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Economia

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Setor de máquinas inicia recuperação


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

05/11/2009 | 07:00


O setor de máquinas e equipamentos registrou, em setembro, aumento de 4,5% em seu faturamento real - descontada a inflação - frente a agosto, alcançando R$ 6,2 bilhões. Porém, na comparação com o mesmo mês de 2008, a queda é de 25,2%.

Isso é o que aponta a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Parte da melhora do desempenho do segmento se deve à leve recuperação das exportações, que cresceram 9,6% em relação a agosto, atingindo US$ 642 milhões. Da mesma maneira, entretanto, o déficit ainda é grande ante setembro do ano passado, com recuo de 65,6%.

Segundo o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, existe uma tendência clara de recuperação. "O fundo do poço foi em janeiro. Estamos com níveis de faturamento 5% abaixo do registrado em 2007 e 5% acima do obtido em 2006. Mas ainda temos muito terreno para recuperarmos o desempenho do ano passado", afirmou Aubert Neto, referindo-se ao acumulado entre janeiro e setembro deste ano.

Neste período, o faturamento real possui queda de 22,8% em comparação ao gerado entre janeiro e setembro de 2008, somando R$ 46,64 bilhões. "Dos 30 setores representados pela Abimaq, apenas dois obtiveram crescimento (bombas e motobombas, com 15,4% e bens sob encomenda, com 6,6% - ver gráfico abaixo) e isso só ocorreu porque são ligados à Petrobras."

De acordo com Aubert Neto, existem alguns setores que encontram-se na fase pré-UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). É o caso de máquinas e ferramentas, com queda de 48,5% e máquinas para madeira, recuo de 63,8%, cuja importação do item está crescendo e condenando o setor.

"Os níveis de importação estão superiores a 2007 e isso de deve ao efeito do câmbio (dólar desvalorizado frente ao real), que deixa o nosso produto até 30% mais caro que o produzido na China. Quando o dólar está muito baixo, eu já trago o balde pronto em vez da máquina injetora para fabricá-lo", disse.

Este é, inclusive, um dos motivos para que os Estados Unidos, maior comprador de produtos brasileiros, tenham reduzido substancialmente o volume de suas compras. De janeiro a setembro, caiu em 59,3% seus pedidos em relação ao mesmo período do ano passado, com US$ 1,047 milhões. "Metade disso se deve ao fato de eles realmente estarem parando de comprar. A outra metade se deve à substituição dos nossos produtos pelos dos chineses, porque os nossos estão muito caros", justifica o presidente da Abimaq.

Quanto às vendas de máquinas e equipamentos ao Exterior, que representam 30% do faturamento do segmento, de janeiro a setembro foram totalizados US$ 5,615 milhões, retração de 39,4% frente ao mesmo período do ano passado.

Aubert Neto assegurou que há três fatores primordiais para o setor: câmbio, carga tributária e taxa de juros. "Desses, o governo mexeu apenas nos juros, o menor fator. "Existem países com taxas que variam entre 1,75% a 4% ao ano. Aqui, normalmente são 25% anuais. Não dá para competir", desabafou, referindo-se à medida provisória de baixar os juros de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para 4,5%, que acaba em dezembro.

Dois meses sem demissões no segmento

O segmento de máquinas e equipamentos, que há dez meses vinha demitindo e estimava perdas de 50 mil empregos no auge da crise econômica, não registra demissões há dois meses.

Além disso, de acordo com Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), entre agosto e setembro foram recontratados 1.185 trabalhadores.

Até setembro, o setor empregava 231.377 pessoas - manteve-se praticamente estável em relação a agosto, com discreta elevação de 0,2%. Em comparação com outubro do ano passado, quando foi registrado o maior nível de emprego no setor em 2008, a queda é de 7,5%, o que significam 18.837 postos de trabalho a menos.

A utilização da capacidade instalada chegou a 81,95% em setembro, leve alta de 0,3% ante agosto. "Quando ela começa a chegar perto dos 80% significa que posso contratar mais pessoas para trabalhar", contou Aubert Neto.

Segundo ele, com o aumento da capacidade instalada, não é preciso comprar outra máquina, mas completar mais dois turnos de oito horas - ao todo são três.

Em relação a setembro do ano passado, portanto, ainda existe queda de 5,7%.

Balança comercial tem superávit de US$ 1,3 bi

A balança comercial brasileira fechou o mês de outubro com superávit de US$ 1,328 bilhão. O saldo é praticamente o mesmo registrado em outubro do ano passado, quando a balança teve superávit de US$ 1,329 bilhão. Segundo os dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), as exportações fecharam o mês em US$ 14,082 bilhões, queda de 20,3% em relação à média verificada em outubro de 2008 (US$ 841,5 milhões) e aumento de 1,6% ante setembro deste ano (US$ 660,1 milhões).

As importações somaram US$ 12,754 bilhões no mês, retração de 22,2% ante a média verificada em outubro do ano passado (US$ 781 milhões) e aumento de 1,8% em relação ao desempenho médio das importações em setembro último (US$ 596,9 milhões).

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) em outubro atingiu US$ 26,836 bilhões, 24,81% menor que a verificada em outubro do ano passado (US$ 35,695 bilhões).

TENDÊNCIA - O secretário de comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, disse que importações e exportações deverão ter, em novembro, o mesmo comportamento que tiveram em outubro. Com isso, o secretário espera que as exportações mostrem igualdade em relação a novembro de 2008, quando já havia o efeito da crise internacional no comércio exterior.

Ele, no entanto, acredita que os dados de outubro indicam recuperação das vendas externas já que tradicionalmente há uma queda em relação a setembro. Nas importações, também houve reversão na tendência histórica, já que as compras em outubro cresceram em relação a setembro. "Devemos ter em novembro e dezembro algo muito similar dos últimos três meses (agosto, setembro e outubro)", avaliou o secretário. (Da AE)



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Setor de máquinas inicia recuperação

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

05/11/2009 | 07:00


O setor de máquinas e equipamentos registrou, em setembro, aumento de 4,5% em seu faturamento real - descontada a inflação - frente a agosto, alcançando R$ 6,2 bilhões. Porém, na comparação com o mesmo mês de 2008, a queda é de 25,2%.

Isso é o que aponta a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Parte da melhora do desempenho do segmento se deve à leve recuperação das exportações, que cresceram 9,6% em relação a agosto, atingindo US$ 642 milhões. Da mesma maneira, entretanto, o déficit ainda é grande ante setembro do ano passado, com recuo de 65,6%.

Segundo o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, existe uma tendência clara de recuperação. "O fundo do poço foi em janeiro. Estamos com níveis de faturamento 5% abaixo do registrado em 2007 e 5% acima do obtido em 2006. Mas ainda temos muito terreno para recuperarmos o desempenho do ano passado", afirmou Aubert Neto, referindo-se ao acumulado entre janeiro e setembro deste ano.

Neste período, o faturamento real possui queda de 22,8% em comparação ao gerado entre janeiro e setembro de 2008, somando R$ 46,64 bilhões. "Dos 30 setores representados pela Abimaq, apenas dois obtiveram crescimento (bombas e motobombas, com 15,4% e bens sob encomenda, com 6,6% - ver gráfico abaixo) e isso só ocorreu porque são ligados à Petrobras."

De acordo com Aubert Neto, existem alguns setores que encontram-se na fase pré-UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). É o caso de máquinas e ferramentas, com queda de 48,5% e máquinas para madeira, recuo de 63,8%, cuja importação do item está crescendo e condenando o setor.

"Os níveis de importação estão superiores a 2007 e isso de deve ao efeito do câmbio (dólar desvalorizado frente ao real), que deixa o nosso produto até 30% mais caro que o produzido na China. Quando o dólar está muito baixo, eu já trago o balde pronto em vez da máquina injetora para fabricá-lo", disse.

Este é, inclusive, um dos motivos para que os Estados Unidos, maior comprador de produtos brasileiros, tenham reduzido substancialmente o volume de suas compras. De janeiro a setembro, caiu em 59,3% seus pedidos em relação ao mesmo período do ano passado, com US$ 1,047 milhões. "Metade disso se deve ao fato de eles realmente estarem parando de comprar. A outra metade se deve à substituição dos nossos produtos pelos dos chineses, porque os nossos estão muito caros", justifica o presidente da Abimaq.

Quanto às vendas de máquinas e equipamentos ao Exterior, que representam 30% do faturamento do segmento, de janeiro a setembro foram totalizados US$ 5,615 milhões, retração de 39,4% frente ao mesmo período do ano passado.

Aubert Neto assegurou que há três fatores primordiais para o setor: câmbio, carga tributária e taxa de juros. "Desses, o governo mexeu apenas nos juros, o menor fator. "Existem países com taxas que variam entre 1,75% a 4% ao ano. Aqui, normalmente são 25% anuais. Não dá para competir", desabafou, referindo-se à medida provisória de baixar os juros de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para 4,5%, que acaba em dezembro.

Dois meses sem demissões no segmento

O segmento de máquinas e equipamentos, que há dez meses vinha demitindo e estimava perdas de 50 mil empregos no auge da crise econômica, não registra demissões há dois meses.

Além disso, de acordo com Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), entre agosto e setembro foram recontratados 1.185 trabalhadores.

Até setembro, o setor empregava 231.377 pessoas - manteve-se praticamente estável em relação a agosto, com discreta elevação de 0,2%. Em comparação com outubro do ano passado, quando foi registrado o maior nível de emprego no setor em 2008, a queda é de 7,5%, o que significam 18.837 postos de trabalho a menos.

A utilização da capacidade instalada chegou a 81,95% em setembro, leve alta de 0,3% ante agosto. "Quando ela começa a chegar perto dos 80% significa que posso contratar mais pessoas para trabalhar", contou Aubert Neto.

Segundo ele, com o aumento da capacidade instalada, não é preciso comprar outra máquina, mas completar mais dois turnos de oito horas - ao todo são três.

Em relação a setembro do ano passado, portanto, ainda existe queda de 5,7%.

Balança comercial tem superávit de US$ 1,3 bi

A balança comercial brasileira fechou o mês de outubro com superávit de US$ 1,328 bilhão. O saldo é praticamente o mesmo registrado em outubro do ano passado, quando a balança teve superávit de US$ 1,329 bilhão. Segundo os dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), as exportações fecharam o mês em US$ 14,082 bilhões, queda de 20,3% em relação à média verificada em outubro de 2008 (US$ 841,5 milhões) e aumento de 1,6% ante setembro deste ano (US$ 660,1 milhões).

As importações somaram US$ 12,754 bilhões no mês, retração de 22,2% ante a média verificada em outubro do ano passado (US$ 781 milhões) e aumento de 1,8% em relação ao desempenho médio das importações em setembro último (US$ 596,9 milhões).

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) em outubro atingiu US$ 26,836 bilhões, 24,81% menor que a verificada em outubro do ano passado (US$ 35,695 bilhões).

TENDÊNCIA - O secretário de comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, disse que importações e exportações deverão ter, em novembro, o mesmo comportamento que tiveram em outubro. Com isso, o secretário espera que as exportações mostrem igualdade em relação a novembro de 2008, quando já havia o efeito da crise internacional no comércio exterior.

Ele, no entanto, acredita que os dados de outubro indicam recuperação das vendas externas já que tradicionalmente há uma queda em relação a setembro. Nas importações, também houve reversão na tendência histórica, já que as compras em outubro cresceram em relação a setembro. "Devemos ter em novembro e dezembro algo muito similar dos últimos três meses (agosto, setembro e outubro)", avaliou o secretário. (Da AE)

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