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Mundo se prepara para ‘O Código Da Vinci’


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

14/05/2006 | 08:04


O fim está próximo. Dezenove de maio, para ser mais preciso. Pelas barbas do profeta, é daqui a cinco dias! Sim, a próxima sexta-feira, quando estréia no Brasil e no mundo o filme O Código Da Vinci, adaptação de Ron Howard sobre o best-seller homônimo do escritor Dan Brown. E best-seller não é força de expressão, uma vez que o volume (distribuído no país pela editora Sextante) foi traduzido para 44 idiomas e vendeu 50 milhões de exemplares mundialmente, em três anos de existência. E com a versão cinematográfica, blockbuster antevisto que terá pré-estréia no Festival de Cannes na quarta-feira, a audiência aumentará consideravelmente. O apocalipse, o armagedon, o fim dos tempos. Ao menos para cristãos militantes, alguns mais exaltados a ponto de considerar o autor – cujas linhas atrevem-se contra a solidez espiritual do Vaticano e já renderam um acréscimo à sua fortuna de 70 milhões de euros (R$ 189 milhões) – o anticristo profetizado em outras páginas e outros tempos.

Do mesmo modo, não é força de expressão a classificação de publicitário dos infernos que Dan Brown recebeu de opositores. Manifestações anti-Código proliferam. Nas Filipinas, um secretário de governo tenta banir o filme dos cinemas do país. Na Índia, integrantes do Fórum Social Católico anunciaram uma greve de fome coletiva como forma de protesto à exibição (um dos mais apaixonados membros da entidade oferece US$ 25 mil a quem lhe trouxer a cabeça de Brown numa bandeja). No Brasil, o deputado federal Salvador Zimbaldi (SP) tenta proibir a estréia com uma medida cautelar e alegações de que o filme fere a Constituição, já que representaria atentado à liberdade de crença defendida pela lei máxima do país. Quanto ao Vaticano, não houve sugestão oficial de boicote, embora alguns cardeais recomendem que católicos evitem pisar no terreno arado por Brown em livro e por Howard em filme.

O ator Tom Hanks saiu na linha de frente para advogar a favor do filme que protagoniza. Em entrevista ao jornal inglês Evening Standard, afirmou que o longa, cheio de recursos cômicos, não deve ser levado tão a sério. “É uma uma boa história e com muita diversão. Tudo é diálogo e isso nunca fere", disse.

“É um romance de ficção e, como tal, deve ser entendido como fantasia e não como relato histórico”, falou ao Diário Dom Odilo Pedro Scherer, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “Os leitores e os espectadores devem ser alertados de que aquilo é fantasioso, que a Igreja nada tem a esconder. O que devemos nos perguntar, sim, é se é uma ficção de bom gosto, ao mexer com instituições e fontes históricas confiáveis e com a sensibilidade religiosa das pessoas”. E, para refletir junto a quem possa cismar com o Vaticano após o Código, Dom Odilo adota uma analogia: “É a mesma coisa de quem bate na mãe. Quem deve ser questionado, a mãe ou o agressor?”

Não importa. Para muitos dos filhos, Brown tocou não somente no fio de cabelo da mãe, mas bagunçou toda a cabeleira. E, para essa prole, não basta dizer que o livro é ficção para consertar o penteado à moda pombal que atribuem ao escritor.


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Mundo se prepara para ‘O Código Da Vinci’

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

14/05/2006 | 08:04


O fim está próximo. Dezenove de maio, para ser mais preciso. Pelas barbas do profeta, é daqui a cinco dias! Sim, a próxima sexta-feira, quando estréia no Brasil e no mundo o filme O Código Da Vinci, adaptação de Ron Howard sobre o best-seller homônimo do escritor Dan Brown. E best-seller não é força de expressão, uma vez que o volume (distribuído no país pela editora Sextante) foi traduzido para 44 idiomas e vendeu 50 milhões de exemplares mundialmente, em três anos de existência. E com a versão cinematográfica, blockbuster antevisto que terá pré-estréia no Festival de Cannes na quarta-feira, a audiência aumentará consideravelmente. O apocalipse, o armagedon, o fim dos tempos. Ao menos para cristãos militantes, alguns mais exaltados a ponto de considerar o autor – cujas linhas atrevem-se contra a solidez espiritual do Vaticano e já renderam um acréscimo à sua fortuna de 70 milhões de euros (R$ 189 milhões) – o anticristo profetizado em outras páginas e outros tempos.

Do mesmo modo, não é força de expressão a classificação de publicitário dos infernos que Dan Brown recebeu de opositores. Manifestações anti-Código proliferam. Nas Filipinas, um secretário de governo tenta banir o filme dos cinemas do país. Na Índia, integrantes do Fórum Social Católico anunciaram uma greve de fome coletiva como forma de protesto à exibição (um dos mais apaixonados membros da entidade oferece US$ 25 mil a quem lhe trouxer a cabeça de Brown numa bandeja). No Brasil, o deputado federal Salvador Zimbaldi (SP) tenta proibir a estréia com uma medida cautelar e alegações de que o filme fere a Constituição, já que representaria atentado à liberdade de crença defendida pela lei máxima do país. Quanto ao Vaticano, não houve sugestão oficial de boicote, embora alguns cardeais recomendem que católicos evitem pisar no terreno arado por Brown em livro e por Howard em filme.

O ator Tom Hanks saiu na linha de frente para advogar a favor do filme que protagoniza. Em entrevista ao jornal inglês Evening Standard, afirmou que o longa, cheio de recursos cômicos, não deve ser levado tão a sério. “É uma uma boa história e com muita diversão. Tudo é diálogo e isso nunca fere", disse.

“É um romance de ficção e, como tal, deve ser entendido como fantasia e não como relato histórico”, falou ao Diário Dom Odilo Pedro Scherer, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “Os leitores e os espectadores devem ser alertados de que aquilo é fantasioso, que a Igreja nada tem a esconder. O que devemos nos perguntar, sim, é se é uma ficção de bom gosto, ao mexer com instituições e fontes históricas confiáveis e com a sensibilidade religiosa das pessoas”. E, para refletir junto a quem possa cismar com o Vaticano após o Código, Dom Odilo adota uma analogia: “É a mesma coisa de quem bate na mãe. Quem deve ser questionado, a mãe ou o agressor?”

Não importa. Para muitos dos filhos, Brown tocou não somente no fio de cabelo da mãe, mas bagunçou toda a cabeleira. E, para essa prole, não basta dizer que o livro é ficção para consertar o penteado à moda pombal que atribuem ao escritor.

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