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Pai de Elvis Presley vive no Jardim das Maravilhas

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sapateiro Alonço Filho tem orgulho do filho Elvinho, um dos covers mais consagrados do cantor norte-americano


Renato Cunha
Especial para o Diário

11/11/2014 | 07:00


Conhecer uma personalidade, para muitas pessoas, é um sonho. Ainda mais quando se tratava de Elvis Presley. Mas a história é ainda mais interessante quando o Rei do Rock é da família. É o que acontece com Alonço Filho, afinal, ele é pai de Elvinho, um dos covers mais consagrados de Elvis no mundo, ganhador do prêmio de melhor ETA (Elvis Tribute Artist) no São Paulo Elvis Festival 2013 e terceiro lugar no Festival Internacional Doc Franklin’s Original Images of the King 2013, em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos.

O filho é motivo de orgulho para o sapateiro Alonço Filho, 64 anos. Morador do Jardim das Maravilhas, em Santo André, está no bairro há mais de vinte anos. “Na época que mudei para cá já era casado e o Elvinho era pequeno”, lembra.

Segundo ele, desde criança o filho já era apaixonado pelo Rei do Rock. “Quando eu era mais jovem, gostava bastante de Roberto Carlos e Beatles, tinha algumas coisas do Elvis também. Teve um dia que o Elvinho achou uma fita de um show do Elvis Presley em casa e começou a assistir. Depois de um tempo, ele já estava cantando e tentando imitar o artista”, recorda.

O sapateiro também é apaixonado por futebol e é são-paulino roxo. Mas diz que não costuma ir mais em estádios por conta da violência. “Teve uma vez que fui assistir a um jogo do São Paulo e perto de mim aconteceu uma confusão. Um policial me acertou uma bala de borracha. O pior é que eu não tinha nada a ver com aquilo. Depois me pediram desculpas, ofereceram um lanche e perguntaram se não queria carona para casa, mas não quis chegar em casa dentro do carro de polícia. Desde então nunca mais fui aos jogos. As pessoas não vão pelo esporte, só vão para brigar”, reclama.

Ele comenta ainda que o filho quase virou jogador de futebol. “Elvinho era goleiro. E jogava muito bem. Teve uma vez que ele estava no time do São Bernardo e foi jogar contra o Santo André, que era o seu ex-time. Naquele dia fechou o gol, ganharam de 1 a 0 e o Elvinho acabou quebrando um dedo da mão”, conta.

PROFISSÃO

Alonço também é apaixonado pelo seu trabalho. A sapataria é repleta de cartazes do filho, além de fotos do time do coração. “Para mim, o trabalho é como se fosse uma garota. Coloco muito amor no meu ofício. Quando tinha 11 anos, morava no Interior e fazia botas para os fazendeiros. Naquela época, a caneta era a enxada e a lima, o caderno.”

O sapateiro também gosta de carros antigos. Ele tem um fusca 1972 impecável que, segundo ele, só usa em emergências, já que prefere fazer exercícios a pé ou de bicicleta. “Reformei todo esse Fusca. Fiquei vários meses arrumando ele. Mas eu quase nem ando de carro. Quando não é muito longe prefiro ir a pé ou de bicicleta, assim aproveito e faço exercícios. Teve uma vez que fui até o Ipiranga (bairro da Capital, distante cerca de 11 quilômetros) a pé”, conta.

Quitanda guarda lembranças do bairro

A Quitanda Zenaide é comércio tradicional do Jardim das Maravilhas. O estabelecimento funciona como um minimercado e vende itens essenciais para as donas de casa do bairro.

Zenaide da Rocha, 74 anos, é dona do comércio e conta como o bairro era quando ela se mudou, há 47 anos. “Antes eu morava em Camilópolis. Quando me mudei para cá, não tinha asfalto nem esgoto, somente luz elétrica. A gente tinha que fazer poço em casa para ter água para as atividades diárias.”

A comerciante colocou um banquinho em frente à quitanda, no qual é possível encontrá-la, nos horários de pouco movimento, sentada com amigas para olhar a rua e conversar.

Segundo Zenaide, o bairro é muito bom, mas assaltos nas proximidades têm deixado os moradores preocupados. Mesmo assim, ela não pensa em se mudar. “Gosto muito daqui, mas o pessoal tem reclamado principalmente de roubos de celulares. A mulherada não pode vacilar no ponto de ônibus, pois fica suscetível aos assaltos. Mas, hoje em dia, esse problema está em todo lugar, não é só aqui.”

Ela conta ainda que não trabalhou somente na quitanda. “Atuei como costureira e também em uma fábrica da cidade, mas hoje em dia ela não existe mais”, comenta.

Zenaide salienta que há muitos moradores antigos no bairro justamente por ser um lugar tranquilo, que atrai famílias. “O pessoal se mudou para cá, depois os filhos foram casando e acabaram ficando.”

Comerciante se queixa de assaltos

José Carlos Souza, 51 anos, é dono de um depósito de materiais no Jardim das Maravilhas. Apesar de o comércio estar cheio de mercadorias, ele comenta que as coisas não estão indo bem. “Antes eu trabalhava na Volkswagen. Abri a loja faz uns dois anos e já estou pensando em fechar, não tem muito movimento. Vou tentar montar em uma avenida na qual passe mais gente”, relata.

Mas, segundo José Carlos, esse não é o único motivo da mudança. O comerciante diz sofrer constantes assaltos. “A gente não tem segurança aqui. Nunca vi passar nenhum carro de polícia à noite. Eu mesmo já fui assaltado diversas vezes. Uma vez, vieram três sujeitos e me apontaram uma arma na cabeça. Fizeram a limpa no lugar. Como sou religioso, disse que Deus tem um plano para eles, que ainda é tempo de ir à igreja. Um deles, que era nervoso, ameaçou atirar na minha cabeça, mas os comparsas não deixaram.”

Ele diz não ser o único que sofre com isso. “Teve uma vez que um menino aqui da rua entrou correndo na loja com a bicicleta pedindo ajuda. Quando vi, outros dois o estavam perseguindo. Ficaram parados do lado de fora. Falei para o garoto deixar a bicicleta aqui e chamei a polícia, que o levou para casa.”

O comandante do 10º Batalhão da PM (Polícia Militar), responsável pela área, tenente-coronel Freitas, destacou que houve neste ano apenas seis casos de roubos a transeuntes na área. “O que pode haver é a subnotificação, por isso, é importante que quem sofrer roubo ou furto registre o boletim de ocorrência. Há patrulhamento em toda cidade, mas ele é intensificado nos locais onde são registrados mais casos.”  



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Pai de Elvis Presley vive no Jardim das Maravilhas

Sapateiro Alonço Filho tem orgulho do filho Elvinho, um dos covers mais consagrados do cantor norte-americano

Renato Cunha
Especial para o Diário

11/11/2014 | 07:00


Conhecer uma personalidade, para muitas pessoas, é um sonho. Ainda mais quando se tratava de Elvis Presley. Mas a história é ainda mais interessante quando o Rei do Rock é da família. É o que acontece com Alonço Filho, afinal, ele é pai de Elvinho, um dos covers mais consagrados de Elvis no mundo, ganhador do prêmio de melhor ETA (Elvis Tribute Artist) no São Paulo Elvis Festival 2013 e terceiro lugar no Festival Internacional Doc Franklin’s Original Images of the King 2013, em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos.

O filho é motivo de orgulho para o sapateiro Alonço Filho, 64 anos. Morador do Jardim das Maravilhas, em Santo André, está no bairro há mais de vinte anos. “Na época que mudei para cá já era casado e o Elvinho era pequeno”, lembra.

Segundo ele, desde criança o filho já era apaixonado pelo Rei do Rock. “Quando eu era mais jovem, gostava bastante de Roberto Carlos e Beatles, tinha algumas coisas do Elvis também. Teve um dia que o Elvinho achou uma fita de um show do Elvis Presley em casa e começou a assistir. Depois de um tempo, ele já estava cantando e tentando imitar o artista”, recorda.

O sapateiro também é apaixonado por futebol e é são-paulino roxo. Mas diz que não costuma ir mais em estádios por conta da violência. “Teve uma vez que fui assistir a um jogo do São Paulo e perto de mim aconteceu uma confusão. Um policial me acertou uma bala de borracha. O pior é que eu não tinha nada a ver com aquilo. Depois me pediram desculpas, ofereceram um lanche e perguntaram se não queria carona para casa, mas não quis chegar em casa dentro do carro de polícia. Desde então nunca mais fui aos jogos. As pessoas não vão pelo esporte, só vão para brigar”, reclama.

Ele comenta ainda que o filho quase virou jogador de futebol. “Elvinho era goleiro. E jogava muito bem. Teve uma vez que ele estava no time do São Bernardo e foi jogar contra o Santo André, que era o seu ex-time. Naquele dia fechou o gol, ganharam de 1 a 0 e o Elvinho acabou quebrando um dedo da mão”, conta.

PROFISSÃO

Alonço também é apaixonado pelo seu trabalho. A sapataria é repleta de cartazes do filho, além de fotos do time do coração. “Para mim, o trabalho é como se fosse uma garota. Coloco muito amor no meu ofício. Quando tinha 11 anos, morava no Interior e fazia botas para os fazendeiros. Naquela época, a caneta era a enxada e a lima, o caderno.”

O sapateiro também gosta de carros antigos. Ele tem um fusca 1972 impecável que, segundo ele, só usa em emergências, já que prefere fazer exercícios a pé ou de bicicleta. “Reformei todo esse Fusca. Fiquei vários meses arrumando ele. Mas eu quase nem ando de carro. Quando não é muito longe prefiro ir a pé ou de bicicleta, assim aproveito e faço exercícios. Teve uma vez que fui até o Ipiranga (bairro da Capital, distante cerca de 11 quilômetros) a pé”, conta.

Quitanda guarda lembranças do bairro

A Quitanda Zenaide é comércio tradicional do Jardim das Maravilhas. O estabelecimento funciona como um minimercado e vende itens essenciais para as donas de casa do bairro.

Zenaide da Rocha, 74 anos, é dona do comércio e conta como o bairro era quando ela se mudou, há 47 anos. “Antes eu morava em Camilópolis. Quando me mudei para cá, não tinha asfalto nem esgoto, somente luz elétrica. A gente tinha que fazer poço em casa para ter água para as atividades diárias.”

A comerciante colocou um banquinho em frente à quitanda, no qual é possível encontrá-la, nos horários de pouco movimento, sentada com amigas para olhar a rua e conversar.

Segundo Zenaide, o bairro é muito bom, mas assaltos nas proximidades têm deixado os moradores preocupados. Mesmo assim, ela não pensa em se mudar. “Gosto muito daqui, mas o pessoal tem reclamado principalmente de roubos de celulares. A mulherada não pode vacilar no ponto de ônibus, pois fica suscetível aos assaltos. Mas, hoje em dia, esse problema está em todo lugar, não é só aqui.”

Ela conta ainda que não trabalhou somente na quitanda. “Atuei como costureira e também em uma fábrica da cidade, mas hoje em dia ela não existe mais”, comenta.

Zenaide salienta que há muitos moradores antigos no bairro justamente por ser um lugar tranquilo, que atrai famílias. “O pessoal se mudou para cá, depois os filhos foram casando e acabaram ficando.”

Comerciante se queixa de assaltos

José Carlos Souza, 51 anos, é dono de um depósito de materiais no Jardim das Maravilhas. Apesar de o comércio estar cheio de mercadorias, ele comenta que as coisas não estão indo bem. “Antes eu trabalhava na Volkswagen. Abri a loja faz uns dois anos e já estou pensando em fechar, não tem muito movimento. Vou tentar montar em uma avenida na qual passe mais gente”, relata.

Mas, segundo José Carlos, esse não é o único motivo da mudança. O comerciante diz sofrer constantes assaltos. “A gente não tem segurança aqui. Nunca vi passar nenhum carro de polícia à noite. Eu mesmo já fui assaltado diversas vezes. Uma vez, vieram três sujeitos e me apontaram uma arma na cabeça. Fizeram a limpa no lugar. Como sou religioso, disse que Deus tem um plano para eles, que ainda é tempo de ir à igreja. Um deles, que era nervoso, ameaçou atirar na minha cabeça, mas os comparsas não deixaram.”

Ele diz não ser o único que sofre com isso. “Teve uma vez que um menino aqui da rua entrou correndo na loja com a bicicleta pedindo ajuda. Quando vi, outros dois o estavam perseguindo. Ficaram parados do lado de fora. Falei para o garoto deixar a bicicleta aqui e chamei a polícia, que o levou para casa.”

O comandante do 10º Batalhão da PM (Polícia Militar), responsável pela área, tenente-coronel Freitas, destacou que houve neste ano apenas seis casos de roubos a transeuntes na área. “O que pode haver é a subnotificação, por isso, é importante que quem sofrer roubo ou furto registre o boletim de ocorrência. Há patrulhamento em toda cidade, mas ele é intensificado nos locais onde são registrados mais casos.”  

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