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Lote inicial vai imunizar 38% do público-alvo na primeira fase

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Região recebeu menos da metade da Coronavac necessária; expectativa era ter pelo menos 80 mil frascos


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

22/01/2021 | 00:01


As 39,3 mil doses da Coronavac enviadas pelo governo do Estado ao Grande ABC vão cobrir apenas 38% do público-alvo da primeira fase da campanha de vacinação contra a Covid, ou seja, profissionais da saúde – que atendem às redes pública e privada nas sete cidades –, idosos residentes das Ilpis (Instituições de Longa Permanência), indígenas, quilombolas e deficientes acamados. Segundo dados enviados pelas prefeituras ao Diário, seriam necessárias cerca de 80 mil frações do imunizante para que a primeira dose fosse feita (confira números na arte acima) – apenas Mauá não respondeu aos questionamentos.

Secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Acácio Miranda destaca que as doses vieram “realmente muito abaixo do esperado” e, diante disso, o colegiado enviou ofício ao governo do Estado para checar quais foram os critérios da divisão das doses por município. “Esperávamos que fôssemos receber pelo menos 90 mil doses, o que era nossa expectativa para contemplar todos os profissionais da saúde e demais pessoas que compõem esse primeiro grupo da vacinação. Depois do questionamento ao Estado, ainda não recebemos nenhuma resposta”, comenta o secretário executivo.

O Consórcio quer saber do Estado um prazo para o envio do segundo lote das vacinas para reforçar a primeira imunização, já que todas as doses iniciais serão aplicadas e as sete cidades aguardam pelo menos a mesma quantidade para o reforço daqui a 21 dias.

A esperança é pela liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de 4,8 milhões de doses da Coronavac. A agência deve responder hoje ao pedido de uso emergencial feito pelo Butantan. Além disso, o instituto paulista ainda depende da liberação do governo chinês para importar os insumos necessários para a produção de mais vacinas em solo brasileiro. “Lembrando que essas 4,8 milhões de doses serão distribuídas para todo País, mas esperamos que a quantidade do reforço venha na mesma proporção para o Grande ABC”, completa Acácio.

De acordo com o prefeito de Santo André e presidente do Consórcio, Paulo Serra (PSDB), as cidades devem finalizar a vacinação no início da próxima semana, com as 39,3 mil doses já aplicadas. “Até porque não dá para uma cidade isoladamente imunizar a população se uma cidade vizinha não fizer o mesmo. (Para o próximo lote) o Estado deve ter algo em torno de 1 milhão de vacinas e a nossa região deve ser ser contemplada com mais 30 mil doses. Existe possibilidade bastante efetiva de receber novo lote na próxima semana a partir dessa liberação da Anvisa”, detalha.

Paulo Serra lamentou que a região não vai conseguir imunizar todo o público-alvo. “Essa quantidade inicial (de vacinas) vai chegar (em termos de cobertura) de 40% a 50% do total nas cidades do Grande ABC. Vamos precisar finalizar esse primeiro passo (com o grupo prioritário)”, finalizou o chefe do Executivo andreense.

Especialista aconselha guardar parte do estoque para 2ª dose

Com doses insuficientes da vacina para cobrir o público-alvo da primeira fase da campanha, as cidades do Grande ABC podem utilizar o segundo lote que será enviado pelo Estado para proteger a parcela que falta. O risco, neste caso, é não ter imunizante para a segunda dose, prevista para ser aplicada 21 dias depois da primeira.

O médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Gonzalo Vecina Neto destaca que ainda não se sabe os efeitos que apenas uma dose pode causar na população e recomenda que as cidades apliquem as duas doses antes de ampliar a campanha. “Acredito que o ideal seria utilizar metade da quantidade recebida nesta fase inicial da vacinação e guardar a outra metade para a segunda dose. Acho que é perigoso distribuir, de imediato, todas as doses recebidas e deixar em aberto, dependendo de novas distribuições, para fazer o reforço”, detalha Vecina.

Segundo o médico, o tempo entre uma dose e outra é desejável que seja de até 28 dias, depois disso “ainda não se sabe o que acontece”, ressalta o especialista. “A única certeza que temos no momento é a de que a Coronavac precisa das duas doses para ter eficácia de 50,38%”, completa Vecina.

Diante das incertezas, o médico aconselha a trabalhar com os estoques já recebidos. “Em breve haverá a liberação de novas doses, não tem motivo para que não autorizem e, diante disso, seguirá com as imunizações. O que não podemos fazer é perder a capacidade de controlar o que temos, ou seja, duas doses agora”, finaliza.

Em nota, o Instituto Butantan lembra que os estudos clínicos de fase 3 da vacina foram realizados baseados na aplicação de duas doses do imunizante e não aconselha o adiamento da segunda dose. “O esquema de imunização é de duas doses de 0,5 ml, com intervalo de duas a quatro semanas entre elas”, ressalta o Butantan.

EXPLICAÇÃO
A Secretaria de Saúde do Estado informou que usou como referência o número de pessoas imunizadas contra a gripe em 2020, indicado pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) para definir a distribuição das doses para os municípios. “Novas remessas serão destinadas às prefeituras à medida em que o Ministério da Saúde viabilizar mais doses, o que permitirá também a expansão de públicos-alvo e a imunização da totalidade dos profissionais de saúde”, reforça. “É importante ressaltar que a falta de agilidade na disponibilização de vacinas por parte do Ministério da Saúde obriga os Estados a programarem remessas fracionadas até que venham novos lotes”, finalizam.  



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Lote inicial vai imunizar 38% do público-alvo na primeira fase

Região recebeu menos da metade da Coronavac necessária; expectativa era ter pelo menos 80 mil frascos

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

22/01/2021 | 00:01


As 39,3 mil doses da Coronavac enviadas pelo governo do Estado ao Grande ABC vão cobrir apenas 38% do público-alvo da primeira fase da campanha de vacinação contra a Covid, ou seja, profissionais da saúde – que atendem às redes pública e privada nas sete cidades –, idosos residentes das Ilpis (Instituições de Longa Permanência), indígenas, quilombolas e deficientes acamados. Segundo dados enviados pelas prefeituras ao Diário, seriam necessárias cerca de 80 mil frações do imunizante para que a primeira dose fosse feita (confira números na arte acima) – apenas Mauá não respondeu aos questionamentos.

Secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Acácio Miranda destaca que as doses vieram “realmente muito abaixo do esperado” e, diante disso, o colegiado enviou ofício ao governo do Estado para checar quais foram os critérios da divisão das doses por município. “Esperávamos que fôssemos receber pelo menos 90 mil doses, o que era nossa expectativa para contemplar todos os profissionais da saúde e demais pessoas que compõem esse primeiro grupo da vacinação. Depois do questionamento ao Estado, ainda não recebemos nenhuma resposta”, comenta o secretário executivo.

O Consórcio quer saber do Estado um prazo para o envio do segundo lote das vacinas para reforçar a primeira imunização, já que todas as doses iniciais serão aplicadas e as sete cidades aguardam pelo menos a mesma quantidade para o reforço daqui a 21 dias.

A esperança é pela liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de 4,8 milhões de doses da Coronavac. A agência deve responder hoje ao pedido de uso emergencial feito pelo Butantan. Além disso, o instituto paulista ainda depende da liberação do governo chinês para importar os insumos necessários para a produção de mais vacinas em solo brasileiro. “Lembrando que essas 4,8 milhões de doses serão distribuídas para todo País, mas esperamos que a quantidade do reforço venha na mesma proporção para o Grande ABC”, completa Acácio.

De acordo com o prefeito de Santo André e presidente do Consórcio, Paulo Serra (PSDB), as cidades devem finalizar a vacinação no início da próxima semana, com as 39,3 mil doses já aplicadas. “Até porque não dá para uma cidade isoladamente imunizar a população se uma cidade vizinha não fizer o mesmo. (Para o próximo lote) o Estado deve ter algo em torno de 1 milhão de vacinas e a nossa região deve ser ser contemplada com mais 30 mil doses. Existe possibilidade bastante efetiva de receber novo lote na próxima semana a partir dessa liberação da Anvisa”, detalha.

Paulo Serra lamentou que a região não vai conseguir imunizar todo o público-alvo. “Essa quantidade inicial (de vacinas) vai chegar (em termos de cobertura) de 40% a 50% do total nas cidades do Grande ABC. Vamos precisar finalizar esse primeiro passo (com o grupo prioritário)”, finalizou o chefe do Executivo andreense.

Especialista aconselha guardar parte do estoque para 2ª dose

Com doses insuficientes da vacina para cobrir o público-alvo da primeira fase da campanha, as cidades do Grande ABC podem utilizar o segundo lote que será enviado pelo Estado para proteger a parcela que falta. O risco, neste caso, é não ter imunizante para a segunda dose, prevista para ser aplicada 21 dias depois da primeira.

O médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Gonzalo Vecina Neto destaca que ainda não se sabe os efeitos que apenas uma dose pode causar na população e recomenda que as cidades apliquem as duas doses antes de ampliar a campanha. “Acredito que o ideal seria utilizar metade da quantidade recebida nesta fase inicial da vacinação e guardar a outra metade para a segunda dose. Acho que é perigoso distribuir, de imediato, todas as doses recebidas e deixar em aberto, dependendo de novas distribuições, para fazer o reforço”, detalha Vecina.

Segundo o médico, o tempo entre uma dose e outra é desejável que seja de até 28 dias, depois disso “ainda não se sabe o que acontece”, ressalta o especialista. “A única certeza que temos no momento é a de que a Coronavac precisa das duas doses para ter eficácia de 50,38%”, completa Vecina.

Diante das incertezas, o médico aconselha a trabalhar com os estoques já recebidos. “Em breve haverá a liberação de novas doses, não tem motivo para que não autorizem e, diante disso, seguirá com as imunizações. O que não podemos fazer é perder a capacidade de controlar o que temos, ou seja, duas doses agora”, finaliza.

Em nota, o Instituto Butantan lembra que os estudos clínicos de fase 3 da vacina foram realizados baseados na aplicação de duas doses do imunizante e não aconselha o adiamento da segunda dose. “O esquema de imunização é de duas doses de 0,5 ml, com intervalo de duas a quatro semanas entre elas”, ressalta o Butantan.

EXPLICAÇÃO
A Secretaria de Saúde do Estado informou que usou como referência o número de pessoas imunizadas contra a gripe em 2020, indicado pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) para definir a distribuição das doses para os municípios. “Novas remessas serão destinadas às prefeituras à medida em que o Ministério da Saúde viabilizar mais doses, o que permitirá também a expansão de públicos-alvo e a imunização da totalidade dos profissionais de saúde”, reforça. “É importante ressaltar que a falta de agilidade na disponibilização de vacinas por parte do Ministério da Saúde obriga os Estados a programarem remessas fracionadas até que venham novos lotes”, finalizam.  

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