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O homem planeja; e Deus ri


Carlos Brickmann
Para o Diário do Grande ABC

20/08/2014 | 06:57


Dilma Rousseff e Lula estavam irritadíssimos com Eduardo Campos, por se considerarem abandonados, por acharem que sua presença, no importante celeiro de votos petistas do Nordeste, aumentava as probabilidades de arriscado segundo turno. Aécio Neves queria que o candidato do PSB, com esquálidas intenções de voto, crescesse mais, para levar a eleição ao segundo turno. Com a morte de Eduardo Campos, sumiu do horizonte petista o aliado que os abandonara, o perigoso candidato que dividiria o voto nordestino com que Dilma conta. E sumiu do horizonte tucano a possibilidade de não haver segundo turno. Em troca da realização dos sonhos dos dois maiores candidatos, caiu sobre eles o tsunami Marina Silva: nas primeiras pesquisas, empate técnico com Aécio Neves no primeiro turno, empate técnico com Dilma no segundo. Tudo bem, são as primeiras pesquisas, ainda realizadas sob o impacto emocional da morte trágica de Eduardo Campos. Mas alarmaram os adversários: Marina já virou o alvo favorito de ambos. O PT a acusa de ser a candidata dos bancos e dos empresários (na verdade, de uma das sócias de um banco e de um empresário de porte), o PSDB relembra as brigas de Marina com o agronegócio. Aécio, que tratava Eduardo Campos com carinho (precisaria de seu apoio no segundo turno), está mais duro: acha que Marina, se ficar fora da disputa, irá declarar-se neutra. É possível. O título desta coluna é um provérbio judaico. A frase final é um provérbio grego: os deuses, quando querem destruir os homens, atendem a seus desejos.

Um olhar à frente
O fenômeno Marina era esperado: primeiro, por sempre ter estado nas pesquisas acima de seu companheiro de chapa; segundo, pela comoção provocada pela morte trágica de Eduardo Campos. O que não se esperava é que seus dois principais adversários continuassem nos mesmos patamares. Se não foi deles que Marina tirou suas novas intenções de voto, foi buscá-las em setores que pretendiam votar em branco ou anular o voto. É difícil que este eleitorado, que não aceitava os demais candidatos, aceite trocar Marina por eles. Marina pode perder votos entre os antigos eleitores de Eduardo ou entre os novos participantes da cena política, que voltariam ao voto branco ou nulo. E é aí que as principais campanhas concorrentes vão trabalhar: provar que Marina, ao contrário do que parece, não é o novo, é contra o progresso, não representa o povo que foi às ruas.

Democracia na prática
A entrevista da presidente Dilma Rousseff a William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional, foi retrato em alta definição da democracia como ela é. Os repórteres perguntaram o que deveriam perguntar e a presidente respondeu o que achou conveniente responder. Os repórteres insistiram, ela também. E, com todos esforços dos dois bons entrevistadores, o público continuou sabendo exatamente o que sabia antes da entrevista.

Briga boa
É briga boa: Carlinhos Cachoeira, condenado a 39 anos de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha (aguarda o julgamento do recurso em liberdade), não gostou de ser citado pelo candidato do PMDB ao governo goiano, Íris Rezende, como personagem central ‘do maior escândalo de que se tem notícia na administração deste País’. Reagiu duro, com artigo publicado no Diário da Manhã, de Goiânia: ‘Os canalhas também envelhecem’. Fala de doações de campanha, ‘de assuntos não tão republicanos’, e diz que está tudo documentado. O governador tucano Marconi Perillo, candidato à reeleição com ampla vantagem sobre Íris, não se envolveu na briga, mas sua equipe divulgou fartamente a carta de Cachoeira. Íris reagiu acusando Cachoeira de ser ‘preposto do governador’. Continua nos próximos dias.

Os milagres da tecnologia
A ONG Contas Abertas, fiscal dos gastos públicos, informa que a Presidência da República determinou a compra de uma câmera fotográfica digital Canon EOS SD, de última geração, por R$ 9.400. Para melhorar a imagem de nossos governantes, só se vier com turbo Photoshop UltraMaxLier acoplado. 



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