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Técnico de ginástica artística acusado de abusos sexuais será o último a depor



04/05/2018 | 07:00


A delegada Teresa Alves de Mesquita Gurian, da Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente, de São Bernardo do Campo (SP), responsável pelo inquérito que apura supostos casos de abuso sexual praticados pelo ex-treinador da seleção de ginástica Fernando de Carvalho Lopes, afirmou nesta quinta-feira que ele será a última pessoa a prestar depoimento antes da conclusão do caso.

Na última quarta-feira, chegou-se a noticiar que Fernando de Carvalho Lopes não teria comparecido à delegacia, onde daria o seu testemunho, por alegar que já possuía uma consulta médica marcada. A delegada desmentiu tal informação. "Como, se ele não foi ainda intimado?", indagou.

Como o processo, aberto em 2016 após denúncia de um atleta menor de idade, corre em segredo de Justiça, ela disse que não poderia revelar quando pretende ouvir o ex-treinador, mas deixou claro que nem ele nem outros personagens citados na história estiveram na delegacia até agora. Entre eles, o coordenador técnico da seleção, Marcos Goto, e a psicóloga Thais Coppini, que trabalhava com atletas no Mesc (Movimento da Expansão Social Católica), clube particular de São Bernardo do Campo onde Fernando de Carvalho Lopes fez carreira e, segundo as vítimas, teriam ocorrido os abuso relatados na reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que foi ao ar no último domingo.

"Todos os mencionados precisam ser chamados", reiterou a delegada, para em seguida explicar por que Fernando de Carvalho Lopes ainda não foi ouvido. "Antes de falar, ele precisa saber tudo o que está sendo dito contra ele. Então, quando ele vier, eu vou dizer ?olha, Fernando, a vítima tal falou isso, isso e aquilo. O que você tem a dizer? Já essa outra vítima relatou que você fez isso. O que pode dizer a respeito??. Por isso, ele será a última oitiva do caso", afirmou.

Atualmente, o processo se encontra no Fórum de São Bernardo do Campo. Teresa Alves de Mesquita Gurian acredita que o receberá de volta entre esta sexta-feira e a próxima segunda. Da data do recebimento, ela terá 30 dias para concluir o inquérito e entregá-lo à Promotoria. "Quero fazer isso o quanto antes", disse a delegada ao receber a reportagem no 1.º D.P. da cidade, no bairro de Baeta Neves, nesta quinta-feira.

Do que lhe foi relatado até agora, ela citou duas questões que aparecem em todos os testemunhos: as vítimas relatam "toques inapropriados" de Fernando de Carvalho Lopes durante a explanação de como deveriam executar determinados movimentos e o costume do treinador de observá-los enquanto tomavam banho.

A delegada também não revelou quantas testemunhas prestaram depoimento até agora, mas que, depois da denúncia ter ido ao ar no último domingo, não houve procura maior de gente se sentindo encorajada a falar. "É um assunto muito complexo. Nem todo mundo quer se expor", ponderou.

Por fim, Teresa Alves de Mesquita Gurian mencionou que cada situação requer uma análise à parte para se averiguar caso algum suposto crime já tenha prescrito. E citou a Lei Joanna Maranhão, de 2012, que alterou as regras sobre a prescrição do crime de pedofilia e também o estupro e o atentado violento ao pudor praticados contra crianças e adolescentes. Até então, o tempo era calculado a partir da prática do crime.

Desde maio daquele ano, a contagem se inicia na data em que a vítima fizer 18 anos, caso o Ministério Público não tenha antes aberto ação penal contra o agressor.



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Técnico de ginástica artística acusado de abusos sexuais será o último a depor


04/05/2018 | 07:00


A delegada Teresa Alves de Mesquita Gurian, da Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente, de São Bernardo do Campo (SP), responsável pelo inquérito que apura supostos casos de abuso sexual praticados pelo ex-treinador da seleção de ginástica Fernando de Carvalho Lopes, afirmou nesta quinta-feira que ele será a última pessoa a prestar depoimento antes da conclusão do caso.

Na última quarta-feira, chegou-se a noticiar que Fernando de Carvalho Lopes não teria comparecido à delegacia, onde daria o seu testemunho, por alegar que já possuía uma consulta médica marcada. A delegada desmentiu tal informação. "Como, se ele não foi ainda intimado?", indagou.

Como o processo, aberto em 2016 após denúncia de um atleta menor de idade, corre em segredo de Justiça, ela disse que não poderia revelar quando pretende ouvir o ex-treinador, mas deixou claro que nem ele nem outros personagens citados na história estiveram na delegacia até agora. Entre eles, o coordenador técnico da seleção, Marcos Goto, e a psicóloga Thais Coppini, que trabalhava com atletas no Mesc (Movimento da Expansão Social Católica), clube particular de São Bernardo do Campo onde Fernando de Carvalho Lopes fez carreira e, segundo as vítimas, teriam ocorrido os abuso relatados na reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que foi ao ar no último domingo.

"Todos os mencionados precisam ser chamados", reiterou a delegada, para em seguida explicar por que Fernando de Carvalho Lopes ainda não foi ouvido. "Antes de falar, ele precisa saber tudo o que está sendo dito contra ele. Então, quando ele vier, eu vou dizer ?olha, Fernando, a vítima tal falou isso, isso e aquilo. O que você tem a dizer? Já essa outra vítima relatou que você fez isso. O que pode dizer a respeito??. Por isso, ele será a última oitiva do caso", afirmou.

Atualmente, o processo se encontra no Fórum de São Bernardo do Campo. Teresa Alves de Mesquita Gurian acredita que o receberá de volta entre esta sexta-feira e a próxima segunda. Da data do recebimento, ela terá 30 dias para concluir o inquérito e entregá-lo à Promotoria. "Quero fazer isso o quanto antes", disse a delegada ao receber a reportagem no 1.º D.P. da cidade, no bairro de Baeta Neves, nesta quinta-feira.

Do que lhe foi relatado até agora, ela citou duas questões que aparecem em todos os testemunhos: as vítimas relatam "toques inapropriados" de Fernando de Carvalho Lopes durante a explanação de como deveriam executar determinados movimentos e o costume do treinador de observá-los enquanto tomavam banho.

A delegada também não revelou quantas testemunhas prestaram depoimento até agora, mas que, depois da denúncia ter ido ao ar no último domingo, não houve procura maior de gente se sentindo encorajada a falar. "É um assunto muito complexo. Nem todo mundo quer se expor", ponderou.

Por fim, Teresa Alves de Mesquita Gurian mencionou que cada situação requer uma análise à parte para se averiguar caso algum suposto crime já tenha prescrito. E citou a Lei Joanna Maranhão, de 2012, que alterou as regras sobre a prescrição do crime de pedofilia e também o estupro e o atentado violento ao pudor praticados contra crianças e adolescentes. Até então, o tempo era calculado a partir da prática do crime.

Desde maio daquele ano, a contagem se inicia na data em que a vítima fizer 18 anos, caso o Ministério Público não tenha antes aberto ação penal contra o agressor.

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