Economia

Dólar tem sinais mistos no otimismo com fluxo de cessão onerosa e cautela externa


O mercado de câmbio está sem direção única nesta quarta-feira, 16. O dólar à vista segue em alta e o dólar para novembro mostra leve baixa. Investidores ajustam posições cambiais após o dólar novembro ter subido bem mais na terça-feira, 15, para R$ 4,1850 no fim da sessão estendida, depois do dólar à vista terminado a sessão regular em R$ 4,1641.

A ligeira queda no mercado futuro responde à perspectiva de ingresso de fluxo estrangeiro para o megaleilão da cessão onerosa, marcado para 6 de novembro, após a aprovação do projeto que divide os recursos do petróleo com Estados e municípios, no plenário do Senado, segundo operador de câmbio.

O leilão do excedente de petróleo da chamada cessão onerosa tem previsão de arrecadar R$ 106,6 bilhões. O texto da cessão onerosa segue agora para sanção presidencial e deve destravar também a conclusão da reforma da Previdência, prevista para terça-feira que vem, dia 22.

Uma realização mais forte no dólar futuro é contida pela cautela predominante no exterior em relação à saúde da economia global. Mais cedo, as informações eram contraditórias sobre um acordo do Brexit. Além disso, em relação ao comércio, há dúvidas sobre a capacidade de China e EUA de seguirem adiante com um acordo comercial preliminar anunciado no fim da semana passada, em Washington.

O Ministério de Relações Exteriores chinês ameaçou nesta quarta-feira retaliar os EUA se um projeto aprovado na terça-feira pela Câmara dos Representantes americana em defesa dos manifestantes em Hong Kong se tornar lei no país.

A crise no PSL, que ainda é o partido do presidente Jair Bolsonaro, segue no radar. Agora, as atenções estarão sobre os desdobramentos da denúncia de um ex-assessor parlamentar do deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP), conhecido como "Carteiro Reaça", que está acusando o político de praticar o esquema de "rachadinha" em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo. O suposto esquema lembra o caso Queiroz, ex-assessor do ex-deputado estadual do Rio e atual senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Durante a sessão, a perspectiva do megaleilão do petróleo do pré-sal se soma à queda do diferencial de juros local e no exterior, podendo voltar a afetar a demanda nos leilão de dólar à vista do Banco Central. A conferir.

Nos últimos dois dias, a autoridade monetária vendeu apenas US$ 100 milhões em cada leilão no mercado à vista, ante oferta de US$ 525 milhões, e cuja diferença acabou sendo rolada via contratos de swap tradicional. Operadores de câmbio dizem que com as saídas persistentes de fundos de investimentos estrangeiros do mercado local, por causa entre outros fatores de dificuldades desses fundos no exterior, a demanda maior à vista é por dólares em espécie, e não por operações conjugadas de venda de moeda à vista com ofertas de swap reverso e swap tradicional, para rolagem de vencimento de swap de dezembro.

Às 9h28 desta quarta-feira, o dólar à vista subia 0,23%, a R$ 4,1736. O dólar futuro de novembro recuava 0,16%, a R$ 4,1780.

Mais cedo o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, desistiu de ir aos Estados Unidos para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), que ocorre nesta semana em Washington. De acordo com interlocutores do ministro, ele preferiu ficar em Brasília para cuidar do que tem sido chamado na pasta de "agenda de transformação do Estado".

Os investidores também monitoraram o IGP-10 de outubro. O Índice Geral de Preços - 10 subiu 0,77% em outubro, após ter recuado 0,29% em setembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado superou a mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, calculada em 0,74%. As previsões iam de 0,61% a 0,90%. O IGP-10 acumulou um aumento de 4,42% no ano. A taxa em 12 meses ficou positiva em 2,97%.

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