 2002, porém, a ideia de utilizar o ritmo para transformar e ajudar no aprendizado foi desenvolvida por Jodson do Nascimento Silva, 35 anos, conhecido como Joul, bem antes. “Comecei a fazer as letras em 1993, quando tinha 13 anos. Foi quando me interessei mesmo pelo hip hop vendo aquela dança, o DJ, as rimas, o grafite, e vi que ia ter espaço para mim em algum lugar. Como tinha dificuldade com algumas matérias na escola, comecei a fazer rimas e fiz um rap para explicar o corpo humano”, contou.

O que era para ser apenas uma letra acabou se tornando um hábito de Joul. Ele começou a fazer raps para aprender também as lições de Matemática, Português, História e outras matérias.

Após se formar, ele viu a necessidade do conhecimento ser repassado para outras crianças. Surgia assim o Matéria Rima. “Nos juntamos aos amigos que participavam do movimento e hoje somos 15 educadores. Queremos resgatar valores da Educação por meio da arte, unindo ambas”, disse.

O grupo já lançou dois CDs com as composições relacionadas à escola. Além disso, antes das atividades há um teatro apresentado para os pais e professores sobre a arte, drogas e o bullying, temas recorrentes na idade dos jovens.

Segundo Joul, o grupo já chegou a sofrer preconceito, porém, a resposta vem dos próprios alunos e dos pais. “Muitas pessoas pensam que o hip hop é uma coisa ruim, que ensina maus exemplos e fala palavrão. Mas mostramos que não, que é possível ensinar coisas boas por meio do ritmo, como o incentivo à leitura e valores. Quando uma mãe vem nos procurar e dizer que a criança não está mais passando tanto tempo em frente à TV, vem lendo mais e falando coisas boas, é a certeza de que fazemos a coisa certa.”

“Queremos ser multiplicadores dessa cultura. Como sou professora, sei da importância que esse trabalho tem”, disse a coordenadora pedagógica Josiane Silva, 41.

Atualmente o grupo artístico planeja se tornar um instituto a fim de captar recursos e possibilitar que mais crianças tenham acesso às oficinas. “Queremos que o hip hop educativo fique maior e que vire tendência, ajudando a transformar o futuro dos pequenos”, afirmou o fundador.

Vendedor de mandioca é conhecido pelos moradores

Na esquina da Avenida Rotary, rua principal do bairro Serraria, um vendedor de mandioca pode ser encontrado todos os dias no mesmo ponto. De domingo a domingo, das 6h às 18h, Gilson Oliveira, 30 anos, trabalha vendendo o tubérculo.

Nascido no Centro de São Paulo, Oliveira disse que começou a atuar com vendas por falta de oportunidades. “Foi o que acabou aparecendo para mim. Trabalhei muito na roça, no Interior, praticamente a minha adolescência inteira. Depois, decidi vender os produtos. Hoje só compro dos produtores e revendo aqui”, disse.

Ele foi criado em Minas Gerais, onde teve contato com as plantações de mandioca e aprendeu a reconhecer os tubérculos bons e ruins. Também morou na Bahia, por isso, se diz paulista, mineiro e baiano.

Atualmente é solteiro e vive sozinho no Parque Real. Garantiu que consegue se manter apenas com o comércio das mandiocas, por R$ 2,50 o saquinho. Ele calcula que vende cerca de 50 por dia.

O trajeto até o Serraria é feito totalmente a pé, empurrando o carrinho carregado, que ele estima pesar em torno de 80 quilos. Mas Oliveira não reclama.

“Venho a pé tranquilo, a distância é pouca, cerca de um quilômetro só. O bom mesmo é que já vale como se eu puxasse ferro, nem preciso pagar uma academia”, disse, bem-humorado.

Há 12 anos ele está na mesma esquina e disse que não pretende sair de lá. “Aqui o ponto é muito bom, tem bastante comércio, o que ajuda. Fora que o pessoal já me conhece, não tem como ir para outro lugar.”

Questionado sobre os planos para o futuro, Oliveira respondeu que vive o presente. “Não quero casar, estou muito bem sozinho e fazendo o que faço. Já trabalhei de lavrador, balconista de lanchonete, mas realmente me encontrei aqui, nas vendas. É um trabalho muito tranquilo e foi o que me veio na cabeça para fazer.”

Estrategicamente posicionado em frente a um açougue, é difícil resistir à compra da mandioca para acompanhar as costelas de boi e fazer a tradicional vaca atolada. “O que mais vendo é para isso mesmo, mas o produto é bom para fritar também e já vem descascado.”

Bairro conta com bazar do Exército da Salvação

O bazar do Exército da Salvação foi inaugurado no bairro Serraria há seis meses e já é bastante conhecido entre os moradores da região. Lá é possível encontrar roupas, móveis, livros e instrumentos musicais que vêm de doações e são vendidos a preços menores. A renda vai toda para instituições de caridade.

Conforme explicou a gerente Juliana Aparecida de Vaz Ferreira da Rocha, 29 anos, a loja é a terceira no Grande ABC. “Já temos duas em São Bernardo, uma no Jabaquara, uma no Grajaú e agora essa é a primeira em Diadema. É um sucesso, estamos sempre cheios de compradores”, disse.

Juliana também afirmou que aqueles que ganham menos são justamente os que estão sempre propensos a ajudar. “Vemos muitas pessoas aqui que vêm fazer compras exatamente para ajudar.”

O pedreiro Salviano Gonçalves, 63, estava na loja pela segunda vez. “Eu já comprei muito aqui. Hoje só vim dar uma olhadinha mesmo, mas gostei de uma mala que virei buscar”, disse o morador do bairro.

“Passei de carro na inauguração e venho sempre à loja. O bom é que economizamos, além de ajudar as pessoas mais necessitadas”, afirmou a dona de casa Juceli Oliveira Santos, 36.

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