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A (falsa) beleza da juventude

Uma bobagem, dizem os jornalistas amestrados: por que se preocupar com uma foto que saiu num site?


Carlos Brickmann

28/04/2010 | 00:00


Uma bobagem, dizem os jornalistas amestrados: por que se preocupar com uma foto que saiu num site?
Não, não é uma bobagem. Em primeiro lugar, porque o site que publicou a foto de Norma Bengell como se fosse a de Dilma Rousseff é o site de Dilma. A foto da Passeata dos 100 mil, um protesto contra a ditadura militar ocorrido no Rio em 1968, foi cuidadosamente escolhida para esconder a falsidade: das cinco atrizes que marchavam juntas, Eva Wilma, Norma Bengell, Odete Lara, Tônia Carrero e Ruth Escobar, só Norma tinha o penteado parecido com a das fotos reais de Dilma. A foto foi recortada e misturada com as reais. Mentira deliberada.
E não é o primeiro caso. Já houve o estranho evento do mestrado que não era mestrado, do doutorado que não era doutorado. Já ocorreu o episódio Lina Vieira, a secretária da Receita Federal, aquela da reunião que houve mas não houve; já ocorreu o episódio do dossiê contra Ruth Cardoso, que se transformou em "banco de dados" (e para que o governo federal abriria um banco de dados a respeito da mulher de um ex-presidente da República?) Há agora mais um atropelamento dos fatos: a candidata atribuiu "ao sucesso do PAC" o funcionamento dos aeroportos brasileiros apesar do vulcão islandês. Poderia ter dito a verdade: não há correntes de vento da Europa para cá. E nossos aeroportos não precisam de vulcões islandeses para fechar. Param de funcionar sem necessidade disso.
Norma Bengell, lembre. Linda. Foi ela que fez sucesso com Os Cafajestes.

VISÃO MAIS AMPLA
Se Dilma Rousseff usou a foto da maravilhosa Norma Bengell como se fosse sua, os outros candidatos ficam liberados para melhorar sua imagem na propaganda. José Serra, por exemplo, poderia usar as fotos de um artista-político que compartilha seu aspecto saudável e musculoso, como Arnold Schwarzenegger. Marina Silva talvez prefira uma morena delicada, de aspecto frágil e maneiras contidas, como, digamos, Vera Fischer. Mas Dilma continua levando vantagem: se usar as imagens de Chuck, ninguém vai descobrir a diferença.

A HORA DA FICHA LIMPA
Fique atento para a reunião de hoje da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara: estará em votação o projeto dos ficha-limpa, que proíbe a candidatura de cidadãos condenados em segunda instância, mesmo que ainda caiba recurso. Considerando-se que o compromisso básico de cada político é com a própria sobrevivência, uma coisa é certa: do jeito que está, o projeto não passa. Com modificações que o tornem bem mais inofensivo, talvez consiga passar.

DEFICIENTE É GENTE
Duas cenas urbanas (e degradantes), uma cena urbana que é tudo de bom:
1 - Em Porto Alegre, o empresário Leo Mainardi, pai de uma moça que só anda em cadeira de rodas, foi agredido com uma barra de ferro pelo comerciante Rudicir Fernandes de Freitas, que usava indevidamente uma vaga de estacionamento para deficientes. Mainardi foi operado para retirar um coágulo do cérebro e levou 11 pontos na testa.
2 - No Rio, Regina Cohen, também cadeirante, deixou o carro numa vaga para deficientes. Quando voltou, havia outro carro estacionado em cima da rampa de acesso à vaga e bloqueando a porta. Quando o infrator foi localizado, insultou a moça, gritou com ela e com os que tentaram defendê-la e saiu xingando.
3 - Em São Paulo, a jornalista Regina Helena de Paiva Ramos, idosa e usando bengala, após delicada operação no joelho, teve sua entrada numa vaga para idosos bloqueada por um carro que entrou antes cheio de jovens, que a ridicularizaram. Mas Regina Helena é brava: desceu com a bengala, bateu nos rapazes e ameaçou quebrar seu carro. Eles preferiram fugir para uma vaga mais segura.

ÁGUA NO FRANGO
Agir delicadamente não bastou: dois anos após a sentença judicial que determinou maior fiscalização na venda de frango congelado com excessiva quantidade de água, o Ministério Público pediu a intimação dos ministros da Agricultura e Planejamento. Ou eles mandam fiscalizar ou dizem por que não fiscalizam.



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A (falsa) beleza da juventude

Uma bobagem, dizem os jornalistas amestrados: por que se preocupar com uma foto que saiu num site?

Carlos Brickmann

28/04/2010 | 00:00


Uma bobagem, dizem os jornalistas amestrados: por que se preocupar com uma foto que saiu num site?
Não, não é uma bobagem. Em primeiro lugar, porque o site que publicou a foto de Norma Bengell como se fosse a de Dilma Rousseff é o site de Dilma. A foto da Passeata dos 100 mil, um protesto contra a ditadura militar ocorrido no Rio em 1968, foi cuidadosamente escolhida para esconder a falsidade: das cinco atrizes que marchavam juntas, Eva Wilma, Norma Bengell, Odete Lara, Tônia Carrero e Ruth Escobar, só Norma tinha o penteado parecido com a das fotos reais de Dilma. A foto foi recortada e misturada com as reais. Mentira deliberada.
E não é o primeiro caso. Já houve o estranho evento do mestrado que não era mestrado, do doutorado que não era doutorado. Já ocorreu o episódio Lina Vieira, a secretária da Receita Federal, aquela da reunião que houve mas não houve; já ocorreu o episódio do dossiê contra Ruth Cardoso, que se transformou em "banco de dados" (e para que o governo federal abriria um banco de dados a respeito da mulher de um ex-presidente da República?) Há agora mais um atropelamento dos fatos: a candidata atribuiu "ao sucesso do PAC" o funcionamento dos aeroportos brasileiros apesar do vulcão islandês. Poderia ter dito a verdade: não há correntes de vento da Europa para cá. E nossos aeroportos não precisam de vulcões islandeses para fechar. Param de funcionar sem necessidade disso.
Norma Bengell, lembre. Linda. Foi ela que fez sucesso com Os Cafajestes.

VISÃO MAIS AMPLA
Se Dilma Rousseff usou a foto da maravilhosa Norma Bengell como se fosse sua, os outros candidatos ficam liberados para melhorar sua imagem na propaganda. José Serra, por exemplo, poderia usar as fotos de um artista-político que compartilha seu aspecto saudável e musculoso, como Arnold Schwarzenegger. Marina Silva talvez prefira uma morena delicada, de aspecto frágil e maneiras contidas, como, digamos, Vera Fischer. Mas Dilma continua levando vantagem: se usar as imagens de Chuck, ninguém vai descobrir a diferença.

A HORA DA FICHA LIMPA
Fique atento para a reunião de hoje da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara: estará em votação o projeto dos ficha-limpa, que proíbe a candidatura de cidadãos condenados em segunda instância, mesmo que ainda caiba recurso. Considerando-se que o compromisso básico de cada político é com a própria sobrevivência, uma coisa é certa: do jeito que está, o projeto não passa. Com modificações que o tornem bem mais inofensivo, talvez consiga passar.

DEFICIENTE É GENTE
Duas cenas urbanas (e degradantes), uma cena urbana que é tudo de bom:
1 - Em Porto Alegre, o empresário Leo Mainardi, pai de uma moça que só anda em cadeira de rodas, foi agredido com uma barra de ferro pelo comerciante Rudicir Fernandes de Freitas, que usava indevidamente uma vaga de estacionamento para deficientes. Mainardi foi operado para retirar um coágulo do cérebro e levou 11 pontos na testa.
2 - No Rio, Regina Cohen, também cadeirante, deixou o carro numa vaga para deficientes. Quando voltou, havia outro carro estacionado em cima da rampa de acesso à vaga e bloqueando a porta. Quando o infrator foi localizado, insultou a moça, gritou com ela e com os que tentaram defendê-la e saiu xingando.
3 - Em São Paulo, a jornalista Regina Helena de Paiva Ramos, idosa e usando bengala, após delicada operação no joelho, teve sua entrada numa vaga para idosos bloqueada por um carro que entrou antes cheio de jovens, que a ridicularizaram. Mas Regina Helena é brava: desceu com a bengala, bateu nos rapazes e ameaçou quebrar seu carro. Eles preferiram fugir para uma vaga mais segura.

ÁGUA NO FRANGO
Agir delicadamente não bastou: dois anos após a sentença judicial que determinou maior fiscalização na venda de frango congelado com excessiva quantidade de água, o Ministério Público pediu a intimação dos ministros da Agricultura e Planejamento. Ou eles mandam fiscalizar ou dizem por que não fiscalizam.

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