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Da feira à loja em shopping center


Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

06/08/2006 | 09:00


A informalidade é a opção quase sempre encontrada pelo brasileiro diante da concorrência cada vez mais acirrada no mercado de trabalho. Com a técnica em patologia clínica Vanessa Ribeiro Clemente, de Ribeirão Pires, não foi diferente. Recém-casada em 1997, ela não conseguia encontrar emprego em sua área de atuação. Então, Vanessa arregaçou as mangas e foi à luta. Primeiro trabalhou em uma barraca de bijuterias na Feira do Artesanato. Depois, com a parceria da mãe, Tereza de Jesus, montou a própria banca, de bolos e tortas. Hoje, quase dez anos depois, mãe e filha têm uma doceria famosa na cidade, a Barraca da Tereza, e uma segunda unidade no Mauá Plaza Shopping.

A nova vocação surgiu quase por acaso. Enquanto vendia bijuterias, Vanessa percebeu que a feirinha tinha apenas uma banca de alimentos, que abria só no fim de semana. Então, ela decidiu abrir outra, de doces. Vanessa lembra como se fosse hoje: “Tínhamos uma barraca velha, que minha mãe utilizou para vender flores, e montamos na feira. No primeiro dia, minha mãe levou um bolo de morango, outro de brigadeiro, uma torta de frango e um galão de chá. Em poucas horas, ela vendeu tudo. Faturou R$ 15 naquele dia”, conta.

Mais alguns dias e as vendas embalaram. Filas se formavam em frente à barraca. Foi então que Vanessa decidiu abandonar a banca de bijuterias e passou a trabalhar com Tereza no negócio novo. “As vendas cresceram e minha mãe não tinha mais tempo para fazer os bolos e vendê-los. Aí, decidi ajudá-la. Ela fazia os bolos em casa e eu os vendia na feira”, recorda-se.

Embora Vanessa seja um caso típico de empreendedora por necessidade, sua vocação nasceu antes disso. “Sempre gostei de trabalhar. Nunca ficava parada. Antes, eu era costureira, fazia lingerie e, em vez de comercializá-las, vendia cartelas de bingo e as sorteava. Para atrair as mulheres, eu oferecia bolos e tortas durante os eventos. Lucrava R$ 200 em cada rodada”, lembra. Os doces, ela fazia por diversão. “Procurava as receitas na internet”, diz.

Com o sucesso do negócio, Vanessa e Tereza compraram uma barraca melhor, à prestação. Também começaram a abrir a banca durante a semana. Foi aí que mãe e filha resolveram dar o grande salto do empreendimento: inaugurar uma loja. A doceria, batizada de Barraca da Tereza, consumiu investimentos de R$ 10 mil, utilizados na confecção de vitrines e na aquisição de equipamentos.

Vanessa e Tereza inauguraram a loja em 2002, no Centro de Ribeirão. O novo local, felizmente, só fez aumentar as vendas. “Nós não conseguíamos dar conta da demanda. Aí tivemos a idéia de abrir uma cozinha industrial, para abastecer a doceria”, conta Vanessa. As empresárias procuraram o Sebrae, que sugeriu a elas que fizessem um empréstimo. “Mas já tínhamos comprado os equipamentos. Ficamos endividadas outra vez”, recorda-se. A cozinha, localizada nas proximidades da loja, foi aberta meses depois.

Expansão – A última aposta de Vanessa e Tereza foi feita no ano seguinte. Mãe e filha passeavam no Mauá Plaza Shopping quando observaram que havia um espaço disponível junto ao cinema. “Por curiosidade, perguntamos à administração do shopping quanto custava o aluguel. Era muito caro mas, mesmo assim, resolvemos arriscar”, diz. Vanessa fez um plano de negócios, contraiu um novo empréstimo, desta vez de R$ 83 mil, e abriu a segunda unidade.

Os negócios vão bem, obrigado. Só na loja de Ribeirão Pires, são vendidos cerca de 20 bolos por dia, número que sobe para 40 nos finais de semana, sem contar as encomendas de salgados e bolos para festa. Já a loja de Mauá vende outros 20 bolos por dia. “Em Ribeirão Pires, temos uma clientela cativa, que nos acompanha há muito tempo e procura a loja para encomendar produtos para festas. Em Mauá, vende-se muito no balcão”, revela a empresária, que emprega 12 pessoas em Ribeirão (sendo oito na cozinha industrial) e oito em Mauá.

Vanessa não se sente incomodada em não ter exercido a profissão na qual se formou. “Estava desempregada mas, felizmente, sou feliz no que faço. Hoje, sei que o comércio é a minha vocação”, garante. Os amantes de doces de Ribeirão e Mauá agradecem.



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Da feira à loja em shopping center

Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

06/08/2006 | 09:00


A informalidade é a opção quase sempre encontrada pelo brasileiro diante da concorrência cada vez mais acirrada no mercado de trabalho. Com a técnica em patologia clínica Vanessa Ribeiro Clemente, de Ribeirão Pires, não foi diferente. Recém-casada em 1997, ela não conseguia encontrar emprego em sua área de atuação. Então, Vanessa arregaçou as mangas e foi à luta. Primeiro trabalhou em uma barraca de bijuterias na Feira do Artesanato. Depois, com a parceria da mãe, Tereza de Jesus, montou a própria banca, de bolos e tortas. Hoje, quase dez anos depois, mãe e filha têm uma doceria famosa na cidade, a Barraca da Tereza, e uma segunda unidade no Mauá Plaza Shopping.

A nova vocação surgiu quase por acaso. Enquanto vendia bijuterias, Vanessa percebeu que a feirinha tinha apenas uma banca de alimentos, que abria só no fim de semana. Então, ela decidiu abrir outra, de doces. Vanessa lembra como se fosse hoje: “Tínhamos uma barraca velha, que minha mãe utilizou para vender flores, e montamos na feira. No primeiro dia, minha mãe levou um bolo de morango, outro de brigadeiro, uma torta de frango e um galão de chá. Em poucas horas, ela vendeu tudo. Faturou R$ 15 naquele dia”, conta.

Mais alguns dias e as vendas embalaram. Filas se formavam em frente à barraca. Foi então que Vanessa decidiu abandonar a banca de bijuterias e passou a trabalhar com Tereza no negócio novo. “As vendas cresceram e minha mãe não tinha mais tempo para fazer os bolos e vendê-los. Aí, decidi ajudá-la. Ela fazia os bolos em casa e eu os vendia na feira”, recorda-se.

Embora Vanessa seja um caso típico de empreendedora por necessidade, sua vocação nasceu antes disso. “Sempre gostei de trabalhar. Nunca ficava parada. Antes, eu era costureira, fazia lingerie e, em vez de comercializá-las, vendia cartelas de bingo e as sorteava. Para atrair as mulheres, eu oferecia bolos e tortas durante os eventos. Lucrava R$ 200 em cada rodada”, lembra. Os doces, ela fazia por diversão. “Procurava as receitas na internet”, diz.

Com o sucesso do negócio, Vanessa e Tereza compraram uma barraca melhor, à prestação. Também começaram a abrir a banca durante a semana. Foi aí que mãe e filha resolveram dar o grande salto do empreendimento: inaugurar uma loja. A doceria, batizada de Barraca da Tereza, consumiu investimentos de R$ 10 mil, utilizados na confecção de vitrines e na aquisição de equipamentos.

Vanessa e Tereza inauguraram a loja em 2002, no Centro de Ribeirão. O novo local, felizmente, só fez aumentar as vendas. “Nós não conseguíamos dar conta da demanda. Aí tivemos a idéia de abrir uma cozinha industrial, para abastecer a doceria”, conta Vanessa. As empresárias procuraram o Sebrae, que sugeriu a elas que fizessem um empréstimo. “Mas já tínhamos comprado os equipamentos. Ficamos endividadas outra vez”, recorda-se. A cozinha, localizada nas proximidades da loja, foi aberta meses depois.

Expansão – A última aposta de Vanessa e Tereza foi feita no ano seguinte. Mãe e filha passeavam no Mauá Plaza Shopping quando observaram que havia um espaço disponível junto ao cinema. “Por curiosidade, perguntamos à administração do shopping quanto custava o aluguel. Era muito caro mas, mesmo assim, resolvemos arriscar”, diz. Vanessa fez um plano de negócios, contraiu um novo empréstimo, desta vez de R$ 83 mil, e abriu a segunda unidade.

Os negócios vão bem, obrigado. Só na loja de Ribeirão Pires, são vendidos cerca de 20 bolos por dia, número que sobe para 40 nos finais de semana, sem contar as encomendas de salgados e bolos para festa. Já a loja de Mauá vende outros 20 bolos por dia. “Em Ribeirão Pires, temos uma clientela cativa, que nos acompanha há muito tempo e procura a loja para encomendar produtos para festas. Em Mauá, vende-se muito no balcão”, revela a empresária, que emprega 12 pessoas em Ribeirão (sendo oito na cozinha industrial) e oito em Mauá.

Vanessa não se sente incomodada em não ter exercido a profissão na qual se formou. “Estava desempregada mas, felizmente, sou feliz no que faço. Hoje, sei que o comércio é a minha vocação”, garante. Os amantes de doces de Ribeirão e Mauá agradecem.

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