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Cruzeiro: mordomia acessível


Luciana Bugni
Do Diário do Grande ABC

12/01/2006 | 09:04


Foi-se, e há muito tempo, a impressão de que só os endinheirados da alta sociedade podiam fazer um cruzeiro. É luxo entrar num navio e se deslocar para qualquer parte do mundo rodeado de mimos e atendimento primoroso? É. Mas, apesar de requerer alguns dólares em caixa, a opção de viagem é bem democrática e pode ser feita por quase todas as camadas da sociedade. Além de toda a atenção que os passageiros recebem durante os dias a bordo, é possível fazer boas amizades, aprender coisas novas sobre várias partes do mundo, já que mais de 70% da tripulação é de fora do Brasil, e se divertir bastante. O recém-batizado em águas brasileiras Island Star, do grupo Island Cruises, traz 573 tripulantes de 40 nacionalidades. É quase um para cada três passageiros.

A diversão, aliás, não se restringe só a quem fica nos andares superiores de cabines: a tripulação garante que a festa se estende a eles também, que quase não gastam dinheiro durante os meses a bordo e ainda têm a chance de conhecer diversos lugares do mundo. Cada funcionário passa sete meses navegando e tem dois meses de férias em casa. A primeira impressão no contato com a tripulação do navio é meio assustadora. Por mais que se arrisque na comunicação em inglês, o sotaque carregado de um pequeno país da Ásia, por exemplo, pode dificultar um pouco as coisas. Informações como o caminho para a cabine ou onde fica o elevador podem parecer truncadas e é preciso de algumas horas de ambientação para entender a disposição dos ambientes no navio. Afinal, são 210 m de comprimento e 10 deques, fora a área da piscina e um 12º andar onde ficam academia, sauna e mezanino. Entre as atrações estão quatro restaurantes, duas piscinas, duas jacuzzis, teatro para 600 pessoas, área de compras, livre de taxas, e bares.

Comunicar-se em português é quase impossível nas primeiras horas, quando a parte da tripulação de origem brasileira parece estar escondida nos recônditos do convés. Aos poucos nossos conterrâneos vão aparecendo e não se surpreenda se o seu “Hi!” tiver como resposta um caloroso “Olá!”. Os estrangeiros até se esforçam para aprender uma ou outra palavra em português, como direita e esquerda, restaurante e piscina, mas a confusão é inevitável. Por exemplo: na piscina, uma passageira pergunta onde pode encontrar uma toalha de praia, em português. A funcionária do Leste Europeu explica com muita dificuldade como ela deveria fazer para chegar lá. “Direita, reto, esquerda.” A passageira acaba no banheiro e não entende como foi parar lá: a funcionária havia entendido que a dúvida era como chegar ao toalete. A propósito, as toalhas de praia encontram-se nas cabines pela manhã e são retiradas na arrumação da noite, mas há navios que dispõem as peças em grandes baús na área da piscina.

A segunda impressão no contato com os funcionários é de dúvida: será que eles são treinados para serem tão atenciosos e simpáticos ou são felizes mesmo com o emprego deles? A resposta é um misto das duas possibilidades. A tripulação é treinada para servir bem os passageiros, mas não é nenhum sacrifício, não. Eles são de fato satisfeitos em trabalhar em alto-mar.

A última impressão é de dívida. É comum se sentir mal por estar se divertindo enquanto toda aquela gente está ralando para fazer seus dias mais agradáveis e cercados de conforto. Mas tripulante nenhum deixa a sensação de compaixão se prolongar. Ao comentar sobre o calor com os funcionários que, vestidos, enfrentam o sol e empurram carrinhos lotados de bebida na área da piscina, a resposta sempre será algo como “O Brasil é maravilhoso, que lugar mais quente...”. E logo achamos que não é tanto esforço assim. Afinal, o Brasil é mesmo um país lindo, e trabalhar numa viagem dessas não deve ser tão penoso assim...

A jornalista viajou a convite do grupo Island Cruises

 


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