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Eixo Tamanduatehy: uma avenida sem padrinhos


Ademir Medici
Especial para o Diário

13/04/1999 | 00:28


Diferentemente das rodovias estaduais que cortam o Grande ABC - Anchieta, Imigrantes e mesmo a Indio Tibiriçá - a avenida dos Estados nao possui um dono político. Nao há uma placa de inauguraçao.

Ela foi construída por etapas, como uma verdadeira colcha de retalhos, seguindo a industrializaçao de seu entorno e conforme a necessidade. Diferente, até, de vias locais importantes como a antiga Presidente Wilson, que interliga Santo André a Sao Paulo, cortando Sao Caetano e recebendo hoje outros nomes, avenida Dom Pedro II e avenida Goiás.  

Pode-se afirmar que a via tem suas origens históricas no quinhentismo ou mesmo antes, quando o Brasil nem havia sido descoberto. Há relatos de que ao longo do rio sempre existiram caminhos ou trilhas indígenas. Num período mais contemporâneo, que coincide com a chegada das primeiras grandes indústrias - o que se dá na última década do século XIX - os olhos dos empresários voltam-se para estas trilhas, que começam a receber os primeiros melhoramentos de forma segmentada.  

A verdade é que a avenida nasceu sem qualquer planejamento global. O resultado nao poderia ser outro: uma série de problemas, desde as enchentes cíclicas que sempre a atingiram até os gravíssimos acidentes registrados em vários momentos.  

Nas plantas do município de Santo André no início da década de 40 - quando a cidade abrangia toda a regiao - a avenida dos Estados é indicada como avenida Marginal, sempre acompanhando o leito direito do rio Tamanduateí, entre as proximidades da Rhodiaseta (hoje Rhodia Têxtil) e a Vila Prosperidade (hoje integrante da malha urbana de Sao Caetano).  

A avenida Marginal nao era calçada, a exemplo das demais vias públicas da regiao, à exceçao da rua Marechal Deodoro, em Sao Bernardo, calçada em 1931, e alguns pontos centrais de vias urbanas do Centro de Santo André.  Apesar das grandes indústrias que chegavam, Santo André e regiao constituíam-se num subúrbio pobre de Sao Paulo. Destacavam-se os centros das cidades e a grande quantidade de loteamentos semeados.  

No caso de Santo André, já estavam delineados bairros que se transformariam em tradicionais como Casa Branca, Vila Bastos, Vila Curuçá, Parque das Naçoes, Jardim, Campestre, Vila Metalúrgica e Vila Esplendor (hoje Camilópolis).  Duas leis de regulamentaçao das denominaçoes de alamedas, avenidas, ruas e praças, editadas em 1929 e 1939, nada falam acerca da avenida dos Estados.   Em 1953, quando o médico e historiador Octaviano Gaiarsa publica o Guia da Cidade de Santo André, a avenida dos Estados aparece localizada no centro de Santo André, calçada apenas entre a mesma Rhodiaseta citada e a entrada de Vila Santa Terezinha. Mas seguia sem calçamento em alguns trechos até Sao Caetano e dali até Sao Paulo.  

A avenida dos Estados foi crescendo por trechos, tanto em Santo André como em Sao Caetano, e a partir da pista que acompanha o lado direito do rio Tamanduateí. No caso de Santo André, o primeiro trecho calçado ganhou pavimentaçao, em paralelepípedos, no final dos anos 40, no governo do prefeito Antonio Flaquer. A retificaçao do rio Tamanduatei - outrora repleto de curvas - só ocorre no início dos anos 60.  

A avenida dos Estados só vai chegar a Capuava, em Mauá, no começo dos anos 70. Esta segmentaçao da obra talvez ajude a explicar o descaso com a via, que nunca foi pleiteada como obra deste ou daquele governo.Projeto metropolitano - Há pouco mais de 20 anos, a antiga Emplasa (Empresa Metropolitana de Planejamento S/A) e a Secretaria dos Negócios Metropolitanos desenvolviam projeto para transformar a avenida dos Estados em um corredor viário com rápido escoamento de tráfego.  

O projeto chamava a via de Marginal do Tamanduateí e a idéia era prolongá-la até Rio Grande da Serra. Seria uma grande via metropolitana, entre o bairro de Santana, na Zona Norte de Sao Paulo, passando pelo Centro da Capital, Mooca, Ipiranga, Sao Caetano, Santo André, Mauá, Ribeirao Pires e chegando a Rio Grande da Serra.  

O projeto nunca foi desenvolvido. As melhorias, no trecho existente de Sao Caetano e Santo André, vieram nestes últimos três anos, o que coincide com a campanha SOS Avenida dos Estados, defraglada pelo Diário em 7 de janeiro de 1996.

Ao lançar a campanha, o Diário iniciava, na prática, aquilo que geraçoes passadas de políticos e administradores deveriam ter feito: pensar a via de maneira global, com uma planificaçao mínima, respeitando o espaço do rio Tamanduateí e garantindo a segurança de pedestres e motoristas, oferecendo ao investidor ou mesmo ao morador condiçoes mínimas de qualidade de vida.

Agora, a apresentaçao pública dos quatro projetos para o eixo metropolitano da avenida dos Estados, em Santo André, torna-se fundamental no resgate de antigas propostas, muitas vezes anunciadas, aplicadas parcialmente ou mesmo esquecidas.* Ademir Medici é colunista do Diário.



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