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Seca e quarentena agravam volume de água dos mananciais

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sistemas Rio Grande, Rio Claro e Cantareira, que abastecem o Grande ABC, têm níveis menores do que os registrados há um ano


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

06/08/2020 | 00:01


A escassez de chuva e a quarentena imposta pelo novo coronavírus pioraram o volume dos mananciais. Exemplo é o sistema Rio Grande, braço da Represa Billings responsável pelo abastecimento de pelo menos 1,2 milhão de moradores de Santo André, São Bernardo e Diadema, que tinha 72,3% da área preenchida na segunda-feira e, há um ano, estava com 99%. O nível do manancial está decrescendo desde abril, quando o registro estava acima da capacidade e foi de 103,6% para 87,3% em um mês.

No Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de pessoas em Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, o nível está em 58,9% neste mês ante 103,5% em 2019. Já na Cantareira, que supre São Caetano, o percentual é de 51,8% e, em agosto do ano passado, era de 53,7%. As informações são da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) – veja mais detalhes na arte ao lado.

“Estamos em período bem seco e muita gente está em casa por causa do isolamento, o que acaba aumentando o uso de água”, afirmou Marta Marcondes, bióloga coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). “Neste ano não tivemos um bom período de chuva e esta época costuma ser mais seca, mas como não temos planejamento para evitar o desabastecimento, podemos ter problemas”, completou.

Segundo a especialista, um agravante é que o desmatamento de vegetação nativa está crescendo todos os anos. “Infelizmente, se não pensarmos urgentemente, não para daqui alguns anos, mas para agora, sobre políticas para manutenção de áreas verdes, sofreremos ainda mais consequências no futuro”, apontou.  “Vemos empreendimentos da construção civil avançando a passos largos em áreas verdes”, lamentou Marta.

Exemplos disso não faltam. O Diário mostrou quarta-feira que em São Bernardo a Prefeitura autorizou por meio da Defesa Civil a retirada de 26 árvores de terreno localizado na Avenida dos Alvarenga, 4.150, na região do Grande Alvarenga, em área de manancial. A obra é da empresa OAC Participações, que tem o prefeito Orlando Morando (PSDB) como sócio, e não tem alvará para movimentação de terra e construção, por isso foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente. Também em São Bernardo, o MP (Ministério Público) pediu o embargo de obra do Grupo Bem Barato no terreno da antiga Fiação e Tecelagem Tognato. A alegação é a de que a Prefeitura não consultou o CMMA (Conselho Municipal do Meio Ambiente), e que, dessa forma, não haveria licenciamento ambiental dando resguardo ao início da construção, que exigiu a supressão de densa vegetação. A Justiça ainda não emitiu parecer sobre o caso.

Marta avalia que a pandemia foi oportunidade para as pessoas ‘passarem por cima’ das leis ambientais e emissões de licenças, por exemplo. Inclusive, a docente fez alusão à fala do chefe do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial, cujo vídeo se tornou público em 22 de maio. Na ocasião, o ministro sugeriu para aproveitar que as atenções da imprensa e da sociedade estavam dedicadas à Covid-19 para “passar a boiada” e simplificar normas ambientais.

QUALIDADE DA ÁGUA
Conforme publicado pelo Diário em julho, estudo do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS indicou que a qualidade da água da Represa Billings melhorou em razão do isolamento físico, uma vez que nos braços onde o lazer era comum, a exemplo do Taquacetuba, Rio Grande, Rio Pequeno, Capivari e Pedra Branca, ficaram esvaziados desde o início da quarentena.

“A qualidade de água estava boa, segundo o IQA (Índice de Qualidade de Água) nestes trechos. Em 2019, fizemos coletas de amostras e análises na mesma época e agora, neste ano, a qualidade estava melhor nos mesmos pontos analisados, mesmo com o nível do reservatório mais baixo”, explicou Marta, à época. Entretanto, a tendência é que a flexibilização das atividades agrave a poluição no manancial. 



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Seca e quarentena agravam volume de água dos mananciais

Sistemas Rio Grande, Rio Claro e Cantareira, que abastecem o Grande ABC, têm níveis menores do que os registrados há um ano

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

06/08/2020 | 00:01


A escassez de chuva e a quarentena imposta pelo novo coronavírus pioraram o volume dos mananciais. Exemplo é o sistema Rio Grande, braço da Represa Billings responsável pelo abastecimento de pelo menos 1,2 milhão de moradores de Santo André, São Bernardo e Diadema, que tinha 72,3% da área preenchida na segunda-feira e, há um ano, estava com 99%. O nível do manancial está decrescendo desde abril, quando o registro estava acima da capacidade e foi de 103,6% para 87,3% em um mês.

No Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de pessoas em Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, o nível está em 58,9% neste mês ante 103,5% em 2019. Já na Cantareira, que supre São Caetano, o percentual é de 51,8% e, em agosto do ano passado, era de 53,7%. As informações são da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) – veja mais detalhes na arte ao lado.

“Estamos em período bem seco e muita gente está em casa por causa do isolamento, o que acaba aumentando o uso de água”, afirmou Marta Marcondes, bióloga coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). “Neste ano não tivemos um bom período de chuva e esta época costuma ser mais seca, mas como não temos planejamento para evitar o desabastecimento, podemos ter problemas”, completou.

Segundo a especialista, um agravante é que o desmatamento de vegetação nativa está crescendo todos os anos. “Infelizmente, se não pensarmos urgentemente, não para daqui alguns anos, mas para agora, sobre políticas para manutenção de áreas verdes, sofreremos ainda mais consequências no futuro”, apontou.  “Vemos empreendimentos da construção civil avançando a passos largos em áreas verdes”, lamentou Marta.

Exemplos disso não faltam. O Diário mostrou quarta-feira que em São Bernardo a Prefeitura autorizou por meio da Defesa Civil a retirada de 26 árvores de terreno localizado na Avenida dos Alvarenga, 4.150, na região do Grande Alvarenga, em área de manancial. A obra é da empresa OAC Participações, que tem o prefeito Orlando Morando (PSDB) como sócio, e não tem alvará para movimentação de terra e construção, por isso foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente. Também em São Bernardo, o MP (Ministério Público) pediu o embargo de obra do Grupo Bem Barato no terreno da antiga Fiação e Tecelagem Tognato. A alegação é a de que a Prefeitura não consultou o CMMA (Conselho Municipal do Meio Ambiente), e que, dessa forma, não haveria licenciamento ambiental dando resguardo ao início da construção, que exigiu a supressão de densa vegetação. A Justiça ainda não emitiu parecer sobre o caso.

Marta avalia que a pandemia foi oportunidade para as pessoas ‘passarem por cima’ das leis ambientais e emissões de licenças, por exemplo. Inclusive, a docente fez alusão à fala do chefe do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial, cujo vídeo se tornou público em 22 de maio. Na ocasião, o ministro sugeriu para aproveitar que as atenções da imprensa e da sociedade estavam dedicadas à Covid-19 para “passar a boiada” e simplificar normas ambientais.

QUALIDADE DA ÁGUA
Conforme publicado pelo Diário em julho, estudo do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS indicou que a qualidade da água da Represa Billings melhorou em razão do isolamento físico, uma vez que nos braços onde o lazer era comum, a exemplo do Taquacetuba, Rio Grande, Rio Pequeno, Capivari e Pedra Branca, ficaram esvaziados desde o início da quarentena.

“A qualidade de água estava boa, segundo o IQA (Índice de Qualidade de Água) nestes trechos. Em 2019, fizemos coletas de amostras e análises na mesma época e agora, neste ano, a qualidade estava melhor nos mesmos pontos analisados, mesmo com o nível do reservatório mais baixo”, explicou Marta, à época. Entretanto, a tendência é que a flexibilização das atividades agrave a poluição no manancial. 

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