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Região tem cerca de
121 mil fora da escola

Esse é número de pessoas entre zero e 17 anos que não está
matriculado na rede de ensino; resultado integra o Censo 2010


Natália Fernandjes

07/05/2012 | 07:07


Seja por dificuldade em conseguir vaga, desinteresse ou problemas familiares e de saúde, o Grande ABC tem 120.983 pessoas em idade escolar – zero a 17 anos – fora das salas de aula. O número integra o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e equivale a 4,7% da população total da região. No entanto, comparado com dados de 2000, houve melhora significativa, já que naquela época 8% dos moradores das sete cidades estavam nesta condição – 203.784 pessoas.

A região tem 650.594 habitantes com idade entre zero e 17 anos, sendo que 18% deles não frequentam a escola – em 2000, eram 27%.

Os números são semelhantes aos observados em São Paulo e no Brasil. No Estado, são 10.854.027 pessoas em idade escolar, sendo que 18% delas estão fora das unidades de ensino – número que equivale a 4,9% da população paulista. Em todo o território nacional, 21% dos 56.295.501 brasileiros com esta idade estão na mesma situação, o que corresponde a 6,4% do total de brasileiros.

A parcela de munícipes do Grande ABC em idade de creche (zero a três anos) é a que mais concentra pessoas fora da escola – 90.135 crianças. O número corresponde a quase 70% da população nesta faixa etária entre as sete cidades. São Bernardo é a cidade com mais pessoas nesta situação. São 25.436 crianças atualmente, número 39% menor do que o registrado pelo Censo 2000.

Além do já conhecido déficit de vagas de aproximadamente 14 mil crianças na região, há que se considerar a não obrigatoriedade de pais matricularem seus filhos com menos de 6 anos no Ensino Infantil. Isso contribui para continuidade do problema, observa a professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino. “Apesar de observarmos melhoria das políticas públicas e ampliação da rede, a quantidade de vagas não é suficiente para comportar a demanda”, comenta.

No Ensino Infantil (4 e 5 anos), apenas 9% dos 100.910 moradores da região nesta faixa etária estão fora da escola. O desempenho é ainda melhor no Ensino Fundamental. Apenas 2,5% dos 302.327 munícipes com idade entre 6 e 14 anos estão longe do ambiente escolar. No Ensino Médio (15 a 17 anos), a taxa de jovens longe das unidades de ensino é de 11,4%.

Em relação à melhora observada frente aos números da década passada, a especialista destaca como um dos motivos a inclusão de alunos com algum tipo deficiência na rede regular. “Muitas crianças deixaram de frequentar instituições privadas como as APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e foram incluídas na rede pública”, diz Ivete.

 

Deficit de vagas afasta estudantes

A falta de vagas na Educação Básica é um dos motivos que afasta as crianças da escola. A desempregada Gislaine da Silva Rodrigues, 31 anos, enfrenta esta dificuldade para matricular dois dos três filhos. Isac, 11, e Stephany, 3, estão na lista de espera por uma oportunidade de estudar, segundo a mãe.

A família mudou-se do bairro Divinéia para a Vila São Pedro há cerca de três semanas e, por enquanto, apenas Mateus, 5, está na escola. “Na próxima semana vou procurar o Conselho Tutelar porque preciso colocar os dois na escola para que eu possa trabalhar”, destaca.

Na adolescência, a evasão escolar é o principal problema. O morador da Vila São Pedro, Jadiel Vitor Lourenço da Silva, 17, abandonou os estudos aos 16 anos, quando estava cursando o 9º ano do Ensino Fundamental. “Sofri um acidente e fiquei afastado. Depois que me recuperei, decidi não voltar mais”, comenta. Segundo ele, a situação se repete com sua irmã, de 16 anos, e é comum entre os amigos do bairro.

A professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino comenta que o desinteresse por parte dos adolescentes muito se deve à falta de incentivo por parte da rede pública.

ESTADO

Em relação ao abandono escolar, a Secretaria da Educação do Estado informou que, quando estudante alcança percentual de 20% de faltas em um bimestre, a direção da escola notifica os pais, o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, e propõe ao aluno a compensação de ausência, com a reposição das faltas ao longo do bimestre. Se o jovem atingir o percentual de 25% de ausências, ele é considerado faltoso e pode ser retido por frequência.

Foi salientado ainda que as taxas de abandono escolar caíram desde os anos 80. A média de evasão baixou de 12,1% no Ensino Fundamental e de 26,5% no Ensino Médio em 1986 para, respectivamente, 1,6% e 5,8%, conforme dados do Censo Escolar 2011.

 

Entre as crianças e jovens, 61% estão no Ensino Fundamental

O Grande ABC tem atualmente 529.611 alunos com idade entre zero e 17 anos matriculados na rede de ensino. A maior parte da população escolar se concentra no Ensino Fundamental – 61%. Em comparação com dados do Censo de 2000, esse número é 0,7% menor, no entanto, a população escolar nesta faixa etária também diminuiu 11,7%.

Cerca de 104 mil estudantes da região estão matriculados no Ensino Médio (15 a 17 anos), 59 mil no Ensino Infantil (4 e 5 anos) e quase 40 mil frequentam creches.

Ainda de acordo com o Censo 2010 do IBGE, a região ainda possui 66.072 analfabetos, o que corresponde a 0,38% da população total – 2,5 milhões. No entanto, o número é pequeno se comparado com o índice nacional, que é de 9,8%.

Entre os sete municípios, São Caetano tem o melhor desempenho, com taxa de 1,6% de analfabetos, ou 1.955 pessoas. Rio Grande da Serra tem o pior resultado na região, com 5,4% dos habitantes que não sabem ler ou escrever.



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Região tem cerca de
121 mil fora da escola

Esse é número de pessoas entre zero e 17 anos que não está
matriculado na rede de ensino; resultado integra o Censo 2010

Natália Fernandjes

07/05/2012 | 07:07


Seja por dificuldade em conseguir vaga, desinteresse ou problemas familiares e de saúde, o Grande ABC tem 120.983 pessoas em idade escolar – zero a 17 anos – fora das salas de aula. O número integra o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e equivale a 4,7% da população total da região. No entanto, comparado com dados de 2000, houve melhora significativa, já que naquela época 8% dos moradores das sete cidades estavam nesta condição – 203.784 pessoas.

A região tem 650.594 habitantes com idade entre zero e 17 anos, sendo que 18% deles não frequentam a escola – em 2000, eram 27%.

Os números são semelhantes aos observados em São Paulo e no Brasil. No Estado, são 10.854.027 pessoas em idade escolar, sendo que 18% delas estão fora das unidades de ensino – número que equivale a 4,9% da população paulista. Em todo o território nacional, 21% dos 56.295.501 brasileiros com esta idade estão na mesma situação, o que corresponde a 6,4% do total de brasileiros.

A parcela de munícipes do Grande ABC em idade de creche (zero a três anos) é a que mais concentra pessoas fora da escola – 90.135 crianças. O número corresponde a quase 70% da população nesta faixa etária entre as sete cidades. São Bernardo é a cidade com mais pessoas nesta situação. São 25.436 crianças atualmente, número 39% menor do que o registrado pelo Censo 2000.

Além do já conhecido déficit de vagas de aproximadamente 14 mil crianças na região, há que se considerar a não obrigatoriedade de pais matricularem seus filhos com menos de 6 anos no Ensino Infantil. Isso contribui para continuidade do problema, observa a professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino. “Apesar de observarmos melhoria das políticas públicas e ampliação da rede, a quantidade de vagas não é suficiente para comportar a demanda”, comenta.

No Ensino Infantil (4 e 5 anos), apenas 9% dos 100.910 moradores da região nesta faixa etária estão fora da escola. O desempenho é ainda melhor no Ensino Fundamental. Apenas 2,5% dos 302.327 munícipes com idade entre 6 e 14 anos estão longe do ambiente escolar. No Ensino Médio (15 a 17 anos), a taxa de jovens longe das unidades de ensino é de 11,4%.

Em relação à melhora observada frente aos números da década passada, a especialista destaca como um dos motivos a inclusão de alunos com algum tipo deficiência na rede regular. “Muitas crianças deixaram de frequentar instituições privadas como as APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e foram incluídas na rede pública”, diz Ivete.

 

Deficit de vagas afasta estudantes

A falta de vagas na Educação Básica é um dos motivos que afasta as crianças da escola. A desempregada Gislaine da Silva Rodrigues, 31 anos, enfrenta esta dificuldade para matricular dois dos três filhos. Isac, 11, e Stephany, 3, estão na lista de espera por uma oportunidade de estudar, segundo a mãe.

A família mudou-se do bairro Divinéia para a Vila São Pedro há cerca de três semanas e, por enquanto, apenas Mateus, 5, está na escola. “Na próxima semana vou procurar o Conselho Tutelar porque preciso colocar os dois na escola para que eu possa trabalhar”, destaca.

Na adolescência, a evasão escolar é o principal problema. O morador da Vila São Pedro, Jadiel Vitor Lourenço da Silva, 17, abandonou os estudos aos 16 anos, quando estava cursando o 9º ano do Ensino Fundamental. “Sofri um acidente e fiquei afastado. Depois que me recuperei, decidi não voltar mais”, comenta. Segundo ele, a situação se repete com sua irmã, de 16 anos, e é comum entre os amigos do bairro.

A professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino comenta que o desinteresse por parte dos adolescentes muito se deve à falta de incentivo por parte da rede pública.

ESTADO

Em relação ao abandono escolar, a Secretaria da Educação do Estado informou que, quando estudante alcança percentual de 20% de faltas em um bimestre, a direção da escola notifica os pais, o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, e propõe ao aluno a compensação de ausência, com a reposição das faltas ao longo do bimestre. Se o jovem atingir o percentual de 25% de ausências, ele é considerado faltoso e pode ser retido por frequência.

Foi salientado ainda que as taxas de abandono escolar caíram desde os anos 80. A média de evasão baixou de 12,1% no Ensino Fundamental e de 26,5% no Ensino Médio em 1986 para, respectivamente, 1,6% e 5,8%, conforme dados do Censo Escolar 2011.

 

Entre as crianças e jovens, 61% estão no Ensino Fundamental

O Grande ABC tem atualmente 529.611 alunos com idade entre zero e 17 anos matriculados na rede de ensino. A maior parte da população escolar se concentra no Ensino Fundamental – 61%. Em comparação com dados do Censo de 2000, esse número é 0,7% menor, no entanto, a população escolar nesta faixa etária também diminuiu 11,7%.

Cerca de 104 mil estudantes da região estão matriculados no Ensino Médio (15 a 17 anos), 59 mil no Ensino Infantil (4 e 5 anos) e quase 40 mil frequentam creches.

Ainda de acordo com o Censo 2010 do IBGE, a região ainda possui 66.072 analfabetos, o que corresponde a 0,38% da população total – 2,5 milhões. No entanto, o número é pequeno se comparado com o índice nacional, que é de 9,8%.

Entre os sete municípios, São Caetano tem o melhor desempenho, com taxa de 1,6% de analfabetos, ou 1.955 pessoas. Rio Grande da Serra tem o pior resultado na região, com 5,4% dos habitantes que não sabem ler ou escrever.

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