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Brasil terá de negociar cota de carne na OMC, dizem EUA


Do Diário do Grande ABC

28/10/1999 | 14:23


O Brasil nao terá uma cota específica para exportaçao de carnes in natura para os Estados Unidos dentro de um curto espaço de tempo, como desejado pelo Ministério da Agricultura. A aprovaçao, por parte do governo norte-americano, do sistema brasileiro de controle de risco de doenças permitirá, inicialmente, que o Brasil dispute uma participaçao dentro da cota anual de 65 mil toneladas de exportaçoes estabelecida para que alguns países possam vender as carnes frescas no mercado dos Estados Unidos.

"Se o Brasil quiser uma cota específica, após a aprovaçao de suas exportaçoes, ele terá de fazer como a Argentina e negociar esta cota durante a próxima reuniao da Organizaçao Mundial do Comércio (OMC)", disse nesta quinta-feira o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos, Richard Rominger.

O ministro da Agricultura do Brasil, Pratini de Moraes, insiste que o assunto deve ser tratado em negociaçoes bilaterias e nao durante a reuniao da OMC - a Rodada do Milênio - que acontece a partir do fim de novembro em Seattle (EUA). Rominger, no entanto, considera a Rodada do Milênio como o ambiente perfeito para estas negociaçoes.

"Durante a reuniao da OMC, nós manteremos diversos contatos com diferentes países e, com isto, nós poderemos balancear vários assuntos; mas é claro que as negociaçoes serao feitas de forma bilateral", disse o vice-ministro de Agricultura dos Estados Unidos, que participa em Salvador da décima reuniao ordinária da Junta Interamericana de Agricultura, evento promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperaçao para a Agricultura (Iica).

Rominger lembrou que a única definiçao estabelecida pelo governo norte-americano é o volume máximo anual de exportaçoes de carne fresca desta cota - 65 mil toneladas. "O que chegar primeiro venderá primeiro", disse.

Rominger lembrou que, nos últimos dois anos, pouco mais de um terço da cota foi realmente exportado para os Estados Unidos. O sub-secretário para Assuntos Internacionais do Departamento Americano de Agricultura (Usda), James Schroeder, que também participa em Salvador da reuniao da Junta Interamericana de Agricultura, ressaltou que o governo brasileiro poderá buscar a definiçao de uma cota específica paralelamente à entrada na cota comum, caso tenha o sistema de controle aprovado pelo governo dos Estados Unidos.

Em contrapartida, Rominger afirmou que os norte-americanos irao querer uma maior colocaçao de trigo no Brasil. "Temos outras classes de trigo que poderemos começar a exportar para cá", disse. Atualmente, os Estados Unidos exportam apenas trigo duro para o Brasil.

A posiçao a ser defendida pelos Estados Unidos durante a Rodada do Milênio deve ser respaldada pelos demais países do continente americano. A opiniao é de Rominger. "Eu acho que a posiçao dos Estados Unidos em diversos assuntos será apoiada por outros países", lembra Rominger.

Entre as metas definidas pelo governo norte-americano para serem defendidas durante a reuniao, estao a reduçao dos subsídios às exportaçoes praticados pelos países da Uniao Européia (UE) e o maior acesso aos mercados.

Rominger lembra, no entanto, que os países europeus e o Japao devem se posicionar contrários a esta idéia de reduzir os subsídios. "A Uniao Européia e o Japao nao querem muito progresso nesta questao", frisou. Rominger lembrou que cerca de 85% de todo o subsídio existente no mundo para exportaçao de produtos agrícolas estao concentrado nos países europeus.

De qualquer forma, o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos lembra que as negociaçoes no âmbito da OMC devem levar cerca de três anos para serem concluídas e outros seis a dez anos para a adoçao das mudanças acertadas.

O interesse dos Estados Unidos, em termos de expansao de exportaçoes, está concentrado no aumento da colocaçao de soja, milho, frutas e outros vegetais no mercado global de produtos agrícolas.



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