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Pequeno comunista

Orlando Filho/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcelo Monegato
Do Diário do Grande ABC

15/09/2010 | 07:02


O ano é 1960. Enquanto no Brasil a capital nacional era transferida do Rio de Janeiro para Brasília e nos Estados Unidos John F. Kennedy vencia as eleições presidenciais, a Skoda produzia a todo vapor, na extinta Tchecoslováquia, o sedã Octavia. Sob o forte regime comunista imposto pela antiga União Soviética aos países do Leste Europeu após o término da Segunda Guerra Mundial, um desses simpáticos carrinhos resolveu fugir e tentar vida nova no Brasil.

Hoje um cinquentão convicto, vive ao lado da família do advogado Aparecido Romano, em São Bernardo. "Tenho o modelo há uns quatro anos. Eu o comprei deste jeitinho mesmo", revela o orgulhoso proprietário, que faz questão de exaltar: "É 100% original!"

Como muitos fugitivos, o Octavia 1960 esconde seu passado. "Ninguém sabe como chegou aqui. Deve ter sido importado por algum consulado e ficado por aqui", supõe Romano, lembrando que, naquela época, a importação de veículos era proibida. "Em meados de 1950, a primeira importadora oficial da Skoda abriu suas portas em Curitiba, mas logo em seguida, devido à proibição, encerrou suas operações".

Muitos carros da Skoda chegaram ao Brasil nas décadas de 1940 e 1950 com as comunidades tchecoslovacas que no País trocavam os automóveis por café. "Por isso encontramos alguns modelos com mais frequência no Paraná, especialmente na região de Londrina", conta.

Pequeno comunista - Responda rápido: quem, no Brasil, aprendeu a dirigir em um Skoda? Resposta: Romano! "O primeiro carro que dirigi foi um Skoda 1949, quando tinha 12 anos. Na época, o carro era do meu cunhado, que queria namorar minha irmã e a convidou para ensiná-la a dirigir. Bondosa, ela chamou toda família", lembra Romano como se fosse hoje. "Aquele modelo continuou com a família um tempo, mas foi destruído. Depois de anos, surgiu este modelo, que estava com meu amigo Fernando há algum tempo."

Produzido durante o período em que a Skoda era estatal, o Octavia 1960 reflete perfeitamente o momento histórico da sua pátria-mãe. "É um automóvel muito pobre. Não tem requinte algum. No entanto, com relação à mecânica, é muito valente. Parece um jipinho", exalta.

Tal robustez deve-se ao motor dianteiro quatro cilindros de 960 cm³, tração e transmissão traseira. "Não é um carro de velocidade. Na estrada, o máximo que desenvolve são 60 km/h, 70 km/h. Só na descida da Imigrantes que vou no ritmo dos demais veículos, a 80 km/h", diz Romano, com muito senso de humor.

Em perfeito estado de conservação - foi restaurado em 1980 em Santo André -, este Octavia é belo. Traz as linhas dos clássicos norte-americanos, mas, digamos, em escala menor - apesar da capacidade para cinco pessoas. Por dentro, luxo não existe.

Que este sobrevivente do comunismo viva ainda por muitos e muitos anos.

Capitalismo ressuscita Octavia
O Skoda Octavia nasceu em 1959, na extinta Tchecoslováquia, sob o regime comunista imposto pela antiga União Soviética aos países do Leste Europeu ao término da Segunda Guerra Mundial.

Derivado do modelo 440, o Octavia tinha motor dianteiro de apenas 1.089 cm³ (46 cv de potência) e tração traseira. A transmissão era manual de quatro marchas. Com dimensões reduzidas - 4,06 metros de comprimento e 2,40 metros de distância entre os eixos - , o Octavia pesava somente 890 quilos.

A produção da versão sedã - posteriormente o pequeno comunista ganhou outras carenagens, como perua - foi descontinuada em 1964, sendo substituída pelo 1100MB, primeiro veículo Skoda com motor e tração dianteiros.

Com o fim da União Soviética, a Skoda, antes estatal, iniciou processo de privatização. Em 1994, o Grupo Volkswagen incorporou a marca e, dois anos depois, voltou a fabricar o Octavia.

Automobilismo - O Octavia não limitou-se a ser apenas mais um sedã de passeio do Leste Europeu. O modelo chegou a participar do Mundial de Rali (WRC - World Rally Championship). A estreia aconteceu em 1999 e o fim da aventura nas pistas de asfalto, terra, pedra e neve foi em 2003, quando o Fabia o substituiu.



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Pequeno comunista

Marcelo Monegato
Do Diário do Grande ABC

15/09/2010 | 07:02


O ano é 1960. Enquanto no Brasil a capital nacional era transferida do Rio de Janeiro para Brasília e nos Estados Unidos John F. Kennedy vencia as eleições presidenciais, a Skoda produzia a todo vapor, na extinta Tchecoslováquia, o sedã Octavia. Sob o forte regime comunista imposto pela antiga União Soviética aos países do Leste Europeu após o término da Segunda Guerra Mundial, um desses simpáticos carrinhos resolveu fugir e tentar vida nova no Brasil.

Hoje um cinquentão convicto, vive ao lado da família do advogado Aparecido Romano, em São Bernardo. "Tenho o modelo há uns quatro anos. Eu o comprei deste jeitinho mesmo", revela o orgulhoso proprietário, que faz questão de exaltar: "É 100% original!"

Como muitos fugitivos, o Octavia 1960 esconde seu passado. "Ninguém sabe como chegou aqui. Deve ter sido importado por algum consulado e ficado por aqui", supõe Romano, lembrando que, naquela época, a importação de veículos era proibida. "Em meados de 1950, a primeira importadora oficial da Skoda abriu suas portas em Curitiba, mas logo em seguida, devido à proibição, encerrou suas operações".

Muitos carros da Skoda chegaram ao Brasil nas décadas de 1940 e 1950 com as comunidades tchecoslovacas que no País trocavam os automóveis por café. "Por isso encontramos alguns modelos com mais frequência no Paraná, especialmente na região de Londrina", conta.

Pequeno comunista - Responda rápido: quem, no Brasil, aprendeu a dirigir em um Skoda? Resposta: Romano! "O primeiro carro que dirigi foi um Skoda 1949, quando tinha 12 anos. Na época, o carro era do meu cunhado, que queria namorar minha irmã e a convidou para ensiná-la a dirigir. Bondosa, ela chamou toda família", lembra Romano como se fosse hoje. "Aquele modelo continuou com a família um tempo, mas foi destruído. Depois de anos, surgiu este modelo, que estava com meu amigo Fernando há algum tempo."

Produzido durante o período em que a Skoda era estatal, o Octavia 1960 reflete perfeitamente o momento histórico da sua pátria-mãe. "É um automóvel muito pobre. Não tem requinte algum. No entanto, com relação à mecânica, é muito valente. Parece um jipinho", exalta.

Tal robustez deve-se ao motor dianteiro quatro cilindros de 960 cm³, tração e transmissão traseira. "Não é um carro de velocidade. Na estrada, o máximo que desenvolve são 60 km/h, 70 km/h. Só na descida da Imigrantes que vou no ritmo dos demais veículos, a 80 km/h", diz Romano, com muito senso de humor.

Em perfeito estado de conservação - foi restaurado em 1980 em Santo André -, este Octavia é belo. Traz as linhas dos clássicos norte-americanos, mas, digamos, em escala menor - apesar da capacidade para cinco pessoas. Por dentro, luxo não existe.

Que este sobrevivente do comunismo viva ainda por muitos e muitos anos.

Capitalismo ressuscita Octavia
O Skoda Octavia nasceu em 1959, na extinta Tchecoslováquia, sob o regime comunista imposto pela antiga União Soviética aos países do Leste Europeu ao término da Segunda Guerra Mundial.

Derivado do modelo 440, o Octavia tinha motor dianteiro de apenas 1.089 cm³ (46 cv de potência) e tração traseira. A transmissão era manual de quatro marchas. Com dimensões reduzidas - 4,06 metros de comprimento e 2,40 metros de distância entre os eixos - , o Octavia pesava somente 890 quilos.

A produção da versão sedã - posteriormente o pequeno comunista ganhou outras carenagens, como perua - foi descontinuada em 1964, sendo substituída pelo 1100MB, primeiro veículo Skoda com motor e tração dianteiros.

Com o fim da União Soviética, a Skoda, antes estatal, iniciou processo de privatização. Em 1994, o Grupo Volkswagen incorporou a marca e, dois anos depois, voltou a fabricar o Octavia.

Automobilismo - O Octavia não limitou-se a ser apenas mais um sedã de passeio do Leste Europeu. O modelo chegou a participar do Mundial de Rali (WRC - World Rally Championship). A estreia aconteceu em 1999 e o fim da aventura nas pistas de asfalto, terra, pedra e neve foi em 2003, quando o Fabia o substituiu.

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