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Anfavea defende mercado ‘recíproco’


Lana Pinheiro
Do Diário do Grande ABC

15/08/2006 | 08:05


Redução de tarifas sim, desde que seja atrelada à reciprocidade de outro mercado. Foi assim que Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) definiu a política da entidade diante de possibilidade de abertura do mercado brasileiro à importação de carros de outros países.

Segundo o dirigente, a indústria “não abrirá mão de nenhum ponto percentual do tributo de importação de maneira unilateral”. Com a declaração, Golfarb coloca ponto final a rumores de que a entidade estava defendendo a redução de maneira gradual do imposto que hoje é de 35%. A taxa é considerada alta demais e desagrada alguns setores da indústria, principalmente a Abeiva (Associação Brasileira de Importadores de Veículos Automotores).

Mas a postura da entidade não é radical e nem pode ser. Os 35% são negociáveis, avisa, desde que inseridos no contexto de relações comerciais bilaterais ou em alguns casos mais amplos, como a Rodada Doha. “Participar da discussão de Doha é prova disso”, resumiu Golfarb. Com o México, por exemplo, a partir do ano que vem o imposto deve ser eliminado criando-se relação de livre comércio.

Outros acordos internacionais estão em discussão e também exigirão revisão, para baixo, da tarifa. Um dos mais complicados é com a União Européia. As conversas estavam avançadas até que com o início da Rodada Doha foram deixadas de lado. Afinal o diálogo não faria sentido, já que Doha deveria reduzir os tributos de importação não só do Brasil, mas do mundo.

Com o fracasso eminente de Doha, União Européia e Brasil voltam a se olhar. Calendário de reuniões ainda não existe, mas os contatos já começaram a ser reestabelecidos. Em breve, representantes das duas regiões devem começar a se encontrar e os 35% certamente voltarão para a pauta.

Além do óbvio – Conversas com outras regiões como Índia e África do Sul também estão em curso. Com a África, explica Golfarb, existe uma pré-disposição de reduzir as taxas em proporção maior do que eles próprios farão. Vale lembrar, no entanto, que os interesses do Brasil e da indústria automotiva com o país africano é muito maior do que a simples venda e compra de carros.

Conforme antecipado pelo Diário, no próximo dia 24 de agosto, uma comissão composta por representantes do governo brasileiro, indústria automotiva e de todos os elos da cadeia sucroalcooleira pegarão avião de São Paulo rumo a Johanesburgo. Lá se encontrarão com o governo local e empresários para apresentar todo o processo produtivo do etanol.

A iniciativa inédita é o primeiro passo para tentar despertar o interesse de outros países pela produção do combustível de cana-de-açúcar. Só com a produção disseminada, o Brasil conseguirá cumprir o desejo de ver seu álcool transformado em commoditie internacional. Dado esse passo, a indústria automotiva transforma o mundo em mercado potencial para a tecnologia bicombustível.

Doha – Apesar de muitos especialistas já considerarem a Rodada Doha um grande fracasso, Rogelio Golfarb prefere aguardar mais algum tempo para dar seu parecer final. “As negociações estão difíceis. Mas acho que ainda existe uma pequena chance de novas conversas acontecerem”.

Caso os analistas estejam certos e a negociação não ande mais, Golfarb defende que “pelo menos os avanços que foram obtidos sejam mantidos, afinal, as discussões já estavam bastante avançadas”. O receio é, como usual, zerar o diálogo e numa próxima rodada começar os debates com o papel vazio.



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Anfavea defende mercado ‘recíproco’

Lana Pinheiro
Do Diário do Grande ABC

15/08/2006 | 08:05


Redução de tarifas sim, desde que seja atrelada à reciprocidade de outro mercado. Foi assim que Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) definiu a política da entidade diante de possibilidade de abertura do mercado brasileiro à importação de carros de outros países.

Segundo o dirigente, a indústria “não abrirá mão de nenhum ponto percentual do tributo de importação de maneira unilateral”. Com a declaração, Golfarb coloca ponto final a rumores de que a entidade estava defendendo a redução de maneira gradual do imposto que hoje é de 35%. A taxa é considerada alta demais e desagrada alguns setores da indústria, principalmente a Abeiva (Associação Brasileira de Importadores de Veículos Automotores).

Mas a postura da entidade não é radical e nem pode ser. Os 35% são negociáveis, avisa, desde que inseridos no contexto de relações comerciais bilaterais ou em alguns casos mais amplos, como a Rodada Doha. “Participar da discussão de Doha é prova disso”, resumiu Golfarb. Com o México, por exemplo, a partir do ano que vem o imposto deve ser eliminado criando-se relação de livre comércio.

Outros acordos internacionais estão em discussão e também exigirão revisão, para baixo, da tarifa. Um dos mais complicados é com a União Européia. As conversas estavam avançadas até que com o início da Rodada Doha foram deixadas de lado. Afinal o diálogo não faria sentido, já que Doha deveria reduzir os tributos de importação não só do Brasil, mas do mundo.

Com o fracasso eminente de Doha, União Européia e Brasil voltam a se olhar. Calendário de reuniões ainda não existe, mas os contatos já começaram a ser reestabelecidos. Em breve, representantes das duas regiões devem começar a se encontrar e os 35% certamente voltarão para a pauta.

Além do óbvio – Conversas com outras regiões como Índia e África do Sul também estão em curso. Com a África, explica Golfarb, existe uma pré-disposição de reduzir as taxas em proporção maior do que eles próprios farão. Vale lembrar, no entanto, que os interesses do Brasil e da indústria automotiva com o país africano é muito maior do que a simples venda e compra de carros.

Conforme antecipado pelo Diário, no próximo dia 24 de agosto, uma comissão composta por representantes do governo brasileiro, indústria automotiva e de todos os elos da cadeia sucroalcooleira pegarão avião de São Paulo rumo a Johanesburgo. Lá se encontrarão com o governo local e empresários para apresentar todo o processo produtivo do etanol.

A iniciativa inédita é o primeiro passo para tentar despertar o interesse de outros países pela produção do combustível de cana-de-açúcar. Só com a produção disseminada, o Brasil conseguirá cumprir o desejo de ver seu álcool transformado em commoditie internacional. Dado esse passo, a indústria automotiva transforma o mundo em mercado potencial para a tecnologia bicombustível.

Doha – Apesar de muitos especialistas já considerarem a Rodada Doha um grande fracasso, Rogelio Golfarb prefere aguardar mais algum tempo para dar seu parecer final. “As negociações estão difíceis. Mas acho que ainda existe uma pequena chance de novas conversas acontecerem”.

Caso os analistas estejam certos e a negociação não ande mais, Golfarb defende que “pelo menos os avanços que foram obtidos sejam mantidos, afinal, as discussões já estavam bastante avançadas”. O receio é, como usual, zerar o diálogo e numa próxima rodada começar os debates com o papel vazio.

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