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Classes A e B da região perdem 81,6 mil pessoas de 2011 a 2015

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Desemprego em alta é um dos motivos que
provocaram queda na renda e movimentação


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

06/03/2016 | 07:19


Entre 2011 e 2015, o Grande ABC viu as classes de consumo A e B perderem 81.649 pessoas, número equivalente a quase duas vezes a população de Rio Grande da Serra. Isso quer dizer que, a cada dia, 44 indivíduos caíram na pirâmide financeira na região. O aumento do desemprego é uma das principais explicações para a diminuição da renda e, consequentemente, no poder de compra. Os números são da pesquisa socioeconômica do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano), divulgada com exclusividade ao Diário.

A participação dos integrantes da faixa mais elevada de rendimentos – cuja renda média familiar é de R$ 20.272, que era de 5,8% em 2011, caiu para 3,2% no ano passado. Na classe B (rendimento no mês em torno de R$ 7.656 por família), a proporção passou de 49,1% para 48,1%. O coordenador do Inpes, Leandro Prearo, explica que a maior parte das quedas, provavelmente, foi de um nível. Ou seja, de A para B e de B para C, com poucos saltos de A para C ou de C para D, por exemplo.

Prearo chama atenção para o fato de a redução nos salários gerar efeitos em cascata. “O problema é que esse pessoal para de consumir. Portanto, fica mais difícil de a indústria se recuperar”, comenta. Isso porque a queda no consumo diminui a demanda da produção industrial e, portanto, os ganhos do segmento e os empregos gerados. “Temos, no Grande ABC, uma economia fortemente ligada à indústria. Esse setor, que paga os melhores salários, tem registrado número alto de demissões e fechamento de empresas. Provavelmente, está aí o motivo de as classes A e B encolherem.”

Em torno de 23,1% da população das sete cidades (283 mil) trabalha em empresas do ramo, segundo dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) do Seade/Dieese. Esse percentual, porém, já foi de 28% (345 mil) cinco anos atrás. O salário pago, entretanto, ainda é o que melhor remunera na região, com R$ 2.596 – a média entre todas as áreas é de R$ 2.170.

CLASSE MÉDIA - A faixa intermediária, por outro lado, cujos ganhos familiares médios são de R$ 2.313 por mês, registrou ingresso de 54.432 pessoas entre 2011 e 2015. A participação da classe C em relação ao total da população das sete cidades passou de 40,8% para 42,8% no período.

Prearo adverte, entretanto, que esse crescimento está longe de ser a chamada ‘nova classe C’, alardeada durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso porque o aumento nessa fatia social não se deu pela ascensão dos mais pobres, mas pela queda dos mais abonados.

No intervalo de tempo pesquisado, as classes D e E (que têm rendimento médio familiar de R$ 639 mensais) ganharam 27.216 integrantes e tiveram elevação de 1 ponto percentual (de 4,3% para 5,3%).

O economista Leonel Tinoco Netto, delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) para o Grande ABC, explica que, nos últimos anos, as classes mais baixas ascenderam por meio de políticas públicas, como subsídios e facilitação do acesso ao crédito. Essas medidas, porém, tiveram de ser interrompidas no último ano em razão do ajuste fiscal, conjunto de ações do governo para tentar diminuir o deficit do País o que, por conseguinte, também teve seu impacto.


Sem dinheiro, consumidores alteram padrão de vida

Carlos Alberto Nascimento, 33 anos, foi demitido no fim do ano passado da Prol Editora Gráfica, em Diadema, onde atuava na produção. Desde que foi dispensado, não viu um centavo sequer entrar na sua conta, já que ainda não recebeu o seguro-desemprego. Isso porque, segundo ele, a empresa, que está em recuperação judicial, ainda não homologou a carteira de trabalho dos ex-funcionários.

Nascimento mora com a mãe em Diadema e, agora, sua vida se resume a ir de casa para a escola e vice-versa. Ele cursa tecnólogo em Radiologia na Capital e já quitou o primeiro semestre graças a uma reserva de dinheiro que possuía. Para o próximo período, entretanto, a solução terá de ser trancar a matrícula caso não consiga se recolocar no mercado de trabalho até lá.

Em casa, a situação é complicada. Com dívidas atrasadas, a solução foi cortar itens supérfluos. Na geladeira, só o necessário para se manter.

Caso semelhante é o de Lourdes Defavari, 57, que trabalhou por 39 anos na Karmann Ghia, em São Bernardo, e foi demitida no ano passado. Assim como Nascimento, não recebeu as verbas rescisórias. “Estou conseguindo me virar porque já sou aposentada. Mesmo assim, tive de reduzir muito o padrão de consumo. Além de diminuir as compras, tive de passar a sair menos de casa para não gastar.”

Hoje, ela recebe 50% do teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o equivalente a aproximadamente R$ 2.500 – quantia que representa aproximadamente 20% do que ela recebia quando atuava na indústria de autopeças localizada em São Bernardo.

Apesar de ainda manter relativa tranquilidade financeira – embora isso custe usar seu benefício, que antes era poupado –, a situação já começa a preocupar. “Ainda estou conseguindo pagar um plano de saúde, mas não sei até quando”, teme.

O piloto de aviões Thiago Franchini, 27, de São Bernardo, dava aula em uma escola de pilotagem em Jundiaí, no Interior. Foi dispensado no fim de janeiro por falta de demanda. Franchini, que recebia de R$ 30 a R$ 40 por hora de voo, dependendo do equipamento, também teve de se adequar. “Tive de cortar coisas supérfluas, como baladas e restaurantes.” Enquanto não surge emprego fixo, atua, eventualmente, como DJ em festas.


Em 12 meses, empresas do Grande ABC demitiram 42,6 mil

As empresas do Grande ABC eliminaram 42.678 postos formais de trabalho entre fevereiro de 2015 e janeiro deste ano, segundo balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Se considerados apenas os dados do primeiro mês de 2016, o saldo entre admissões e demissões ficou em -1.644. Foi a 14ª vez seguida que a região apresentou dados negativos de geração de postos de trabalho.

No acumulado de 12 meses, o setor que mais cortou mão de obra foi a indústria, com 25,3 mil desligamentos (equivalentes a 59,4% do total). A estatística é considerada preocupante por especialistas, já que esse setor é o que paga os melhores salários.

Já a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mostra que o desemprego no Grande ABC cresceu 45,5% em janeiro na comparação com o primeiro mês de 2015. Diferentemente do Caged, esse levantamento aponta também as ocupações sem carteira de trabalho e os registros referentes aos autônomos.

A taxa de desemprego na região (relação entre o número de desocupados e a população economicamente ativa) saltou de 10,4% para 15%, atingindo o percentual mais alto registrado desde 2005. 



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Classes A e B da região perdem 81,6 mil pessoas de 2011 a 2015

Desemprego em alta é um dos motivos que
provocaram queda na renda e movimentação

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

06/03/2016 | 07:19


Entre 2011 e 2015, o Grande ABC viu as classes de consumo A e B perderem 81.649 pessoas, número equivalente a quase duas vezes a população de Rio Grande da Serra. Isso quer dizer que, a cada dia, 44 indivíduos caíram na pirâmide financeira na região. O aumento do desemprego é uma das principais explicações para a diminuição da renda e, consequentemente, no poder de compra. Os números são da pesquisa socioeconômica do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano), divulgada com exclusividade ao Diário.

A participação dos integrantes da faixa mais elevada de rendimentos – cuja renda média familiar é de R$ 20.272, que era de 5,8% em 2011, caiu para 3,2% no ano passado. Na classe B (rendimento no mês em torno de R$ 7.656 por família), a proporção passou de 49,1% para 48,1%. O coordenador do Inpes, Leandro Prearo, explica que a maior parte das quedas, provavelmente, foi de um nível. Ou seja, de A para B e de B para C, com poucos saltos de A para C ou de C para D, por exemplo.

Prearo chama atenção para o fato de a redução nos salários gerar efeitos em cascata. “O problema é que esse pessoal para de consumir. Portanto, fica mais difícil de a indústria se recuperar”, comenta. Isso porque a queda no consumo diminui a demanda da produção industrial e, portanto, os ganhos do segmento e os empregos gerados. “Temos, no Grande ABC, uma economia fortemente ligada à indústria. Esse setor, que paga os melhores salários, tem registrado número alto de demissões e fechamento de empresas. Provavelmente, está aí o motivo de as classes A e B encolherem.”

Em torno de 23,1% da população das sete cidades (283 mil) trabalha em empresas do ramo, segundo dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) do Seade/Dieese. Esse percentual, porém, já foi de 28% (345 mil) cinco anos atrás. O salário pago, entretanto, ainda é o que melhor remunera na região, com R$ 2.596 – a média entre todas as áreas é de R$ 2.170.

CLASSE MÉDIA - A faixa intermediária, por outro lado, cujos ganhos familiares médios são de R$ 2.313 por mês, registrou ingresso de 54.432 pessoas entre 2011 e 2015. A participação da classe C em relação ao total da população das sete cidades passou de 40,8% para 42,8% no período.

Prearo adverte, entretanto, que esse crescimento está longe de ser a chamada ‘nova classe C’, alardeada durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso porque o aumento nessa fatia social não se deu pela ascensão dos mais pobres, mas pela queda dos mais abonados.

No intervalo de tempo pesquisado, as classes D e E (que têm rendimento médio familiar de R$ 639 mensais) ganharam 27.216 integrantes e tiveram elevação de 1 ponto percentual (de 4,3% para 5,3%).

O economista Leonel Tinoco Netto, delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) para o Grande ABC, explica que, nos últimos anos, as classes mais baixas ascenderam por meio de políticas públicas, como subsídios e facilitação do acesso ao crédito. Essas medidas, porém, tiveram de ser interrompidas no último ano em razão do ajuste fiscal, conjunto de ações do governo para tentar diminuir o deficit do País o que, por conseguinte, também teve seu impacto.


Sem dinheiro, consumidores alteram padrão de vida

Carlos Alberto Nascimento, 33 anos, foi demitido no fim do ano passado da Prol Editora Gráfica, em Diadema, onde atuava na produção. Desde que foi dispensado, não viu um centavo sequer entrar na sua conta, já que ainda não recebeu o seguro-desemprego. Isso porque, segundo ele, a empresa, que está em recuperação judicial, ainda não homologou a carteira de trabalho dos ex-funcionários.

Nascimento mora com a mãe em Diadema e, agora, sua vida se resume a ir de casa para a escola e vice-versa. Ele cursa tecnólogo em Radiologia na Capital e já quitou o primeiro semestre graças a uma reserva de dinheiro que possuía. Para o próximo período, entretanto, a solução terá de ser trancar a matrícula caso não consiga se recolocar no mercado de trabalho até lá.

Em casa, a situação é complicada. Com dívidas atrasadas, a solução foi cortar itens supérfluos. Na geladeira, só o necessário para se manter.

Caso semelhante é o de Lourdes Defavari, 57, que trabalhou por 39 anos na Karmann Ghia, em São Bernardo, e foi demitida no ano passado. Assim como Nascimento, não recebeu as verbas rescisórias. “Estou conseguindo me virar porque já sou aposentada. Mesmo assim, tive de reduzir muito o padrão de consumo. Além de diminuir as compras, tive de passar a sair menos de casa para não gastar.”

Hoje, ela recebe 50% do teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o equivalente a aproximadamente R$ 2.500 – quantia que representa aproximadamente 20% do que ela recebia quando atuava na indústria de autopeças localizada em São Bernardo.

Apesar de ainda manter relativa tranquilidade financeira – embora isso custe usar seu benefício, que antes era poupado –, a situação já começa a preocupar. “Ainda estou conseguindo pagar um plano de saúde, mas não sei até quando”, teme.

O piloto de aviões Thiago Franchini, 27, de São Bernardo, dava aula em uma escola de pilotagem em Jundiaí, no Interior. Foi dispensado no fim de janeiro por falta de demanda. Franchini, que recebia de R$ 30 a R$ 40 por hora de voo, dependendo do equipamento, também teve de se adequar. “Tive de cortar coisas supérfluas, como baladas e restaurantes.” Enquanto não surge emprego fixo, atua, eventualmente, como DJ em festas.


Em 12 meses, empresas do Grande ABC demitiram 42,6 mil

As empresas do Grande ABC eliminaram 42.678 postos formais de trabalho entre fevereiro de 2015 e janeiro deste ano, segundo balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Se considerados apenas os dados do primeiro mês de 2016, o saldo entre admissões e demissões ficou em -1.644. Foi a 14ª vez seguida que a região apresentou dados negativos de geração de postos de trabalho.

No acumulado de 12 meses, o setor que mais cortou mão de obra foi a indústria, com 25,3 mil desligamentos (equivalentes a 59,4% do total). A estatística é considerada preocupante por especialistas, já que esse setor é o que paga os melhores salários.

Já a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mostra que o desemprego no Grande ABC cresceu 45,5% em janeiro na comparação com o primeiro mês de 2015. Diferentemente do Caged, esse levantamento aponta também as ocupações sem carteira de trabalho e os registros referentes aos autônomos.

A taxa de desemprego na região (relação entre o número de desocupados e a população economicamente ativa) saltou de 10,4% para 15%, atingindo o percentual mais alto registrado desde 2005. 

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