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Temporais deixam 63 famílias desabrigadas em três cidades

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Deslizamento de terra, vento e chuva afetaram moradores de Santo André, São Bernardo e Mauá; não houve vítimas


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

27/02/2019 | 07:00


 As fortes chuvas que atingiram a região ontem obrigaram pelo menos 63 famílias a desocupar suas casas em três cidades. Em Mauá, deslizamento de terra destruiu duas residências e a Defesa Civil interditou 42 imóveis nas vielas da Rua Guilherme Polidoro, no Jardim Zaíra 4. Outras 20 famílias deixaram seus lares no Jardim Santo André, após o vento destelhar os imóveis. Em São Bernardo, uma moradia foi interditada no bairro Montanhão. Em nenhuma das ocorrências houve vítimas.

Foi por volta das 3h30 que a recepcionista desempregada Vanusa Laurêncio, 44 anos, resolveu chamar o filho para dormir no seu quarto, porque estava chovendo muito. Quando o relógio marcou 6h40, a família foi acordada com o forte barulho da lama que desceu o morro e destruiu o quarto onde Lucas, 19, dormia até ser chamado pela mãe. “Foi por pouco. Moro aqui há 12 anos, nunca havia acontecido nada”, afirmou ela.

O deslizamento em Mauá desalojou mais de 40 famílias. A área atingida, conhecida como Chafic/Macuco, aguarda por obras de urbanização desde 2013, quando o então prefeito Donisete Braga (à época no PT, hoje no Pros), assinou contrato com a Caixa. O local já foi cenário de outras tragédias, como em 2011, quando cinco pessoas morreram após deslizamentos de terra. Mais recentemente, dia 16 de fevereiro, quatro crianças vieram a óbito, duas moradoras do Zaíra 4 e duas do Zaíra 6.

A ajudante geral Renata da Silveira, 35, e o ajudante desempregado Everton Alves, 39, compraram a casa há pouco mais de um ano. “Não sabia que era área de risco. Não tenho parentes aqui, não sei o que vamos fazer”, relatou. O chão da sala da residência do casal havia cedido e eles estavam apenas com a roupa do corpo. Quem sabe que o local é perigoso e há anos acompanha as sequências de deslizamentos é a integrante do Nudec (Núcleo Comunitário de Defesa Civil) Erika de Souza Menezes, 40. “Aqui é tudo invasão. Quem invadiu primeiro vendeu para quem veio depois. Desde 2009 a Prefeitura interdita barraco, tira as pessoas, outras voltam e nada muda”, afirmou.

A Prefeitura de Mauá informou que houve quatro deslizamentos na cidade, sendo três no Jardim Zaíra e um no Jardim Itapark. Três pessoas foram encaminhadas aos cuidados da Secretaria de Promoção Social.

Segundo a administração, os locais, que já eram de risco, sofreram não apenas com as chuvas (choveu 50 milímetros ontem), mas também com água e esgoto irregulares, que saturaram o solo. A Prefeitura abriu comitê de crise, com a participação de diversas secretarias, para discutir qual é a melhor forma de auxiliar a população local.


Defesa Civil mauaense admite dificuldades para evitar ocupações

 As ocupações irregulares em Mauá não são novidade, como também não são raras as tragédias em decorrência do problema. A cidade já registrou, desde 2002, 14 mortes por soterramento. O caso mais recente foi o óbito de quatro crianças, os irmãos Maria Heloísa dos Santos, 1 ano, e Miguel dos Santos, 9; além de José Henrique Santos da Vitoria, 7, e Guilherme dos Santos da Vitoria, 4, também irmãos. As ocorrências foram registradas no Jardim Zaíra.

Funcionário da Defesa Civil de Mauá que esteve na Rua Guilherme Polidoro, Jardim Zaíra 4, após deslizamento de terra ocorrido ontem, reconheceu que faltam mão de obra e estrutura para evitar ocupações em áreas de risco. Segundo o servidor, ao menos quatro ex-funcionários atuaram no atendimento como voluntários. “Somos uma equipe dedicada, que quer servir à população, mas somos poucos, com poucos carros”, desabafou.

O funcionário destacou que cerca de 80% da cidade é formada por ocupações irregulares. “Temos um efetivo muito pequeno para dar conta de tudo”, justificou. O resultado é que mesmo em locais que já foram desocupados, novos barracos e casas voltaram a ser construídos. No local onde ocorreu deslizamento ontem, por exemplo, já haviam sido removidas cerca de 40 famílias em 2009. “Hoje, algumas estão morando nos prédios do Jardim Olinda. Mas muitas outras acabaram voltando para cá por falta de opção”, afirmou a integrante do Nudec (Núcleo Comunitário de Defesa Civil) Erika de Souza Menezes, 40 anos.

Em contrapartida, a administração tem amplo conhecimento acerca do cenário de vulnerabilidade de núcleos habitacionais erguidos em áreas de encosta desde 2012, quando contratou – ao custo de R$ 300 mil – mapeamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) com o objetivo de elaborar plano municipal de redução de riscos para a cidade. 



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Temporais deixam 63 famílias desabrigadas em três cidades

Deslizamento de terra, vento e chuva afetaram moradores de Santo André, São Bernardo e Mauá; não houve vítimas

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

27/02/2019 | 07:00


 As fortes chuvas que atingiram a região ontem obrigaram pelo menos 63 famílias a desocupar suas casas em três cidades. Em Mauá, deslizamento de terra destruiu duas residências e a Defesa Civil interditou 42 imóveis nas vielas da Rua Guilherme Polidoro, no Jardim Zaíra 4. Outras 20 famílias deixaram seus lares no Jardim Santo André, após o vento destelhar os imóveis. Em São Bernardo, uma moradia foi interditada no bairro Montanhão. Em nenhuma das ocorrências houve vítimas.

Foi por volta das 3h30 que a recepcionista desempregada Vanusa Laurêncio, 44 anos, resolveu chamar o filho para dormir no seu quarto, porque estava chovendo muito. Quando o relógio marcou 6h40, a família foi acordada com o forte barulho da lama que desceu o morro e destruiu o quarto onde Lucas, 19, dormia até ser chamado pela mãe. “Foi por pouco. Moro aqui há 12 anos, nunca havia acontecido nada”, afirmou ela.

O deslizamento em Mauá desalojou mais de 40 famílias. A área atingida, conhecida como Chafic/Macuco, aguarda por obras de urbanização desde 2013, quando o então prefeito Donisete Braga (à época no PT, hoje no Pros), assinou contrato com a Caixa. O local já foi cenário de outras tragédias, como em 2011, quando cinco pessoas morreram após deslizamentos de terra. Mais recentemente, dia 16 de fevereiro, quatro crianças vieram a óbito, duas moradoras do Zaíra 4 e duas do Zaíra 6.

A ajudante geral Renata da Silveira, 35, e o ajudante desempregado Everton Alves, 39, compraram a casa há pouco mais de um ano. “Não sabia que era área de risco. Não tenho parentes aqui, não sei o que vamos fazer”, relatou. O chão da sala da residência do casal havia cedido e eles estavam apenas com a roupa do corpo. Quem sabe que o local é perigoso e há anos acompanha as sequências de deslizamentos é a integrante do Nudec (Núcleo Comunitário de Defesa Civil) Erika de Souza Menezes, 40. “Aqui é tudo invasão. Quem invadiu primeiro vendeu para quem veio depois. Desde 2009 a Prefeitura interdita barraco, tira as pessoas, outras voltam e nada muda”, afirmou.

A Prefeitura de Mauá informou que houve quatro deslizamentos na cidade, sendo três no Jardim Zaíra e um no Jardim Itapark. Três pessoas foram encaminhadas aos cuidados da Secretaria de Promoção Social.

Segundo a administração, os locais, que já eram de risco, sofreram não apenas com as chuvas (choveu 50 milímetros ontem), mas também com água e esgoto irregulares, que saturaram o solo. A Prefeitura abriu comitê de crise, com a participação de diversas secretarias, para discutir qual é a melhor forma de auxiliar a população local.


Defesa Civil mauaense admite dificuldades para evitar ocupações

 As ocupações irregulares em Mauá não são novidade, como também não são raras as tragédias em decorrência do problema. A cidade já registrou, desde 2002, 14 mortes por soterramento. O caso mais recente foi o óbito de quatro crianças, os irmãos Maria Heloísa dos Santos, 1 ano, e Miguel dos Santos, 9; além de José Henrique Santos da Vitoria, 7, e Guilherme dos Santos da Vitoria, 4, também irmãos. As ocorrências foram registradas no Jardim Zaíra.

Funcionário da Defesa Civil de Mauá que esteve na Rua Guilherme Polidoro, Jardim Zaíra 4, após deslizamento de terra ocorrido ontem, reconheceu que faltam mão de obra e estrutura para evitar ocupações em áreas de risco. Segundo o servidor, ao menos quatro ex-funcionários atuaram no atendimento como voluntários. “Somos uma equipe dedicada, que quer servir à população, mas somos poucos, com poucos carros”, desabafou.

O funcionário destacou que cerca de 80% da cidade é formada por ocupações irregulares. “Temos um efetivo muito pequeno para dar conta de tudo”, justificou. O resultado é que mesmo em locais que já foram desocupados, novos barracos e casas voltaram a ser construídos. No local onde ocorreu deslizamento ontem, por exemplo, já haviam sido removidas cerca de 40 famílias em 2009. “Hoje, algumas estão morando nos prédios do Jardim Olinda. Mas muitas outras acabaram voltando para cá por falta de opção”, afirmou a integrante do Nudec (Núcleo Comunitário de Defesa Civil) Erika de Souza Menezes, 40 anos.

Em contrapartida, a administração tem amplo conhecimento acerca do cenário de vulnerabilidade de núcleos habitacionais erguidos em áreas de encosta desde 2012, quando contratou – ao custo de R$ 300 mil – mapeamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) com o objetivo de elaborar plano municipal de redução de riscos para a cidade. 

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