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Terreno invadido já tem 700 famílias

Área no Jd. do Estádio, em Santo André, começou a ser ocupada na madrugada de sábado


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

06/03/2012 | 07:00


O número de famílias acampadas em terreno particular no Jardim do Estádio, em Santo André, mais que dobrou. As 300 barracas que ocuparam o terreno na noite de sexta-feira viraram 700 ontem. E continua chegando mais gente para se instalar no labirinto que se formou na área que faz fundos com o Condomínio Adriático.

É difícil imaginar como os ocupantes conseguem se localizar em meio às barracas improvisadas com pedaços de madeira, bambu e lona preta. O calor é insuportável. Água, só há se os vizinhos arranjam. A comida é doada. A terra acumula em tudo: nas roupas, nos colchões, no rosto e no corpo das crianças que brincam descalças. "Nossa expectativa é garantir teto para essas famílias", diz uma das líderes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Rosa Scaquetti.

Segundo ela, a maioria das famílias vive em moradias precárias ou paga aluguel. Muitos são desempregados, caso de Vitor Gelli, 21. Ele vive com a mulher e filha de 3 meses na casa da sogra, mas quer ter um lugar seu. "Tenho esse direito e vou ficar aqui até que a situação se resolva."

Rosa garante que o proprietário do terreno, Luiz Antonio Pereira, foi informado da ocupação, mas está viajando e não entrou com pedido de reintegração de posse até agora. "Aqui é Zona Especial de Interesse Social e, conforme a lei municipal, 70% das moradias erguidas devem ser para famílias de baixa renda. Essas pessoas estão ocupando algo que é delas."

Conforme Rosa, o movimento negocia com os governos municipal, estadual e federal. "A Prefeitura sinalizou a possibilidade de incluir as famílias em programas habitacionais." Porém, a administração afirma que o MTST ainda não entrou em contato.

URGÊNCIA

A situação de Gislene Rodrigues, 23, é preocupante: seu filho Caio, 3, tem paralisia cerebral e deve receber alta da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) em um mês. Até lá, ela, que morava em barraco no Jardim Santa Cristina, precisa arrumar uma casa para abrigar o menino e sua irmã, Soraia, 1 ano e 2 meses. "Tenho esperança de que vamos conseguir."

O movimento já organizou outras ocupações na região. Uma delas terminou em tragédia em 2003, quando o fotógrafo Luiz Antonio da Costa foi morto em frente ao terreno onde hoje fica o Centro de Distribuição da Casas Bahia, em São Bernardo.



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Terreno invadido já tem 700 famílias

Área no Jd. do Estádio, em Santo André, começou a ser ocupada na madrugada de sábado

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

06/03/2012 | 07:00


O número de famílias acampadas em terreno particular no Jardim do Estádio, em Santo André, mais que dobrou. As 300 barracas que ocuparam o terreno na noite de sexta-feira viraram 700 ontem. E continua chegando mais gente para se instalar no labirinto que se formou na área que faz fundos com o Condomínio Adriático.

É difícil imaginar como os ocupantes conseguem se localizar em meio às barracas improvisadas com pedaços de madeira, bambu e lona preta. O calor é insuportável. Água, só há se os vizinhos arranjam. A comida é doada. A terra acumula em tudo: nas roupas, nos colchões, no rosto e no corpo das crianças que brincam descalças. "Nossa expectativa é garantir teto para essas famílias", diz uma das líderes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Rosa Scaquetti.

Segundo ela, a maioria das famílias vive em moradias precárias ou paga aluguel. Muitos são desempregados, caso de Vitor Gelli, 21. Ele vive com a mulher e filha de 3 meses na casa da sogra, mas quer ter um lugar seu. "Tenho esse direito e vou ficar aqui até que a situação se resolva."

Rosa garante que o proprietário do terreno, Luiz Antonio Pereira, foi informado da ocupação, mas está viajando e não entrou com pedido de reintegração de posse até agora. "Aqui é Zona Especial de Interesse Social e, conforme a lei municipal, 70% das moradias erguidas devem ser para famílias de baixa renda. Essas pessoas estão ocupando algo que é delas."

Conforme Rosa, o movimento negocia com os governos municipal, estadual e federal. "A Prefeitura sinalizou a possibilidade de incluir as famílias em programas habitacionais." Porém, a administração afirma que o MTST ainda não entrou em contato.

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A situação de Gislene Rodrigues, 23, é preocupante: seu filho Caio, 3, tem paralisia cerebral e deve receber alta da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) em um mês. Até lá, ela, que morava em barraco no Jardim Santa Cristina, precisa arrumar uma casa para abrigar o menino e sua irmã, Soraia, 1 ano e 2 meses. "Tenho esperança de que vamos conseguir."

O movimento já organizou outras ocupações na região. Uma delas terminou em tragédia em 2003, quando o fotógrafo Luiz Antonio da Costa foi morto em frente ao terreno onde hoje fica o Centro de Distribuição da Casas Bahia, em São Bernardo.

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