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Chuva aumenta angústia e medo em área de risco

Orlando Filho/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

04/01/2011 | 07:14


A previsão do tempo para os próximos dias é de chuva intensa. Situação típica de início do verão paulista e um alerta para as famílias que moram em áreas de risco no Grande ABC. Se para a maioria da população das sete cidades as chuvas intensas são incômodo para locomoção, quem vive nas encostas sente medo. Eles já sabem que as próximas noites serão desconfortáveis e insones.

No Cruzado 2, um dos morros do entorno do Jardim Santo André, dentro de um barraco de pau-a-pique Fabiana Aparecida Almeida Mariano, 25 anos, cuida atenciosamente dos três filhos menores. Na madrugada de segunda-feira, ela não pegou no sono. "A cada momento que chove parece que a terra está se movendo debaixo da nossa casa. Tenho que ficar atenta, pois a qualquer momento tenho que sair correndo com meus filhos", relatou.

Metros acima dali, outra dona de casa, Kátia Silva dos Santos, 29, olha para a vista morro abaixo e também teme pelo pior. "Aqui a gente dorme com um olho fechado e outro aberto. Não tenho como sair daqui e o jeito é rezar para que nada aconteça com a gente", disse a mãe de três crianças. Dentro da pequena casa, vivem também a irmã e o cunhado.

Fabiana e Kátia compartilham do mesmo medo, provocado por várias cenas de acidentes e deslizamentos que testemunharam. "Não sei para onde ir e o desespero é maior já que meu bebê está com pneumonia. A água entra debaixo do barraco e vai levando a terra", descreveu Fabiana.

Fé também é a alternativa encontrada pelos moradores do Morro da Biquinha, região do Jardim Silvina, São Bernardo. A população de lá presenciou em janeiro passado a morte de uma menina de 10 anos, soterrada durante um temporal. "Quando a chuva vem pesada, a gente se apega à fé. Meus meninos não ficam na rua e passo o dia na janela vendo se o morro vai ceder", contou a voluntária Zenilda Covas Santos, 42 anos.

Para os mais antigos do bairro os deslizamentos não assustam tanto. "A terra caiu um pouco e danificou a casa debaixo. Mas moro aqui há mais de 20 anos e nada aconteceu até agora", assegurou o desempregado Joaquim Nougueira Dourado, 50 anos.

O medo prevalece nas alturas do Jardim Zaíra, em Mauá. A auxiliar de limpeza Albina Oliveira Reis, 49, cansou da insegurança e vai se mudar. Mas somente daqui a cinco meses.

Ela construiu uma casa de tijolos e concreto, alguns metros abaixo do barraco onde mora há 14 anos. "Tive que fazer alguma coisa. Ao menos vou ficar em um lugar menos perigoso durante as chuvas do ano que vem", previu.

Desempregado, Welinton Leite Serra, 24, se vale de uma pequena janela para saber se terá de correr de um desabamento. "Como a gente dorme assim? É chover e eu corro para a janela", contou.

As prefeituras, com exceção de Rio Grande da Serra, que não respondeu, informaram que estão monitorando constantemente todas as áreas de risco.



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Chuva aumenta angústia e medo em área de risco

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

04/01/2011 | 07:14


A previsão do tempo para os próximos dias é de chuva intensa. Situação típica de início do verão paulista e um alerta para as famílias que moram em áreas de risco no Grande ABC. Se para a maioria da população das sete cidades as chuvas intensas são incômodo para locomoção, quem vive nas encostas sente medo. Eles já sabem que as próximas noites serão desconfortáveis e insones.

No Cruzado 2, um dos morros do entorno do Jardim Santo André, dentro de um barraco de pau-a-pique Fabiana Aparecida Almeida Mariano, 25 anos, cuida atenciosamente dos três filhos menores. Na madrugada de segunda-feira, ela não pegou no sono. "A cada momento que chove parece que a terra está se movendo debaixo da nossa casa. Tenho que ficar atenta, pois a qualquer momento tenho que sair correndo com meus filhos", relatou.

Metros acima dali, outra dona de casa, Kátia Silva dos Santos, 29, olha para a vista morro abaixo e também teme pelo pior. "Aqui a gente dorme com um olho fechado e outro aberto. Não tenho como sair daqui e o jeito é rezar para que nada aconteça com a gente", disse a mãe de três crianças. Dentro da pequena casa, vivem também a irmã e o cunhado.

Fabiana e Kátia compartilham do mesmo medo, provocado por várias cenas de acidentes e deslizamentos que testemunharam. "Não sei para onde ir e o desespero é maior já que meu bebê está com pneumonia. A água entra debaixo do barraco e vai levando a terra", descreveu Fabiana.

Fé também é a alternativa encontrada pelos moradores do Morro da Biquinha, região do Jardim Silvina, São Bernardo. A população de lá presenciou em janeiro passado a morte de uma menina de 10 anos, soterrada durante um temporal. "Quando a chuva vem pesada, a gente se apega à fé. Meus meninos não ficam na rua e passo o dia na janela vendo se o morro vai ceder", contou a voluntária Zenilda Covas Santos, 42 anos.

Para os mais antigos do bairro os deslizamentos não assustam tanto. "A terra caiu um pouco e danificou a casa debaixo. Mas moro aqui há mais de 20 anos e nada aconteceu até agora", assegurou o desempregado Joaquim Nougueira Dourado, 50 anos.

O medo prevalece nas alturas do Jardim Zaíra, em Mauá. A auxiliar de limpeza Albina Oliveira Reis, 49, cansou da insegurança e vai se mudar. Mas somente daqui a cinco meses.

Ela construiu uma casa de tijolos e concreto, alguns metros abaixo do barraco onde mora há 14 anos. "Tive que fazer alguma coisa. Ao menos vou ficar em um lugar menos perigoso durante as chuvas do ano que vem", previu.

Desempregado, Welinton Leite Serra, 24, se vale de uma pequena janela para saber se terá de correr de um desabamento. "Como a gente dorme assim? É chover e eu corro para a janela", contou.

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