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Racha obriga Lula a adiar ministério
06/12/2002 | 00:37
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Depois de prometer o anúncio da equipe ministerial para esta sexta-feira, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PT viram-se forçados a mais um adiamento da divulgação, por questões técnicas e, especialmente, políticas. Além da dificuldade para fechar a lista do presidente e das seis diretorias do Banco Central (BC), Lula enfrenta o desafio de obter o apoio institucional do PMDB a partir da montagem do ministério.

Mais do que o perfil técnico ideal para comandar o BC, o que inferniza a vida de Lula é o eterno racha do PMDB, partido que o futuro governo considera estratégico para garantir a sustentação política no Congresso – terá 74 deputados e 20 senadores. Por isso é que o PT está disposto até a dar dois ministérios para os pemedebistas: um para a ala rebelde, liderada pelo senador José Sarney (AP) e pelo governador eleito do Paraná, Roberto Requião, e outra para os atuais governistas, unidos em torno do presidente nacional do partido, Michel Temer (SP). Isto sem falar da presidência do Senado, que segundo os petistas, será mesmo do PMDB. Mas nem tamanha generosidade resolveu o problema de Lula.

O ideal para o PT é que as duas facções do PMDB chegassem a um nome de consenso, que pudesse representar todo o partido no governo. "Mas nós não temos hoje consenso interno para nada", confessava, desolado, o senador Amir Lando (PMDB-RO), candidato a ministro. O temor de Lando é de que, na falta de um consenso, sobrem apenas "migalhas" para o PMDB.

O PT, porém, garante que o PMDB terá lugar de destaque, o que poderá incluir o senador José Sarney (PMDB-AP) entre as "gratas surpresas" que a cúpula petista quer reservar para anúncio do ministério. No cenário construído pela cúpula do PT para atrair o PMDB à base de apoio, Sarney poderia ocupar o Ministério da Defesa, cabendo aos governadores eleitos Luiz Henrique da Silveira (SC) e Germano Rigotto (RS) a indicação do nome do ministro que contemplaria os governistas. Com isso, o próprio PT se encarregaria de abrir caminho para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chegar à presidência do Senado.

"Se o presidente Lula fez acordos pré-eleitorais que a nação desconhece para conseguir apoio de facções do PMDB, que pague a fatura, mas não a debite na conta do partido", afirma o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), expoente da ala que, ao menos neste primeiro momento, diz que recusa cargos no governo. "O que o PMDB espera é que se apresente uma agenda mínima para que possamos nos manifestar sem fisiologismos", acrescenta Geddel, descrente do surgimento de um nome de consenso que possa representar o partido no ministério. "Se Lula quer um nome que una a ala fisiológica com a que não quer cargos (a dele), pode filiar Jesus Cristo."

Se a confusão no PMDB é grande, nos outros setores, a montagem do ministério caminha bem. Mais dois nomes foram confirmados nesta quinta-feira nos bastidores para a equipe de Lula: o embaixador do Brasil no Reino Unido, Celso Amorim, será o ministro das Relações Exteriores, e o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, o ministro da Justiça. Bastos disse que não fora convidado. Mas, no caso de ser chamado, aceitaria.




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