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Ex-presidente da Indonésia será julgado por corrupçao na 5ª


Do Diário do Grande ABC

29/08/2000 | 10:25


O ex-Presidente indonésio Suharto deve ser julgado nesta quinta-feira por corrupçao, mas o homem que um dia chegou a ser um dos mais poderosos dirigentes do Sudeste asiático nao deve terminar sua vida na prisao, ao final de um processo histórico.

Aos 79 anos, o acusado Suharto nao é mais que a sombra do orgulhoso chefe de Estado que dirigiu este país com maos de ferro até sua queda, em 1998, num ambiente de distúrbios e crise econômica.

A Justiça indonésia convocou Suharto, mas sua presença na audiência nao é certa.

Uma equipe de médicos se pronunciará sobre seu estado de saúde antes do início do processo, na quinta-feira.

Suharto nao está em condiçoes de comparecer devido a seqüelas neurológicas irreversíveis, depois de um ataque cardíaco no ano passado, afirmam seus advogados.

O ex-Presidente tem dificuldades para falar, perdas de memória e nao consegue se expressar, segundo a defesa.

Suharto é acusado de mau uso de US$ 571 milhoes em fundos públicos, através de fundaçoes de caridade fictícias, em benefício de amigos e familiares e pode ser condenado à prisao perpétua.

De qualquer modo, o Presidente Abdurrahman Wahid, primeiro presidente eleito democraticamente na Indonésia, já anunciou que daria um indulto a Suharto, se ele fosse condenado.

A realizaçao deste julgamento, que a defesa tentava adiar há dois anos, constitui a primeira vitória para a Justiça indonésia.

As acusaçoes haviam sido abandonadas durante a presidência de Habibie, que sucedeu Suharto depois de sua renúncia e o caso acabou sendo reaberto pelo presidente Wahid, eleito em outubro.

O processo se refere apenas à malversaçao (mau uso) de verbas no caso das entidades de caridade. Os promotores reconhecem que o desvio de verbas pode ser muito maior, mas ao mesmo tempo sustenta que se o caso for centrado no tema, ficará mais difícil para a defesa do ex-presidente livrá-lo da condenaçao.

Alguns meios reformistas e os estudantes radicais exigiram em vao que Suharto seja também julgado por violaçao dos direitos humanos, principalmente no Timor Leste, cuja invasao ele ordenou em 1975.

Em 25 anos, 200 mil pessoas - quase a quarta parte da populaçao do território- morreram devido à repressao ou à fome nos períodos de concentraçao forçada da populaçao.

Apesar de Suharto ter desaparecido da vida pública, representantes políticos questionam a responsabilidade oculta de seus partidários na continuaçao da violência em várias regioes, estratégia que estaria destinada a minar o processo democrático.

Amigos e personalidades que o visitaram em sua residência no centro de Jacarta há alguns meses contaram que o velho ex-Presidente afirmou nao se arrepender de nada e disse que continuava convencido de sempre ter trabalhado pelo bem de seu país.



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Ex-presidente da Indonésia será julgado por corrupçao na 5ª

Do Diário do Grande ABC

29/08/2000 | 10:25


O ex-Presidente indonésio Suharto deve ser julgado nesta quinta-feira por corrupçao, mas o homem que um dia chegou a ser um dos mais poderosos dirigentes do Sudeste asiático nao deve terminar sua vida na prisao, ao final de um processo histórico.

Aos 79 anos, o acusado Suharto nao é mais que a sombra do orgulhoso chefe de Estado que dirigiu este país com maos de ferro até sua queda, em 1998, num ambiente de distúrbios e crise econômica.

A Justiça indonésia convocou Suharto, mas sua presença na audiência nao é certa.

Uma equipe de médicos se pronunciará sobre seu estado de saúde antes do início do processo, na quinta-feira.

Suharto nao está em condiçoes de comparecer devido a seqüelas neurológicas irreversíveis, depois de um ataque cardíaco no ano passado, afirmam seus advogados.

O ex-Presidente tem dificuldades para falar, perdas de memória e nao consegue se expressar, segundo a defesa.

Suharto é acusado de mau uso de US$ 571 milhoes em fundos públicos, através de fundaçoes de caridade fictícias, em benefício de amigos e familiares e pode ser condenado à prisao perpétua.

De qualquer modo, o Presidente Abdurrahman Wahid, primeiro presidente eleito democraticamente na Indonésia, já anunciou que daria um indulto a Suharto, se ele fosse condenado.

A realizaçao deste julgamento, que a defesa tentava adiar há dois anos, constitui a primeira vitória para a Justiça indonésia.

As acusaçoes haviam sido abandonadas durante a presidência de Habibie, que sucedeu Suharto depois de sua renúncia e o caso acabou sendo reaberto pelo presidente Wahid, eleito em outubro.

O processo se refere apenas à malversaçao (mau uso) de verbas no caso das entidades de caridade. Os promotores reconhecem que o desvio de verbas pode ser muito maior, mas ao mesmo tempo sustenta que se o caso for centrado no tema, ficará mais difícil para a defesa do ex-presidente livrá-lo da condenaçao.

Alguns meios reformistas e os estudantes radicais exigiram em vao que Suharto seja também julgado por violaçao dos direitos humanos, principalmente no Timor Leste, cuja invasao ele ordenou em 1975.

Em 25 anos, 200 mil pessoas - quase a quarta parte da populaçao do território- morreram devido à repressao ou à fome nos períodos de concentraçao forçada da populaçao.

Apesar de Suharto ter desaparecido da vida pública, representantes políticos questionam a responsabilidade oculta de seus partidários na continuaçao da violência em várias regioes, estratégia que estaria destinada a minar o processo democrático.

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