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Clóvis Volpi defende Nonô para 2016

Orlando Filho/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em entrevista ao Diário, prefeito de Ribeirão Pires diz que
republicano é melhor nome do grupo para disputar o Paço


Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

29/12/2012 | 07:00


O prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PV), revelou com exclusividade ao Diário que preferia ter perdido a eleição tendo Nonô Nardelli (PR) como candidato da administração. O republicano era cotado para representar a administração no pleito deste ano, mas o fraco desempenho nas pesquisas eleitorais fez o grupo optar por Edinaldo de Menezes, o Dedé (PPS), atual vice-prefeito. O popular-socialista teve o registro de candidatura indeferido no começo da campanha e não conseguiu reverter o processo, o que culminou na derrota do grupo político que estava no comando da cidade há oito anos. Volpi avaliou que Nonô foi uma aliado fiel, mesmo nos momentos de dificuldade. "Ele seria um cara de fibra, ganhando ou perdendo. Ele tem sido maior exemplo de fidelidade", destacou. O prefeito reiterou que o republicano sai fortalecido e arriscou dizer que ele é o melhor nome dos aliados para concorrer às eleições em 2016. Ao entregar o segundo mandato, o chefe do Executivo reconheceu os problemas que teve com a terceirização da Saúde. "Essa foi uma experiência desagradável e vai me custar bom trabalho de defesa", considerou. Também teve problemas com empresas nas áreas ambiental e tributária. O prefeito admitiu que entregará a Prefeitura com deficit de R$ 10,5 milhões. "Esse ano de 2012 foi muito ruim", alegou. Reiterou que não pretende mais disputar eleição e que a vontade de ser prefeito de Mauá nada mais era do que "folclore". Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

 

DIÁRIO - O sr. sempre ocupou cargo Legislativo. Após oito anos como prefeito de Ribeirão Pires, qual seu balanço?

CLÓVIS VOLPI - Teve bons e maus momentos. Tudo na vida é assim. Se classificarmos duas colunas - uma de mais e outra de menos - a de mais sai ganhando. Fizemos muitas escolas e asfalto. Construímos a UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas), o Hospital Municipal ainda falta um pouco. Reformamos sete UBSs (Unidades Básicas de Saúde) no fim do mandato. Fizemos obra de contenção de encostas, que foi nosso grande drama. São obras que ninguém vê. Tivemos muito problema com chuva entre 2009 e 2010 e fomos obrigados a direcionar muitos recursos para essa área e fizemos muro de arrimo nos bairros. Fomos fazendo um pouco planejado e um pouco que acontece no meio do caminho. O planejado era recuperação econômica.

 

DIÁRIO - E o que foi feito para que a economia da cidade ficasse acertada?

VOLPI - Pagamos todos os precatórios. O único de desapropriação era da Keith Richards. Dividimos em 20 anos e já pagamos oito anos.

 

DIÁRIO - O problema foi herdado da gestão petista?

VOLPI - Já veio da época do Valdírio (Prisco - 1993 a 1996). O PT não fez despesa. Como eu, eles deixaram alguma coisa, mas não em termos de precatório. Tudo que a Prefeitura desapropriou no meu mandato, pagamos.

 

DIÁRIO - Como está a situação financeira da Prefeitura?

VOLPI - Este ano foi muito ruim. Menos ruim que muitas cidades. Tenho ido a Brasília e essa questão da concessão de tributos dos impostos feita pelo governo federal matou a gente. Até abril vínhamos bem (quando a medida começou) e depois a receita embicou para baixo. Você tinha os contratos firmados e os serviços iniciados. Eu não paralisei serviços. Vou terminar o ano com deficit financeiro de 5% do Orçamento (R$ 10,5 milhões).

 

DIÁRIO - Somente pela questão dos impostos?

VOLPI - Contei que ia receber bastante coisa, mas não recebi. A SPMar (responsável pela construção do Trecho Leste do Rodoanel) é a pior empresa que passou por Ribeirão Pires. Tinha problema com a Contreras (atuou na obra do Gasan 2), mas a SPMar dá de dez a zero. Eles não recolheram um centavo de ISS (Imposto Sobre Serviços) da obra e estou processando. São R$ 13 milhões que coloquei na dívida ativa, que computávamos receber pelo menos R$ 5 milhões. Eles cometeram inúmeros crimes ambientais... Agora eles destruíram algumas nascentes e dinheiro nenhum paga. Se me pagam R$ 13 milhões da obra, tinha resolvido o problema (do deficit).

 

DIÁRIO - A SPMar deu mais problema do que as ONGs que administraram o sistema municipal de Saúde?

VOLPI - A questão da Saúde deu problema que não esperávamos. O cara da Illuminatus (Alfredo Antônio Del Nero Júnior, o Fred) é um picareta. Ele tem R$ 1,8 milhão para receber, mas não tem documento. Ele fez o serviço. A terceirização deu muita dor de cabeça. . Há empresas fazendo esse tipo de trabalho e que tem expertise para fazer isso. Em São Paulo o sistema dá certo. O serviço não era ruim, mas administrativamente era. O problema é documentação. A legislação é rígida e não adianta colocar um 'Zé Mané' que não entende daquilo. Tudo tem que comprovar o gasto e documentar. O Edison (Dias Júnior, presidente da OSSPUB que usou dinheiro público para comprar um carro) pegou R$ 20 mil e falou que depois colocava. Não pode. Essa foi uma experiência desagradável e vai me custar um bom trabalho de defesa (judicial).

 

DIÁRIO - A municipalização da Saúde contratou 72 médicos. O fato engessou a folha de pagamento?

VOLPI - Está abaixo do padrão máximo (de 54% da receita líquida do município). Não tem milagre (na contratação). Santo André paga mais de R$ 2.000 por plantão de 24 horas, São Paulo paga R$ 3.000. Eu pagava igual Rio Grande (R$ 800). Fizemos a municipalização com medo de que acontecesse algo e para isso precisamos de dinheiro. Foi um aumento de R$ 600 mil, mas ainda está dentro do limite. Juntando com aumento dado aos professores em 2011 (22%), criou problema de gestão de folha. Não pode dar um salto grande lá na frente. Tem que continuar nessa batida até que a receita aumente e esse aumento seja maior do que o custeio investido. Isso leva um ano ou dois anos.

 

DIÁRIO - A acusação do prefeito eleito, Saulo Benevides (PMDB), de que o sr. engessou a Prefeitura não é verdadeira, então?

VOLPI - Ele achou que tinha 400 comissionados, mas só tenho 78. Trabalhei com os efetivos. Ele quer criar secretaria e desmembrar outras. Não vai conseguir fazer porque ultrapassa o limite. Eu respeitei a determinação do MP (Ministério Público). Ele tem problema lá, porque prometeu mais do que pode fazer. Como pode um vereador não saber isso?

 

DIÁRIO - O que sr. espera da próxima administração?

VOLPI - Ele está montando um grupo. Tem perspicácia para fazer um bom governo. Não vou acompanhar. Não tenho nada com isso. Vou para casa.

 

DIÁRIO - E seu futuro político?

VOLPI - Não quero me afastar da política, mas não quero pedir voto.

 

DIÁRIO - Nem para deputado?

VOLPI - Não. Vou ajudar algum amigo, vou ajudar a região. Se for para trabalhar para alguém, no Grande ABC. Eu cansei. Deu muito trabalho isso aqui (Prefeitura). Hoje em dia para um cara ser prefeito é difícil. Você não acha cara que quer ser prefeito porque responde com seus bens. Está engessado e tem muita dificuldade. Mas realizamos muita coisa. Tivemos um grande avanço e que os próximos prefeitos não precisem correr como eu corri.

 

DIÁRIO - Enterrou o sonho de ser prefeito de Mauá?

VOLPI - (Voltar para Mauá) É folclore. Precisa ter idade, disposição. Tenho conhecimento, mas idade não fica junto com voto. Tem dificuldade de acompanhamento e hoje se prega o novo. Você pode servir com conhecimento sem ser o dono da cadeira.

 

DIÁRIO - Qual seu balanço da eleição em Ribeirão, na qual seu grupo saiu derrotado?

VOLPI - Ainda não terminou. Ela vai terminar quando os tribunais disserem que tudo está certo. A eleição foi diferente. A gente concorreu com uma esperança que o candidato fosse vencer em alguma instância e se viabilizar, o que não aconteceu.

 

DIÁRIO - O sr. se arrepende de não ter trocado o candidato quando o Dedé foi indeferido e perdeu o recurso no TRE-SP?

VOLPI - Teve um momento, quando ele perdeu no TRE,que nos reunimos e achávamos que seria melhor escolher um outro nome, que poderia ser a Rosi (de Marco, PV, então vice na chapa) ou o pai dele (Gemecê de Menezes, PPS) para não mudar o 23 (número da legenda). Ele sentiu que seria mais seguro. Mas daí saiu, marcou uma reunião às 23h e no dia seguinte disse que queria continuar. Foi uma decisão íntima. O PV ou qualquer outro partido não pode mudar o candidato. A vontade tinha que ser dele. Ele escolheu prosseguir com a esperança que o quadro dele mudasse.

 

DIÁRIO - Mas as pesquisas já apontavam a queda dele nesse momento...

VOLPI - Porque já tinha o zum zum zum do processo (judicial) que ficou 35 dias em São Paulo. Ele recuperaria se as manchetes dissessem que ele venceu no TRE ou TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ele tinha que ir para rua e explicar. Ainda assim achei que ele ficaria em terceiro lugar. O grupo era forte. Todo mundo o colocou nas costas e levou.

 

DIÁRIO - Foi uma lição para o grupo aliado?

VOLPI - Estamos nos mantendo juntos e vamos nos manter. Não encontrei nenhum cara em 40 anos de política igual ao Nonô Nardelli (PR). Ele tem o partido mais forte, poderia impor, poderia sair, o que nos abalaria, mas ele se manteve firme, apesar de ser assediado pelo Saulo e pelo PT. Impressionante esse rapaz.

 

DIÁRIO - O Nonô era um dos nomes cotados para ser o candidato do governo. O sr. se arrepende de não tê-lo lançado no lugar do Dedé?

VOLPI - Sim. Preferia ter perdido com o Nonô. Ele seria um cara de fibra, ganhando ou perdendo. Ele tem sido maior exemplo de fidelidade. Ele na pesquisa tinha 5%. Mas quando ele (Nonô) viu a pesquisa, ele mesmo falou que era melhor ficar com o Dedé. Fizemos a coisa certa naquele momento.

 

DIÁRIO - Nonô é um nome forte para a próxima eleição?

VOLPI - Sim. Pela fidelidade que ele teve. Sai daqui duas pessoas responsáveis: a Rosi, que foi uma leoa e nunca nos abandonou, e o Nonô.

 

DIÁRIO - E as decepções?

VOLPI - O Dedé foi a grande decepção da cidade.

 

DIÁRIO - Como está o relacionamento de vocês?

VOLPI - Desde a confraternização, que foi quando decidiu (desistir do processo contra Saulo Benevides) não falo com ele. Liguei e ele não me atendeu mais. E nunca mais nos falamos. Ele foi a maior decepção política de Ribeirão Pires.



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Clóvis Volpi defende Nonô para 2016

Em entrevista ao Diário, prefeito de Ribeirão Pires diz que
republicano é melhor nome do grupo para disputar o Paço

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

29/12/2012 | 07:00


O prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PV), revelou com exclusividade ao Diário que preferia ter perdido a eleição tendo Nonô Nardelli (PR) como candidato da administração. O republicano era cotado para representar a administração no pleito deste ano, mas o fraco desempenho nas pesquisas eleitorais fez o grupo optar por Edinaldo de Menezes, o Dedé (PPS), atual vice-prefeito. O popular-socialista teve o registro de candidatura indeferido no começo da campanha e não conseguiu reverter o processo, o que culminou na derrota do grupo político que estava no comando da cidade há oito anos. Volpi avaliou que Nonô foi uma aliado fiel, mesmo nos momentos de dificuldade. "Ele seria um cara de fibra, ganhando ou perdendo. Ele tem sido maior exemplo de fidelidade", destacou. O prefeito reiterou que o republicano sai fortalecido e arriscou dizer que ele é o melhor nome dos aliados para concorrer às eleições em 2016. Ao entregar o segundo mandato, o chefe do Executivo reconheceu os problemas que teve com a terceirização da Saúde. "Essa foi uma experiência desagradável e vai me custar bom trabalho de defesa", considerou. Também teve problemas com empresas nas áreas ambiental e tributária. O prefeito admitiu que entregará a Prefeitura com deficit de R$ 10,5 milhões. "Esse ano de 2012 foi muito ruim", alegou. Reiterou que não pretende mais disputar eleição e que a vontade de ser prefeito de Mauá nada mais era do que "folclore". Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

 

DIÁRIO - O sr. sempre ocupou cargo Legislativo. Após oito anos como prefeito de Ribeirão Pires, qual seu balanço?

CLÓVIS VOLPI - Teve bons e maus momentos. Tudo na vida é assim. Se classificarmos duas colunas - uma de mais e outra de menos - a de mais sai ganhando. Fizemos muitas escolas e asfalto. Construímos a UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas), o Hospital Municipal ainda falta um pouco. Reformamos sete UBSs (Unidades Básicas de Saúde) no fim do mandato. Fizemos obra de contenção de encostas, que foi nosso grande drama. São obras que ninguém vê. Tivemos muito problema com chuva entre 2009 e 2010 e fomos obrigados a direcionar muitos recursos para essa área e fizemos muro de arrimo nos bairros. Fomos fazendo um pouco planejado e um pouco que acontece no meio do caminho. O planejado era recuperação econômica.

 

DIÁRIO - E o que foi feito para que a economia da cidade ficasse acertada?

VOLPI - Pagamos todos os precatórios. O único de desapropriação era da Keith Richards. Dividimos em 20 anos e já pagamos oito anos.

 

DIÁRIO - O problema foi herdado da gestão petista?

VOLPI - Já veio da época do Valdírio (Prisco - 1993 a 1996). O PT não fez despesa. Como eu, eles deixaram alguma coisa, mas não em termos de precatório. Tudo que a Prefeitura desapropriou no meu mandato, pagamos.

 

DIÁRIO - Como está a situação financeira da Prefeitura?

VOLPI - Este ano foi muito ruim. Menos ruim que muitas cidades. Tenho ido a Brasília e essa questão da concessão de tributos dos impostos feita pelo governo federal matou a gente. Até abril vínhamos bem (quando a medida começou) e depois a receita embicou para baixo. Você tinha os contratos firmados e os serviços iniciados. Eu não paralisei serviços. Vou terminar o ano com deficit financeiro de 5% do Orçamento (R$ 10,5 milhões).

 

DIÁRIO - Somente pela questão dos impostos?

VOLPI - Contei que ia receber bastante coisa, mas não recebi. A SPMar (responsável pela construção do Trecho Leste do Rodoanel) é a pior empresa que passou por Ribeirão Pires. Tinha problema com a Contreras (atuou na obra do Gasan 2), mas a SPMar dá de dez a zero. Eles não recolheram um centavo de ISS (Imposto Sobre Serviços) da obra e estou processando. São R$ 13 milhões que coloquei na dívida ativa, que computávamos receber pelo menos R$ 5 milhões. Eles cometeram inúmeros crimes ambientais... Agora eles destruíram algumas nascentes e dinheiro nenhum paga. Se me pagam R$ 13 milhões da obra, tinha resolvido o problema (do deficit).

 

DIÁRIO - A SPMar deu mais problema do que as ONGs que administraram o sistema municipal de Saúde?

VOLPI - A questão da Saúde deu problema que não esperávamos. O cara da Illuminatus (Alfredo Antônio Del Nero Júnior, o Fred) é um picareta. Ele tem R$ 1,8 milhão para receber, mas não tem documento. Ele fez o serviço. A terceirização deu muita dor de cabeça. . Há empresas fazendo esse tipo de trabalho e que tem expertise para fazer isso. Em São Paulo o sistema dá certo. O serviço não era ruim, mas administrativamente era. O problema é documentação. A legislação é rígida e não adianta colocar um 'Zé Mané' que não entende daquilo. Tudo tem que comprovar o gasto e documentar. O Edison (Dias Júnior, presidente da OSSPUB que usou dinheiro público para comprar um carro) pegou R$ 20 mil e falou que depois colocava. Não pode. Essa foi uma experiência desagradável e vai me custar um bom trabalho de defesa (judicial).

 

DIÁRIO - A municipalização da Saúde contratou 72 médicos. O fato engessou a folha de pagamento?

VOLPI - Está abaixo do padrão máximo (de 54% da receita líquida do município). Não tem milagre (na contratação). Santo André paga mais de R$ 2.000 por plantão de 24 horas, São Paulo paga R$ 3.000. Eu pagava igual Rio Grande (R$ 800). Fizemos a municipalização com medo de que acontecesse algo e para isso precisamos de dinheiro. Foi um aumento de R$ 600 mil, mas ainda está dentro do limite. Juntando com aumento dado aos professores em 2011 (22%), criou problema de gestão de folha. Não pode dar um salto grande lá na frente. Tem que continuar nessa batida até que a receita aumente e esse aumento seja maior do que o custeio investido. Isso leva um ano ou dois anos.

 

DIÁRIO - A acusação do prefeito eleito, Saulo Benevides (PMDB), de que o sr. engessou a Prefeitura não é verdadeira, então?

VOLPI - Ele achou que tinha 400 comissionados, mas só tenho 78. Trabalhei com os efetivos. Ele quer criar secretaria e desmembrar outras. Não vai conseguir fazer porque ultrapassa o limite. Eu respeitei a determinação do MP (Ministério Público). Ele tem problema lá, porque prometeu mais do que pode fazer. Como pode um vereador não saber isso?

 

DIÁRIO - O que sr. espera da próxima administração?

VOLPI - Ele está montando um grupo. Tem perspicácia para fazer um bom governo. Não vou acompanhar. Não tenho nada com isso. Vou para casa.

 

DIÁRIO - E seu futuro político?

VOLPI - Não quero me afastar da política, mas não quero pedir voto.

 

DIÁRIO - Nem para deputado?

VOLPI - Não. Vou ajudar algum amigo, vou ajudar a região. Se for para trabalhar para alguém, no Grande ABC. Eu cansei. Deu muito trabalho isso aqui (Prefeitura). Hoje em dia para um cara ser prefeito é difícil. Você não acha cara que quer ser prefeito porque responde com seus bens. Está engessado e tem muita dificuldade. Mas realizamos muita coisa. Tivemos um grande avanço e que os próximos prefeitos não precisem correr como eu corri.

 

DIÁRIO - Enterrou o sonho de ser prefeito de Mauá?

VOLPI - (Voltar para Mauá) É folclore. Precisa ter idade, disposição. Tenho conhecimento, mas idade não fica junto com voto. Tem dificuldade de acompanhamento e hoje se prega o novo. Você pode servir com conhecimento sem ser o dono da cadeira.

 

DIÁRIO - Qual seu balanço da eleição em Ribeirão, na qual seu grupo saiu derrotado?

VOLPI - Ainda não terminou. Ela vai terminar quando os tribunais disserem que tudo está certo. A eleição foi diferente. A gente concorreu com uma esperança que o candidato fosse vencer em alguma instância e se viabilizar, o que não aconteceu.

 

DIÁRIO - O sr. se arrepende de não ter trocado o candidato quando o Dedé foi indeferido e perdeu o recurso no TRE-SP?

VOLPI - Teve um momento, quando ele perdeu no TRE,que nos reunimos e achávamos que seria melhor escolher um outro nome, que poderia ser a Rosi (de Marco, PV, então vice na chapa) ou o pai dele (Gemecê de Menezes, PPS) para não mudar o 23 (número da legenda). Ele sentiu que seria mais seguro. Mas daí saiu, marcou uma reunião às 23h e no dia seguinte disse que queria continuar. Foi uma decisão íntima. O PV ou qualquer outro partido não pode mudar o candidato. A vontade tinha que ser dele. Ele escolheu prosseguir com a esperança que o quadro dele mudasse.

 

DIÁRIO - Mas as pesquisas já apontavam a queda dele nesse momento...

VOLPI - Porque já tinha o zum zum zum do processo (judicial) que ficou 35 dias em São Paulo. Ele recuperaria se as manchetes dissessem que ele venceu no TRE ou TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ele tinha que ir para rua e explicar. Ainda assim achei que ele ficaria em terceiro lugar. O grupo era forte. Todo mundo o colocou nas costas e levou.

 

DIÁRIO - Foi uma lição para o grupo aliado?

VOLPI - Estamos nos mantendo juntos e vamos nos manter. Não encontrei nenhum cara em 40 anos de política igual ao Nonô Nardelli (PR). Ele tem o partido mais forte, poderia impor, poderia sair, o que nos abalaria, mas ele se manteve firme, apesar de ser assediado pelo Saulo e pelo PT. Impressionante esse rapaz.

 

DIÁRIO - O Nonô era um dos nomes cotados para ser o candidato do governo. O sr. se arrepende de não tê-lo lançado no lugar do Dedé?

VOLPI - Sim. Preferia ter perdido com o Nonô. Ele seria um cara de fibra, ganhando ou perdendo. Ele tem sido maior exemplo de fidelidade. Ele na pesquisa tinha 5%. Mas quando ele (Nonô) viu a pesquisa, ele mesmo falou que era melhor ficar com o Dedé. Fizemos a coisa certa naquele momento.

 

DIÁRIO - Nonô é um nome forte para a próxima eleição?

VOLPI - Sim. Pela fidelidade que ele teve. Sai daqui duas pessoas responsáveis: a Rosi, que foi uma leoa e nunca nos abandonou, e o Nonô.

 

DIÁRIO - E as decepções?

VOLPI - O Dedé foi a grande decepção da cidade.

 

DIÁRIO - Como está o relacionamento de vocês?

VOLPI - Desde a confraternização, que foi quando decidiu (desistir do processo contra Saulo Benevides) não falo com ele. Liguei e ele não me atendeu mais. E nunca mais nos falamos. Ele foi a maior decepção política de Ribeirão Pires.

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