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Alcoolismo lidera internações no país


Raymundo de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

13/10/2001 | 15:13


A dependência alcóolica está por trás de mais de dois terços das internações por psicotrópicos em clínicas e centros de tratamento psiquiátricos, apesar de ter perdido terreno nas estatísticas para outras drogas na última década, principalmente cocaína e crack. Levantamento do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas), feito em 726.429 fichas de internações psiquiátricas registradas no Brasil entre 1988 e 1999, mostra que há dois anos o álcool foi a causa de 84,4% das internações. Em 1988, a bebida aparecia como responsável por 95,3% das internações.

No mesmo período, a participação de outras drogas subiu de 4,7% (1988) para 15,6% (1999). Cocaína e derivados, como o crack, tiveram o maior crescimento entre as drogas que motivaram internações psiquiátricas no Brasil e passaram de 0,8%, em 1988, para 4,6%, em 1999.

De acordo com a farmacêutica Ana Regina Noto, 35 anos, pesquisadora do Cebrid que trabalhou no levantamento, a diminuição no índice de alcoolismo como causa das internações não significa queda da incidência desse problema na população. “Os casos de alcoolismo continuam altos e crescentes. As ocorrências com outras drogas é que também têm aumentado nos últimos anos”, disse.

Segundo ela, o alcoolismo no Brasil é um problema preocupante e faltam definições de políticas públicas mais eficientes na prevenção e também na proibição de bebidas para menores de 18 anos. “A lei proíbe, mas não é cumprida.” Além da pesquisa sobre as internações psiquiátricas, o Cebrid, órgão do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, realizou em 1999 o primeiro levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas nas 24 cidades paulistas com mais de 200 mil habitantes, entre elas quatro do Grande ABC – Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá –, e constatou que 6,6% da população é dependente de álcool, o que corresponde a cerca de 1 milhão de pessoas. O índice de dependência nos homens, constatado na pesquisa, foi de 10,9% e, nas mulheres, de 2,5%. O levantamento registrou que 53,2% da população pesquisada já tomou algum tipo de bebida alcoólica na vida, resultado inferior ao verificado no Chile (83,6%), nos Estados Unidos (81,3%) e maior do que o encontrado na Colômbia (35,5%).

C.B., 26 anos, está internado há dois meses no Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo, para tentar se livrar das dependências de álcool e cocaína. Morador na região, ele afirma que aos 12 anos tomou seu primeiro porre e aprendeu a beber. Além da bebida, C. passou a usar também cocaína. Por causa da bebida e de outras drogas, interrompeu os estudos no penúltimo ano do ensino regular, teve o casamento terminado e acabou na clínica para recuperação de dependentes químicos.

C. trabalha em uma empresa na região e foi encaminhado para tratamento no Bezerra de Menezes por meio de convênio médico. Ele afirma que teve dificuldades em aceitar o fato de ser considerado doente por causa da dependência química, requisito básico para iniciar o tratamento psiquiátrico.



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