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Sônia Guedes dá adeus aos palcos; atriz é enterrada em Paranapiacaba

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Referência nacional no teatro, artista de Paranapiacaba Sônia Guedes morre aos 86 anos


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/06/2019 | 08:10


Dia 13 de abril de 1971. Foi nessa data que Sônia Guedes, junto do amigo e também ator Antônio Petrin, inaugurou o Teatro Municipal de Santo André, com o espetáculo Guerra do Cansa Cavalo, de Osman Lins, produzido pelo GTC (Grupo de Teatro da Cidade). Referência no universo teatral na região e no País, a atriz andreense morreu na noite de segunda-feira, aos 86 anos. Ela lutava contra um câncer e foi sepultada ontem, em Paranapiacaba, onde nasceu. Segundo vizinhos ouvidos pelo Diário, poucas pessoas participaram da despedida. O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), declarou luto oficial de três dias.

A paixão de Sônia pela arte fervia desde que era criança. Em entrevista ao Diário, em 2012, por ocasião dos seus 80 anos, comemorados na livraria andreense Alpharrabio, ela se recordou das duas salas de cinema que tinha em Paranapiacaba. “Assistia a vários filmes durante a semana e, no domingo, voltava para rever o que tinha mais gostado. Meu pai me levava e me buscava”, disse.

Além disso, atuar era algo de família. Ela dizia estar no sangue a paixão pelos palcos. Tanto que seus avós também fizeram teatro. O avô materno, italiano, era ator. Se apresentava no espaço que depois ficou conhecido como Cine Teatro Carlos Gomes, no Centro de Santo André, antes mesmo de o local levar esse nome. “Meu avô paterno, português, era analfabeto. Meu pai lia para ele os textos, para o ajudar a decorar”, lembrou, à época.

A atriz foi uma das fundadoras do GTC, considerado o primeiro grupo de teatro profissional do Grande ABC. O pulo para a TV começou com uma ponta, em Vila Sésamo (parceria da TV Cultura e Globo), em 1972. Mas foi a partir da novela da Globo Malu Mulher (1979), junto de Petrin, que ela fincou os pés na dramaturgia televisiva. Trabalhou em novelas como Barriga de Aluguel (1990) e Luz do Sol (2007), por exemplo. Seu último trabalho para a TV aberta foi em Chiquititas, em 2013, com a personagem Nina Correia. Também participou da série Santo Forte, em 2015, do canal fechado AXN.

No cinema deixa legado também. Um de seus pontos altos foi com o filme Histórias Que Só Existem Quando Lembradas (2011), obra em que viveu a personagem Madalena e lhe rendeu prêmios nos festivais de Cinema Luso-Brasileiro e de Abu Dhabi. Em 2016 atuou em seu último longa, O Amor no Divã.

Amigo e parceiro de palco há mais de 50 anos, Antônio Petrin lamentou a perda da atriz. “Nosso primeiro encontro foi no Teatro de Alumínio (hoje extinto), em Santo André”, recorda. O ator conta da importância do GTC e ressalta que esse trabalho influenciou grupos de formação da região. “Depois disso criou-se a Escola Livre de Teatro de Santo André, a Fundação das Artes de São Caetano, e influenciamos grupos teatrais de São Bernardo”, diz. Petrin mantinha contato com a atriz até os dias atuais. Foi visitá-la recentemente e conversaram bastante, sobre teatro, inclusive. “Ela foi uma atriz de primeira grandeza.”

O prefeito Paulo Serra recebeu a notícia da morte da atriz com pesar. “Sônia se destacou no cenário cultural como uma brilhante atriz, atuando no teatro e na TV. Teve inúmeras participações em espetáculos no nosso Teatro Municipal, palco que lhe era familiar e querido”, diz. Para ele, ela deixa um legado que enriquece a cultura andreense e reforça a história da cidade.

Dalila Teles Veras, criadora da livraria andreense Alpharrabio e responsável pela homenagem na ocasião dos 80 anos da artista, diz que a cena teatral da região e artística em geral ficam bem mais tristes e pobres agora. “Sônia Guedes é já para nós e para o (Grande) ABC um patrimônio cultural. E a região muito ainda lhe deve em termos de reconhecimento”, afirma.

O cineasta de Diadema Diaulas Ulysses lembra que conheceu Sônia por meio da atriz Etty Fraser (1931-2018), em São Paulo. “Eu era muito amigo da Etty, e algumas vezes a Sônia estava junto com ela. Conversei muito com ela. Quase não a vi no palco, mas sei da força dela para os artistas regionais. Sônia era de uma geração que fortaleceu, sedimentou o terreno fértil da arte na região, assim como Antônio Petrin. Foram influenciadores de toda uma geração de artistas do Grande ABC.” 



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Sônia Guedes dá adeus aos palcos; atriz é enterrada em Paranapiacaba

Referência nacional no teatro, artista de Paranapiacaba Sônia Guedes morre aos 86 anos

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/06/2019 | 08:10


Dia 13 de abril de 1971. Foi nessa data que Sônia Guedes, junto do amigo e também ator Antônio Petrin, inaugurou o Teatro Municipal de Santo André, com o espetáculo Guerra do Cansa Cavalo, de Osman Lins, produzido pelo GTC (Grupo de Teatro da Cidade). Referência no universo teatral na região e no País, a atriz andreense morreu na noite de segunda-feira, aos 86 anos. Ela lutava contra um câncer e foi sepultada ontem, em Paranapiacaba, onde nasceu. Segundo vizinhos ouvidos pelo Diário, poucas pessoas participaram da despedida. O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), declarou luto oficial de três dias.

A paixão de Sônia pela arte fervia desde que era criança. Em entrevista ao Diário, em 2012, por ocasião dos seus 80 anos, comemorados na livraria andreense Alpharrabio, ela se recordou das duas salas de cinema que tinha em Paranapiacaba. “Assistia a vários filmes durante a semana e, no domingo, voltava para rever o que tinha mais gostado. Meu pai me levava e me buscava”, disse.

Além disso, atuar era algo de família. Ela dizia estar no sangue a paixão pelos palcos. Tanto que seus avós também fizeram teatro. O avô materno, italiano, era ator. Se apresentava no espaço que depois ficou conhecido como Cine Teatro Carlos Gomes, no Centro de Santo André, antes mesmo de o local levar esse nome. “Meu avô paterno, português, era analfabeto. Meu pai lia para ele os textos, para o ajudar a decorar”, lembrou, à época.

A atriz foi uma das fundadoras do GTC, considerado o primeiro grupo de teatro profissional do Grande ABC. O pulo para a TV começou com uma ponta, em Vila Sésamo (parceria da TV Cultura e Globo), em 1972. Mas foi a partir da novela da Globo Malu Mulher (1979), junto de Petrin, que ela fincou os pés na dramaturgia televisiva. Trabalhou em novelas como Barriga de Aluguel (1990) e Luz do Sol (2007), por exemplo. Seu último trabalho para a TV aberta foi em Chiquititas, em 2013, com a personagem Nina Correia. Também participou da série Santo Forte, em 2015, do canal fechado AXN.

No cinema deixa legado também. Um de seus pontos altos foi com o filme Histórias Que Só Existem Quando Lembradas (2011), obra em que viveu a personagem Madalena e lhe rendeu prêmios nos festivais de Cinema Luso-Brasileiro e de Abu Dhabi. Em 2016 atuou em seu último longa, O Amor no Divã.

Amigo e parceiro de palco há mais de 50 anos, Antônio Petrin lamentou a perda da atriz. “Nosso primeiro encontro foi no Teatro de Alumínio (hoje extinto), em Santo André”, recorda. O ator conta da importância do GTC e ressalta que esse trabalho influenciou grupos de formação da região. “Depois disso criou-se a Escola Livre de Teatro de Santo André, a Fundação das Artes de São Caetano, e influenciamos grupos teatrais de São Bernardo”, diz. Petrin mantinha contato com a atriz até os dias atuais. Foi visitá-la recentemente e conversaram bastante, sobre teatro, inclusive. “Ela foi uma atriz de primeira grandeza.”

O prefeito Paulo Serra recebeu a notícia da morte da atriz com pesar. “Sônia se destacou no cenário cultural como uma brilhante atriz, atuando no teatro e na TV. Teve inúmeras participações em espetáculos no nosso Teatro Municipal, palco que lhe era familiar e querido”, diz. Para ele, ela deixa um legado que enriquece a cultura andreense e reforça a história da cidade.

Dalila Teles Veras, criadora da livraria andreense Alpharrabio e responsável pela homenagem na ocasião dos 80 anos da artista, diz que a cena teatral da região e artística em geral ficam bem mais tristes e pobres agora. “Sônia Guedes é já para nós e para o (Grande) ABC um patrimônio cultural. E a região muito ainda lhe deve em termos de reconhecimento”, afirma.

O cineasta de Diadema Diaulas Ulysses lembra que conheceu Sônia por meio da atriz Etty Fraser (1931-2018), em São Paulo. “Eu era muito amigo da Etty, e algumas vezes a Sônia estava junto com ela. Conversei muito com ela. Quase não a vi no palco, mas sei da força dela para os artistas regionais. Sônia era de uma geração que fortaleceu, sedimentou o terreno fértil da arte na região, assim como Antônio Petrin. Foram influenciadores de toda uma geração de artistas do Grande ABC.” 

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