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Estado refuta plano de reabertura do comércio

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A prefeitos, secretário estadual nega flexibilização, barrando volta gradual sugerida por entidades


Yara Ferraz

28/04/2020 | 00:06


Prefeitos do Grande ABC receberam informação do secretário do Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi (PSDB), que o governo paulista não aceitará nenhuma medida de relaxamento das regras de quarentena imposta em São Paulo antes do dia 10 de maio, quando vence o decreto estabelecendo fechamento de atividades não essenciais.

Via Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, os chefes do Executivo estavam dispostos até a assinar documento redigido por entidades e associações comerciais da região sugerindo reabertura gradual de lojas – inclusive, com horários e dias escalonados. Diante do cenário, externado por Vinholi em reunião on-line na sexta-feira, essa carta sequer foi enviada formalmente ao governo do Estado.

O panorama foi tema de conversa na assembleia virtual dos prefeitos ontem pela manhã. O presidente da entidade e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (Cidadania), informou que na quinta-feira está marcada uma reunião com o governador João Doria (PSDB) para debate de medidas de regresso das atividades econômicas.

“Vamos discutir a possibilidade de o setor retomar as atividades de forma unificada entre as cidades e tomando todos os cuidados recomendados e necessários para que não haja risco à saúde das pessoas”, comentou o presidente do Consórcio.

Na semana passada, ele ouviu de representantes de associações comerciais e demais entidades que é possível reabrir lojas, respeitando os cuidados de higiene, antes do dia 10 de maio, o Dia das Mães – uma das principais datas do comércio nacional. “Tudo precisa ser bem analisado porque estamos em uma fase preocupante. O cuidado como o comércio poderá reabrir para que não coloque em risco, principalmente, as pessoas da periferia, que têm maiores riscos de terem problemas respiratórios”, discorreu Maranhão.

Diante do impasse, as entidades que representam setores comerciais da região disseram ao Diário que as expectativas são muito baixas sobre a possibilidade de retomada antes do Dia das Mães.

Para o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, o setor já esperava que a abertura do comércio na região fosse barrada a pedido do Ministério Público – em Diadema, decreto flexibilizando a atividade econômica foi invalidado pela Justiça em ação movida pela promotoria local. “No entanto, ainda acreditamos em uma reabertura gradual, segura e responsável. A economia e a saúde devem andar juntas, afinal de contas, a região terá mais falidos do que falecidos. Não estou dizendo que a saúde não tenha que vir primeiro, mas se reabrirmos tudo com a devida cautela e levando em conta os protocolos da OMS (Organização Mundial da Saúde) não vejo o porque não abrir.”

Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, declarou que não há lado certo ou errado nessa discussão, mas, sim, “apostas” sobre o futuro. “Já se sabe que, com a quarentena, 46% das famílias da região tiveram a renda comprometida. Nesse caso, reabrir o comércio será o que dará a essas pessoas possibilidade de consumir? É claro que o comércio é afetado por estar na ponta na relação com o cliente, mas as indústrias e empresas de serviços, por exemplo, também precisariam voltar. Que há impacto social, não há questionamentos, no entanto, o número de mortes também atinge a economia. Por isso que acho que são apostas.” Segundo o economista, já se prevê alta de 2,5 pontos percentuais no desemprego da região nos primeiros dias de abril.

Lojas em Sto.André descumprem quarentena

Lojas que não prestam serviço essencial localizadas na principal região comercial de Santo André, o calçadão da Rua Coronel Oliveira Lima e suas adjacências, desrespeitaram os decretos estadual e municipal para impedimento de funcionamento.

Ontem, a equipe do Diário percorreu os comércios da região e constatou que alguns estabelecimentos de venda de roupas e de celulares estavam abertos – alguns à meia porta, na tentativa de driblar a fiscalização. Havia até fila de pessoas à espera de atendimento.

Na loja de departamento Torra Torra, havia uma atendente do lado de fora para recepcionar clientes. Segundo comunicado, o atendimento era restrito a quem quisesse pagar faturas do cartão do estabelecimento. Na Marisa, uma pequena porta estava aberta e um recado colado na entrada trazia a mesma informação da concorrente: acolheriam apenas demandas de quitação de faturas em aberto. Nenhuma das redes respondeu aos contatos da equipe do Diário para explicar a situação.

Mas em uma loja de venda de acessórios de celular, cinco pessoas estavam em uma fila à espera de atendimento. Algumas trajavam máscaras, outras, não. Todas estavam a menos de um metro de distância, contrariando recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar a disseminação da Covid-19.

Na Marabraz, o portão estava entreaberto. Segundo a empresa, “o fato ocorrido foi pontual e isolado e não condiz com as práticas adotadas desde o início da pandemia de fechamento total de suas lojas”. “Ao tomar conhecimento do ocorrido, prontamente advertiu a equipe e reforçou o cumprimento das determinações da Prefeitura de Santo André e dos demais órgãos competentes. (A empresa) Reitera ainda que segue acatando as orientações dos órgãos de saúde para impedir a proliferação do coronavírus e reforça o seu compromisso com a segurança e saúde dos seus colaboradores e clientes.”

A Prefeitura de Santo André informou que já promoveu mais de 20 operações de fiscalização que abrangem todos os bairros, inclusive núcleos habitacionais. “As ações ocorrem tanto no período diurno como noturno com equipes do Departamento de Controle Urbano, Fiscalização Ambiental do Semasa, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar.As medidas aplicadas para os descumpridores dos decretos municipal e estadual são orientações verbais, notificações por escrito, multas, interdições, cassação de alvará e condução ao distrito policial.”

Ainda segundo a administração andreense, desde o início do decreto já foram emitidas mais de 400 notificações de caráter orientativo e punitivo – do total, 12 foram interditados por serem reincidentes ou por haver aglomeração. Caso algum munícipe identifique algum descumpridor, a reclamação pode ser enviada pela plataforma do aplicativo Colab ou ainda pelo telefone 0800 019 19 44.  



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Estado refuta plano de reabertura do comércio

A prefeitos, secretário estadual nega flexibilização, barrando volta gradual sugerida por entidades

Yara Ferraz

28/04/2020 | 00:06


Prefeitos do Grande ABC receberam informação do secretário do Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi (PSDB), que o governo paulista não aceitará nenhuma medida de relaxamento das regras de quarentena imposta em São Paulo antes do dia 10 de maio, quando vence o decreto estabelecendo fechamento de atividades não essenciais.

Via Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, os chefes do Executivo estavam dispostos até a assinar documento redigido por entidades e associações comerciais da região sugerindo reabertura gradual de lojas – inclusive, com horários e dias escalonados. Diante do cenário, externado por Vinholi em reunião on-line na sexta-feira, essa carta sequer foi enviada formalmente ao governo do Estado.

O panorama foi tema de conversa na assembleia virtual dos prefeitos ontem pela manhã. O presidente da entidade e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (Cidadania), informou que na quinta-feira está marcada uma reunião com o governador João Doria (PSDB) para debate de medidas de regresso das atividades econômicas.

“Vamos discutir a possibilidade de o setor retomar as atividades de forma unificada entre as cidades e tomando todos os cuidados recomendados e necessários para que não haja risco à saúde das pessoas”, comentou o presidente do Consórcio.

Na semana passada, ele ouviu de representantes de associações comerciais e demais entidades que é possível reabrir lojas, respeitando os cuidados de higiene, antes do dia 10 de maio, o Dia das Mães – uma das principais datas do comércio nacional. “Tudo precisa ser bem analisado porque estamos em uma fase preocupante. O cuidado como o comércio poderá reabrir para que não coloque em risco, principalmente, as pessoas da periferia, que têm maiores riscos de terem problemas respiratórios”, discorreu Maranhão.

Diante do impasse, as entidades que representam setores comerciais da região disseram ao Diário que as expectativas são muito baixas sobre a possibilidade de retomada antes do Dia das Mães.

Para o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, o setor já esperava que a abertura do comércio na região fosse barrada a pedido do Ministério Público – em Diadema, decreto flexibilizando a atividade econômica foi invalidado pela Justiça em ação movida pela promotoria local. “No entanto, ainda acreditamos em uma reabertura gradual, segura e responsável. A economia e a saúde devem andar juntas, afinal de contas, a região terá mais falidos do que falecidos. Não estou dizendo que a saúde não tenha que vir primeiro, mas se reabrirmos tudo com a devida cautela e levando em conta os protocolos da OMS (Organização Mundial da Saúde) não vejo o porque não abrir.”

Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, declarou que não há lado certo ou errado nessa discussão, mas, sim, “apostas” sobre o futuro. “Já se sabe que, com a quarentena, 46% das famílias da região tiveram a renda comprometida. Nesse caso, reabrir o comércio será o que dará a essas pessoas possibilidade de consumir? É claro que o comércio é afetado por estar na ponta na relação com o cliente, mas as indústrias e empresas de serviços, por exemplo, também precisariam voltar. Que há impacto social, não há questionamentos, no entanto, o número de mortes também atinge a economia. Por isso que acho que são apostas.” Segundo o economista, já se prevê alta de 2,5 pontos percentuais no desemprego da região nos primeiros dias de abril.

Lojas em Sto.André descumprem quarentena

Lojas que não prestam serviço essencial localizadas na principal região comercial de Santo André, o calçadão da Rua Coronel Oliveira Lima e suas adjacências, desrespeitaram os decretos estadual e municipal para impedimento de funcionamento.

Ontem, a equipe do Diário percorreu os comércios da região e constatou que alguns estabelecimentos de venda de roupas e de celulares estavam abertos – alguns à meia porta, na tentativa de driblar a fiscalização. Havia até fila de pessoas à espera de atendimento.

Na loja de departamento Torra Torra, havia uma atendente do lado de fora para recepcionar clientes. Segundo comunicado, o atendimento era restrito a quem quisesse pagar faturas do cartão do estabelecimento. Na Marisa, uma pequena porta estava aberta e um recado colado na entrada trazia a mesma informação da concorrente: acolheriam apenas demandas de quitação de faturas em aberto. Nenhuma das redes respondeu aos contatos da equipe do Diário para explicar a situação.

Mas em uma loja de venda de acessórios de celular, cinco pessoas estavam em uma fila à espera de atendimento. Algumas trajavam máscaras, outras, não. Todas estavam a menos de um metro de distância, contrariando recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar a disseminação da Covid-19.

Na Marabraz, o portão estava entreaberto. Segundo a empresa, “o fato ocorrido foi pontual e isolado e não condiz com as práticas adotadas desde o início da pandemia de fechamento total de suas lojas”. “Ao tomar conhecimento do ocorrido, prontamente advertiu a equipe e reforçou o cumprimento das determinações da Prefeitura de Santo André e dos demais órgãos competentes. (A empresa) Reitera ainda que segue acatando as orientações dos órgãos de saúde para impedir a proliferação do coronavírus e reforça o seu compromisso com a segurança e saúde dos seus colaboradores e clientes.”

A Prefeitura de Santo André informou que já promoveu mais de 20 operações de fiscalização que abrangem todos os bairros, inclusive núcleos habitacionais. “As ações ocorrem tanto no período diurno como noturno com equipes do Departamento de Controle Urbano, Fiscalização Ambiental do Semasa, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar.As medidas aplicadas para os descumpridores dos decretos municipal e estadual são orientações verbais, notificações por escrito, multas, interdições, cassação de alvará e condução ao distrito policial.”

Ainda segundo a administração andreense, desde o início do decreto já foram emitidas mais de 400 notificações de caráter orientativo e punitivo – do total, 12 foram interditados por serem reincidentes ou por haver aglomeração. Caso algum munícipe identifique algum descumpridor, a reclamação pode ser enviada pela plataforma do aplicativo Colab ou ainda pelo telefone 0800 019 19 44.  

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