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Dona-de-casa traduz sonho e ajuda 243 crianças


Angela Martins
Especial para o Diário

14/05/2006 | 07:37


“Eu tive um sonho e nele vi um jardim com muitas florzinhas. Mas o jardim estava todo rachado e as flores estavam murchas. Então, ouvi voz que disse: ‘Esse jardim é seu. Cuide dele e não deixe que morra’”. Depois que a dona-de-casa Célia Maria da Silva, 51 anos, acordou, só tinha uma certeza. O jardim que viu no sonho é seu bairro, o Jardim Ipê, em Mauá, e as flores representam as crianças carentes que nele vivem.

Divorciada e com oito filhos para criar, Célia não fugiu do desafio. Em fevereiro de 1999, montou uma creche comunitária para cuidar das crianças que ficavam sozinhas durante o dia. Transformando a sala de sua ca-sa em espaço onde os pequenos poderiam brincar, se alimentar e estudar gratuitamente, Célia viu, já no primeiro dia, 25 crianças aparecerem no recém-inaugurado Recanto Infantil Tia Célia. Após aproximadamente 20 dias, o Recanto já contava com mais de 100 crianças dividindo o espaço apertado.

“Já não tinha mais lugar para abrigar tantas crianças. Então, minha cozinha também virou parte do Recanto”, relembra Célia. No começo, o sonho não foi bem visto pela família. “Meus filhos não aceitavam, as pessoas diziam que não ia dar certo. Mas não desisti”, orgulha-se. Sem espaço para suportar a demanda crescente dentro de casa, ela comprou um pequeno terreno nos fundos da residência, mas não tinha dinheiro para levantar paredes de alvenaria. “Construí um barraco de madeira e sempre que chovia era só goteira”.

Foi então que algumas pessoas da região, sensibilizadas com o trabalho, procuraram Célia e ofereceram ajuda financeira. Com a mão-de-obra dos pais das crianças que freqüentavam o Recanto, foi erguido um salão. As filhas de Célia, vendo que os resultados eram positivos, resolveram fazer parte do quadro de voluntários, que já contava com oito pessoas. “No começo, achava um absurdo o que minha mãe fazia. Mas depois, percebi que era um projeto maravilhoso”, conta Adriana Santana, 23 anos. Para participar do sonho da mãe, Adriana abandonou um emprego e agora se dedica totalmente às crianças do Recanto.

Hoje, a entidade cuida de 243 crianças, de 3 a 17 anos. De segunda a sexta-feira, das 7h às 17h e aos sábados, até as 14h, as crianças participam de atividades de dança, música, inglês, artesanato e desenho. Total de 15 voluntários cuidam das crianças.

Com a capacidade esgotada, o Recanto precisa de parceiros para ampliar as atividades. “Tem uma empresa que nos ajuda doando alimentos. Recebemos também doações de livros, brinquedos, roupas. Mas precisamos de ajuda financeira para podermos atender mais crianças”, diz Célia, que não se cansa da tarefa. Alessandra Pereira, de 13 anos, que há cinco freqüenta o Recanto, não troca o lugar por nada. “Eu amo o Recanto. Aqui aprendo música, desenho”. E quem cresceu na entidade não quer se despedir. Eduardo dos Santos, 18 anos, que entrou com 11 no Recanto, hoje é voluntário. “Quando eu era pequeno, Tia Célia cuidava de mim. Hoje, sou eu quem devolve o carinho para outras crianças”.

Quem quiser contribuir basta telefonar para 6761-7005. A instituição fica na rua Eucalipto, 1.700, Jardim Ipê. (Supervisão de Adriana Gomes)


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Dona-de-casa traduz sonho e ajuda 243 crianças

Angela Martins
Especial para o Diário

14/05/2006 | 07:37


“Eu tive um sonho e nele vi um jardim com muitas florzinhas. Mas o jardim estava todo rachado e as flores estavam murchas. Então, ouvi voz que disse: ‘Esse jardim é seu. Cuide dele e não deixe que morra’”. Depois que a dona-de-casa Célia Maria da Silva, 51 anos, acordou, só tinha uma certeza. O jardim que viu no sonho é seu bairro, o Jardim Ipê, em Mauá, e as flores representam as crianças carentes que nele vivem.

Divorciada e com oito filhos para criar, Célia não fugiu do desafio. Em fevereiro de 1999, montou uma creche comunitária para cuidar das crianças que ficavam sozinhas durante o dia. Transformando a sala de sua ca-sa em espaço onde os pequenos poderiam brincar, se alimentar e estudar gratuitamente, Célia viu, já no primeiro dia, 25 crianças aparecerem no recém-inaugurado Recanto Infantil Tia Célia. Após aproximadamente 20 dias, o Recanto já contava com mais de 100 crianças dividindo o espaço apertado.

“Já não tinha mais lugar para abrigar tantas crianças. Então, minha cozinha também virou parte do Recanto”, relembra Célia. No começo, o sonho não foi bem visto pela família. “Meus filhos não aceitavam, as pessoas diziam que não ia dar certo. Mas não desisti”, orgulha-se. Sem espaço para suportar a demanda crescente dentro de casa, ela comprou um pequeno terreno nos fundos da residência, mas não tinha dinheiro para levantar paredes de alvenaria. “Construí um barraco de madeira e sempre que chovia era só goteira”.

Foi então que algumas pessoas da região, sensibilizadas com o trabalho, procuraram Célia e ofereceram ajuda financeira. Com a mão-de-obra dos pais das crianças que freqüentavam o Recanto, foi erguido um salão. As filhas de Célia, vendo que os resultados eram positivos, resolveram fazer parte do quadro de voluntários, que já contava com oito pessoas. “No começo, achava um absurdo o que minha mãe fazia. Mas depois, percebi que era um projeto maravilhoso”, conta Adriana Santana, 23 anos. Para participar do sonho da mãe, Adriana abandonou um emprego e agora se dedica totalmente às crianças do Recanto.

Hoje, a entidade cuida de 243 crianças, de 3 a 17 anos. De segunda a sexta-feira, das 7h às 17h e aos sábados, até as 14h, as crianças participam de atividades de dança, música, inglês, artesanato e desenho. Total de 15 voluntários cuidam das crianças.

Com a capacidade esgotada, o Recanto precisa de parceiros para ampliar as atividades. “Tem uma empresa que nos ajuda doando alimentos. Recebemos também doações de livros, brinquedos, roupas. Mas precisamos de ajuda financeira para podermos atender mais crianças”, diz Célia, que não se cansa da tarefa. Alessandra Pereira, de 13 anos, que há cinco freqüenta o Recanto, não troca o lugar por nada. “Eu amo o Recanto. Aqui aprendo música, desenho”. E quem cresceu na entidade não quer se despedir. Eduardo dos Santos, 18 anos, que entrou com 11 no Recanto, hoje é voluntário. “Quando eu era pequeno, Tia Célia cuidava de mim. Hoje, sou eu quem devolve o carinho para outras crianças”.

Quem quiser contribuir basta telefonar para 6761-7005. A instituição fica na rua Eucalipto, 1.700, Jardim Ipê. (Supervisão de Adriana Gomes)

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