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Eu quero a faixa da vida

No desenho do asfalto em que se alternam listras claras e escuras...


Cristina Baddini

23/03/2012 | 00:00


No desenho do asfalto em que se alternam listras claras e escuras, concentra-se o grande desafio dos pedestres no que diz respeito à integridade física, à vida e, principalmente, a um desafio civilizacional.

A civilidade de um país se mede pelo número de pedestres mortos. Para medir a civilidade de uma cidade, além das calçadas há que se lançar o nosso olhar ao respeito pelas faixas de travessia. Os motoristas nos Estados Unidos não se comportam melhor porque são mais bonzinhos do que os nossos motoristas. É que eles sabem o tamanho do problema que terão pela frente se matarem ou ferirem alguém.

Absurdo

Recentemente, o jornalista Gilberto Dimenstein disse que os fatos ocorridos em nosso trânsito são tão absurdos que, daqui a pouco tempo, quando olharmos para trás, não vamos sequer entender como os toleramos. É como vemos hoje a mulher não ter o direito de votar, as crianças serem obrigadas a trabalhar, os negros serem escravos ou alguém fumando em um avião. 

Atualmente observamos uma cadeia de tolerância por trás do massacre. Considera-se muita coisa normal. Quando são publicadas as estatísticas de crime, nós todos quase não damos destaque e até achamos normal haver calçadas estreitas e esburacadas que, em sua maioria, não servem para os pedestres além de, em muitos casos, serem usadas para estacionar carros. Vemos bairros com milionários empreendimentos imobiliários onde não há sequer a preocupação com a construção de uma calçada.

Travessia no CTB 
O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) estabelece que o desrespeito à faixa de pedestres é infração gravíssima, passível de punição com multa de R$ 191,54 e sete pontos na carteira.

A faixa de pedestres onde se encontra o maior problema é aquela que está desacompanhada de semáforo. A faixa amparada por um semáforo conta com aliada dotada do maior dos instrumentos educativos, a punição. Passou com o sinal fechado, é multa. Muitas vezes a penalização é imediata e feita por radar. E, por essa razão, a faixa de pedestres amparada por semáforo é respeitada na maioria das vezes. 

É a faixa sem semáforo que costuma ser ampla e irrestritamente desrespeitada. Pela boa regra internacional, bastaria o pedestre pôr o pé na faixa para o motorista ser obrigado a parar e lhe dar passagem. Pôs o pé ali, e o pedestre garante sua imunidade. 

Aquele sinal no chão não é mero adorno. Para muitos, aquela seria apenas a marcação do lugar em que, preferencialmente, os pedestres deveriam atravessar a rua, desde que não haja carros passando. Um grande equívoco.

Campanhas
É necessário que as campanhas deem destaque à educação do motorista respeitando o pedestre. Ora, são os carros que agridem e matam. São eles a parte forte do confronto. No dia em que os condutores forem educados, a educação do pedestre virá por gravidade. 

A campanha deve acenar com punições. Campanha para valer seria a que fixasse prazo a partir do qual a ação educativa daria lugar à aplicação de multas. Foi o que ocorreu em Brasília. A leve sensação de punição é fundamental para que haja menos atropelamentos. 

Campanhas realmente para valer exigem a prévia revisão geral da localização das travessias. Nem sempre a faixa deve ficar exatamente na esquina; muitas vezes, ela seria mais eficaz se colocada mais para o meio do quarteirão.

Faixa elevada
A elevação da pista de rolamento dos veículos até a altura da calçada na área onde se encontra a faixa de travessia de pedestres tem sido uma alternativa utilizada para garantir a travessia de pedestres. Sua finalidade é permitir que o pedestre não necessite mudar o nível que se encontra, o que facilita a mobilidade de pessoas com restrições físicas, crianças e idosos, cadeirantes, pois ao invés do ser humano ter que descer ao nível da pista e depois retornar ao da calçada é o veículo que se vê obrigado a diminuir a velocidade pelo obstáculo que é colocado à sua frente.



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Eu quero a faixa da vida

No desenho do asfalto em que se alternam listras claras e escuras...

Cristina Baddini

23/03/2012 | 00:00


No desenho do asfalto em que se alternam listras claras e escuras, concentra-se o grande desafio dos pedestres no que diz respeito à integridade física, à vida e, principalmente, a um desafio civilizacional.

A civilidade de um país se mede pelo número de pedestres mortos. Para medir a civilidade de uma cidade, além das calçadas há que se lançar o nosso olhar ao respeito pelas faixas de travessia. Os motoristas nos Estados Unidos não se comportam melhor porque são mais bonzinhos do que os nossos motoristas. É que eles sabem o tamanho do problema que terão pela frente se matarem ou ferirem alguém.

Absurdo

Recentemente, o jornalista Gilberto Dimenstein disse que os fatos ocorridos em nosso trânsito são tão absurdos que, daqui a pouco tempo, quando olharmos para trás, não vamos sequer entender como os toleramos. É como vemos hoje a mulher não ter o direito de votar, as crianças serem obrigadas a trabalhar, os negros serem escravos ou alguém fumando em um avião. 

Atualmente observamos uma cadeia de tolerância por trás do massacre. Considera-se muita coisa normal. Quando são publicadas as estatísticas de crime, nós todos quase não damos destaque e até achamos normal haver calçadas estreitas e esburacadas que, em sua maioria, não servem para os pedestres além de, em muitos casos, serem usadas para estacionar carros. Vemos bairros com milionários empreendimentos imobiliários onde não há sequer a preocupação com a construção de uma calçada.

Travessia no CTB 
O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) estabelece que o desrespeito à faixa de pedestres é infração gravíssima, passível de punição com multa de R$ 191,54 e sete pontos na carteira.

A faixa de pedestres onde se encontra o maior problema é aquela que está desacompanhada de semáforo. A faixa amparada por um semáforo conta com aliada dotada do maior dos instrumentos educativos, a punição. Passou com o sinal fechado, é multa. Muitas vezes a penalização é imediata e feita por radar. E, por essa razão, a faixa de pedestres amparada por semáforo é respeitada na maioria das vezes. 

É a faixa sem semáforo que costuma ser ampla e irrestritamente desrespeitada. Pela boa regra internacional, bastaria o pedestre pôr o pé na faixa para o motorista ser obrigado a parar e lhe dar passagem. Pôs o pé ali, e o pedestre garante sua imunidade. 

Aquele sinal no chão não é mero adorno. Para muitos, aquela seria apenas a marcação do lugar em que, preferencialmente, os pedestres deveriam atravessar a rua, desde que não haja carros passando. Um grande equívoco.

Campanhas
É necessário que as campanhas deem destaque à educação do motorista respeitando o pedestre. Ora, são os carros que agridem e matam. São eles a parte forte do confronto. No dia em que os condutores forem educados, a educação do pedestre virá por gravidade. 

A campanha deve acenar com punições. Campanha para valer seria a que fixasse prazo a partir do qual a ação educativa daria lugar à aplicação de multas. Foi o que ocorreu em Brasília. A leve sensação de punição é fundamental para que haja menos atropelamentos. 

Campanhas realmente para valer exigem a prévia revisão geral da localização das travessias. Nem sempre a faixa deve ficar exatamente na esquina; muitas vezes, ela seria mais eficaz se colocada mais para o meio do quarteirão.

Faixa elevada
A elevação da pista de rolamento dos veículos até a altura da calçada na área onde se encontra a faixa de travessia de pedestres tem sido uma alternativa utilizada para garantir a travessia de pedestres. Sua finalidade é permitir que o pedestre não necessite mudar o nível que se encontra, o que facilita a mobilidade de pessoas com restrições físicas, crianças e idosos, cadeirantes, pois ao invés do ser humano ter que descer ao nível da pista e depois retornar ao da calçada é o veículo que se vê obrigado a diminuir a velocidade pelo obstáculo que é colocado à sua frente.

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