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Eixo Tamanduatehy: o vale no papel


Ricardo Ditchun
Da Redaçao  

13/04/1999 | 00:17


Os arquitetos e urbanistas Jordi Borja, da Espanha, e Raquel Rolnik, do Brasil, sao os consultores do projeto Eixo Tamanduatehy. Em funçao de afinidades profissionais e do trânsito que eles têm com seus pares em vários países, a Prefeitura de Santo André fez o convite para que ambos formassem os grupos responsáveis pelos quatro estudos de redesenho urbano da avenida dos Estados.  

Borja, que realizou uma série de visitas a Santo André no segundo semestre de 1997, afirma que a cidade vive um processo de mudança: "A perda da atividade industrial é o principal fenômeno experimentado por Santo André atualmente. Junto com isso, ocorre, também, a crise do emprego. O que importa, de agora em diante, é descobrir novas possibilidades. É nao ficar lamentando uma situaçao, mas aproveitar o novo potencial que ela carrega consigo".  

De acordo com o consultor, os trabalhos apresentados pelos grupos partem do fato de a cidade ocupar uma posiçao geográfica estratégica na regiao metropolitana. "Santo André abriga uma importante ligaçao do Grande ABC com Sao Paulo e, também, com o principal aeroporto internacional do Estado. O que se pretende com o projeto Eixo Tamanduatehy, no fundo, é conferir dinamismo a uma via que nao pode ser apenas um lugar de passagem. Tem de ser um lugar público bonito e bem aproveitado, pois é um equipamento estratégico para o planejamento futuro da cidade", afirma.  

Formado em direito, ciências políticas, geografia, sociologia e urbanismo, Borja é um dos principais pensadores do planejamento urbano da Europa. Suas atividades incluem aulas, projetos de urbanismo, planejamento estratégico e informaçoes para reforma político-administrativa de cidades. Entre outros, atua em países como França, Itália e Espanha.

Na América Latina, o urbanista participa da preparaçao de planos estratégicos para cidades do Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, Venezuela, Uruguai e Paraguai. Também no Brasil, trabalha como assessor para projetos de recuperaçao de centros históricos de Recife, Salvador, Sao Paulo e Brasília.  

O vínculo de Raquel com Borja e com a questao do Eixo Tamanduatehy teve início quando ela respondeu como diretora do Departamento de Planejamento da Prefeitura de Sao Paulo entre 1989 e 1992. "Desde aquele período, avaliando e analisando, como urbanista, a cidade de Sao Paulo, ficou muito claro que os vetores Leste e Sudeste (Grande ABC), extremamente importantes para estruturar a metrópole, sempre foram entendidos apenas como lugar do trabalho."  

Esta situaçao, na análise da urbanista, é a origem de todos os males da Grande Sao Paulo: "Em funçao dessa estrutura, as pessoas ficam obrigadas a um deslocamento cotidiano do Leste-Sudeste em relaçao ao Centro e vice-versa. Quem mora no Grande ABC sabe disso. Ou seja, sabe dos congestionamentos.

Além do mais, do ponto de vista da qualidade de vida, a situaçao é precária, pois constitui-se nao-cidades vinculadas a cidades. No fim, tudo fica nao-cidades, por causa da deterioraçao. A explicaçao é o próprio perfil atual do Grande ABC, um dos mercados mais potentes da regiao metropolitana. É importante, ainda, o fato de esta regiao abrigar hectares e hectares de áreas subutilizadas ou ociosas.

Assim, o potencial de transformaçao de uso do Eixo Tamanduatehy é imenso", afirma.  Raquel é arquiteta, urbanista e filósofa. Seu mestrado, título obtido na USP (Universidade de Sao Paulo), versa sobre o início da industrializaçao paulistana e suas conseqüências. No doutorado, defendido na New York University, Raquel investigou as raízes legais que determinaram a política urbana paulistana no período 1886-1936.

A urbanista também é professora e consultora em política habitacional e urbana. Nesta área, trabalhou para a Cidade do México (junto com Borja), Natal, Campo Grande, Belo Horizonte, Goiânia, Recife, Brasília, Sao José dos Campos, Ribeirao Preto, Ribeirao Pires, Rio Claro, Montevidéu (Uruguai), entre outros.



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