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Super-herói também luta pelo direito à leitura


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

13/03/2005 | 17:37


Apreciador de longa data do estilo do escritor russo Fiodor Dostoiévski, autor dos clássicos Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, o bibliotecário Nelson dos Santos, 44 anos, um dia se viu encantado pelas obras de uma conterrânea do autor. Tatiana Belinky, escritora russa radicada no Brasil, aproximou Santos da literatura infantil e lhe deu um importante papel na formação das crianças da Emeif (Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental) Darci Ribeiro, no Parque Novo Oratório, em Santo André. Por meio das obrs de Tatiana e de brasileiros como Elias José e Ricardo Azevedo, Santos se transforma em Tio Nelson, um contador de histórias fanfarrão que se veste com avental colorido, espécie de super-herói do mundo das palavras. Além de contador de histórias, Tio Nelson é um dos catalisadores de ações de incentivo à leitura na escola.

“Percebi que, até a 4ª série, a molecada gosta muito de ler. Eles consideram o livro uma coisa prazerosa e é mais fácil estimular o gosto pela leitura. Acredito que quando Machado de Assis escreveu seus livros, ele não queria que o ato da leitura fosse torturante. Tento manter a espontaneidade”, conta Santos. E os métodos para atrair a criançada vão além da capa colorida dos livros. “A criança gosta de interagir o tempo todo com a história. Tenho que escolher as histórias de modo que elas possam criar em cima também.”

E dá-lhe livros coloridos, com figuras que se abrem ao folhear das páginas e textos que brincam com rimas engraçadas. A maior parte dos livros são comprados pelo próprio Tio Nelson, em garimpagens semanais por sebos e livrarias. “É que eu também gosto das histórias, leio com prazer, o que faz toda a diferença.” Para aprender a magia de contar histórias, o funcionário público fez um curso de contação oferecido pela Prefeitura. Dentro da escola, ele também organiza gincanas nas quais os ganhadores são presenteados com livros.

Fora da escola, ele corre atrás de doações de volumes para as gincanas que organiza, que costumam ser realizadas na hora do intervalo e atraem a criançada para dentro da biblioteca nas horas vagas. “Temos também o projeto de presentear cada criança com um livro no dia de aniversário.”

Tio Nelson é bem popular entre os alunos e conhece praticamente cada criança pelo nome. Atrás de sua mesa, um quadro com cerca de 40 caricaturas feitas por estudantes agradecem ao “mestre”. Ele já influenciou o nascimento de outros “ratinhos de biblioteca”. É o caso de Beatriz Nogueira de Lima, 8 anos, estudante da 2ª série e apaixonada por poesia. “Depois que comecei a ler, venho toda semana pegar algum livro aqui na biblioteca. O primeiro livro que li era daqui, Os Guerreiros de K, do Ziraldo”, diz a menina.

O resultado do trabalho são crianças dentro da sala de aula e com maior poder de aprendizado. “A leitura estimula a produção de texto e a correção ortográfica, sem contar que pode envolver a família. Passamos exercícios nos quais o aluno tem de recorrer à mãe para completá-lo”, conta a professora Maria de Jesus Rodrigues, que dá aulas para a 2ª série da Darci Ribeiro.


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Super-herói também luta pelo direito à leitura

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

13/03/2005 | 17:37


Apreciador de longa data do estilo do escritor russo Fiodor Dostoiévski, autor dos clássicos Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, o bibliotecário Nelson dos Santos, 44 anos, um dia se viu encantado pelas obras de uma conterrânea do autor. Tatiana Belinky, escritora russa radicada no Brasil, aproximou Santos da literatura infantil e lhe deu um importante papel na formação das crianças da Emeif (Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental) Darci Ribeiro, no Parque Novo Oratório, em Santo André. Por meio das obrs de Tatiana e de brasileiros como Elias José e Ricardo Azevedo, Santos se transforma em Tio Nelson, um contador de histórias fanfarrão que se veste com avental colorido, espécie de super-herói do mundo das palavras. Além de contador de histórias, Tio Nelson é um dos catalisadores de ações de incentivo à leitura na escola.

“Percebi que, até a 4ª série, a molecada gosta muito de ler. Eles consideram o livro uma coisa prazerosa e é mais fácil estimular o gosto pela leitura. Acredito que quando Machado de Assis escreveu seus livros, ele não queria que o ato da leitura fosse torturante. Tento manter a espontaneidade”, conta Santos. E os métodos para atrair a criançada vão além da capa colorida dos livros. “A criança gosta de interagir o tempo todo com a história. Tenho que escolher as histórias de modo que elas possam criar em cima também.”

E dá-lhe livros coloridos, com figuras que se abrem ao folhear das páginas e textos que brincam com rimas engraçadas. A maior parte dos livros são comprados pelo próprio Tio Nelson, em garimpagens semanais por sebos e livrarias. “É que eu também gosto das histórias, leio com prazer, o que faz toda a diferença.” Para aprender a magia de contar histórias, o funcionário público fez um curso de contação oferecido pela Prefeitura. Dentro da escola, ele também organiza gincanas nas quais os ganhadores são presenteados com livros.

Fora da escola, ele corre atrás de doações de volumes para as gincanas que organiza, que costumam ser realizadas na hora do intervalo e atraem a criançada para dentro da biblioteca nas horas vagas. “Temos também o projeto de presentear cada criança com um livro no dia de aniversário.”

Tio Nelson é bem popular entre os alunos e conhece praticamente cada criança pelo nome. Atrás de sua mesa, um quadro com cerca de 40 caricaturas feitas por estudantes agradecem ao “mestre”. Ele já influenciou o nascimento de outros “ratinhos de biblioteca”. É o caso de Beatriz Nogueira de Lima, 8 anos, estudante da 2ª série e apaixonada por poesia. “Depois que comecei a ler, venho toda semana pegar algum livro aqui na biblioteca. O primeiro livro que li era daqui, Os Guerreiros de K, do Ziraldo”, diz a menina.

O resultado do trabalho são crianças dentro da sala de aula e com maior poder de aprendizado. “A leitura estimula a produção de texto e a correção ortográfica, sem contar que pode envolver a família. Passamos exercícios nos quais o aluno tem de recorrer à mãe para completá-lo”, conta a professora Maria de Jesus Rodrigues, que dá aulas para a 2ª série da Darci Ribeiro.

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