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‘Amor e Intrigas’ popularesca
Mariana Trigo
Da TV Press
18/04/2008 | 07:04
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Amor e Intrigas tem o apelo popular da combinação do chope com o churrasquinho. A novela da Record é recomendável para quem gosta de ingredientes de dramalhões. Com direito a brigas, traições e muitas discussões que quase beiram a baixaria.

 Renata Dominguez, que começou a novela acreditando que sua vilã Valquíria era diabólica como a Margô de Bette Davis no clássico filme A Malvada, tem sido o maior destaque da trama. Os trajes sumários, a maquiagem carregada, os cabelos esvoaçantes e os trejeitos espalhafatosos traduzem toda a vulgaridade da vilã de pele impecavelmente dourada.

 À primeira vista, Valquíria parece uma caricatura de megera e a atriz até errou na mão nos primeiros capítulos. Mas com o tempo, a personagem mostrou que está no seu verdadeiro habitat, já que grande parte das cenas convida ao exagero. Entre as falas – sempre muitos tons acima –, andar e gestual de quinta categoria, Valquíria não destoa. Nem mesmo com seu excesso de brilhos.

 Basta prestar atenção no áudio exagerado de suspense de algumas cenas, como na suntuosidade da mansão da vilã Dorotéia, de Esther Góes, para perceber que o excesso pontua a história de Gisele Joras.

 Até nos cenários dos núcleos mais pobres, o excesso está presente através da poluição visual. O foco do diretor Edson Spinello parece dispor de uma lente de aumento no conceito de cada personagem, distorcendo o que poderia ser crível ao mostrar condutas totalmente distantes da realidade.

 Milla Christie, por exemplo, como a sofrida Rafaela, não consegue convencer nas cenas mais dramáticas. Chega a ser constrangedor observar o sofrimento da personagem traída com o festival de caras e bocas da intérprete.

POPULARESCO

 Todos os caminhos da novela se aproximam do popularesco. Tramas de pensão, mulheres enganadas pelos maridos, personagens que fazem bicos, famílias que se reúnem em volta da TV, todas as situações se destinam a atrair desde os amantes do trash aos que buscam um entretenimento sem reflexões, sem questionamentos.

 Este é o prato principal da estreante autora Gisele Joras: refletir o óbvio, como tipos mais comuns do cotidiano, personagens despachadas como a divertida Janaína, da ruiva Laila Zaid, ou golpistas amadores, como o Petrônio, de Heitor Martinez.

 Ou seja, tempero forte e situações apimentadas conduzem a trama que se equilibra entre satisfatórios 12 pontos de média e 19% de participação.



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