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Desmate em área de conservação avança 312% no Brasil

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17/06/2021 | 08:01


O índice de desmatamento verificado em unidades de conservação federal aumentou 312% em maio deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. As florestas protegidas, que são fiscalizadas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), registraram 11.296 hectares de desmatamento, número bem superior ao de maio de 2020, quando 2.741 hectares de florestas foram perdidos.

O Estadão teve acesso a informações atualizadas do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento. Os números se referem à devastação registrada especificamente em unidades de conservação.

O desmatamento acumulado também aponta que o País caminha para um novo recorde. As medições oficiais são feitas de agosto de um ano até julho do ano seguinte. Entre agosto de 2020 e maio de 2021, essas unidades somaram 33.820 hectares de mata devastada. É um volume 40% superior ao período entre agosto de 2019 e maio de 2020, de 24.165 hectares.

Esses aumentos revelam o avanço dos crimes sobre as unidades de conservação, que são as áreas da floresta que ainda abrigam a maior parte das madeiras nobres. A mesma situação ocorre nas terras indígenas.

Na semana passada, o governo autorizou uma nova operação militar na Amazônia liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão. As ações vão se concentrar em locais com os mais altos índices de queimadas e desmatamento. Nessa lista estão 11 municípios prioritários. No Pará, ela inclui São Félix do Xingu, Altamira, Novo Progresso, Pacajá, Portel, Itaituba e Rurópolis. No Amazonas, Apuí e Lábrea. No Mato Grosso, a região de Colniza. Em Rondônia, Porto Velho.

Sem servidores

As unidades de conservação correspondem a cerca de 18% da área continental e mais de 26% da zona costeira e marinha. No Brasil, existem 334 unidades de conservação federais. O ICMBio teve seu orçamento muito reduzido pelo governo Bolsonaro. Em 2014, ele contava com 1.851 servidores efetivos. Em 2019, eram 1.589. No mesmo período, o número de prestadores de serviços, terceirizados, caiu de 2.332 para 1.659. Atualmente, há mais de 1.300 cargos vagos. A tendência é de piora, pelas aposentadorias e a não autorização de concursos públicos. Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio não se manifestaram sobre os números até as 19 horas de ontem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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