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Livro conta história da medicina com humor


João Marcos Coelho
Especial para o Diário

19/10/2002 | 17:05


Seria apenas mais um ótimo livro de humor, não fosse o fato de seu autor ser médico. Richard Gordon, o divertido autor de A Assustadora História da Medicina (Ediouro, 432 págs., R$ 49,50), faz questão de que conste em sua biografia que há trinta anos ele não exerce a profissão. Mas sua intimidade com a medicina é tamanha que o livro ultrapassa fácil o objetivo de apenas causar risos e gargalhadas.

Nas mais de 400 páginas, aliás fartamente ilustradas, Gordon mostra a trajetória da sua profissão, declarando de saída que “a história da medicina é uma longa substituição da ignorância pela falácia”, ou seja, do desconhecimento ingênuo até a esperteza de quem quer enganar incautos. Neste caso encaixa-se, por exemplo, o doutor Abernethy, conhecido em seu tempo por suas pílulas azuisùele, que receitava sempre quando não era possível operar o paciente. “Ao menos, movimenta-lhe os intestinos”, dizia.

A diversão fica por conta de histórias hilárias como a do poderoso Hitler, que abaixava a calça para injeções estimulantes cinco vezes ao dia; ou então o lendário James Boswell, pioneiro do sexo seguro, que só usava camisinhas feitas com tripa de carneiro amarradas com fitinhas de cores remetendo às nacionalidades das mulheres com as quais dormia; e mesmo os acessos de arrotos incontroláveis de outra figura poderosa, a rainha Vitória, da Inglaterra.

Mas é magnífico, por outro lado, o modo como Gordon conta a trajetória vitoriosa de Pasteur: “Em 1856, a indústria francesa de vinho praticamente fechou. Garrafa após garrafa de vinho avinagrado era devolvida iradamente aos sommeliers, seu conteúdo despejado nos esgotos, e elas foram quebradas com desespero contra a parede. A cerveja também estava horrível. Os vinhateiros de Bordeaux chamaram o professor de química de Lille, uma autoridade em fermentação assim como Flaubert era, em Rouen, autoridade em adultério”.

O resto da história a gente conhece bem. “Pasteur descobriu que aquela tráfica acidificação do vinho não era produzida por alguma química maligna, mas por organismos microscópicos vivos, gerados não pela própria bebida agradável, mas que estavam no ar. O desastre ecológico seria evitado se fossem mortos os organismos, o que poderia ser feito aquecendo o tanque a 60 graus centígrados”. Este processo, que ficou conhecido como pasteurização, salvou não só o raro vinho francês como a preciosa cerveja desses dias de calor africano que vivemos – e, claro, o leite da crianças também.



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Livro conta história da medicina com humor

João Marcos Coelho
Especial para o Diário

19/10/2002 | 17:05


Seria apenas mais um ótimo livro de humor, não fosse o fato de seu autor ser médico. Richard Gordon, o divertido autor de A Assustadora História da Medicina (Ediouro, 432 págs., R$ 49,50), faz questão de que conste em sua biografia que há trinta anos ele não exerce a profissão. Mas sua intimidade com a medicina é tamanha que o livro ultrapassa fácil o objetivo de apenas causar risos e gargalhadas.

Nas mais de 400 páginas, aliás fartamente ilustradas, Gordon mostra a trajetória da sua profissão, declarando de saída que “a história da medicina é uma longa substituição da ignorância pela falácia”, ou seja, do desconhecimento ingênuo até a esperteza de quem quer enganar incautos. Neste caso encaixa-se, por exemplo, o doutor Abernethy, conhecido em seu tempo por suas pílulas azuisùele, que receitava sempre quando não era possível operar o paciente. “Ao menos, movimenta-lhe os intestinos”, dizia.

A diversão fica por conta de histórias hilárias como a do poderoso Hitler, que abaixava a calça para injeções estimulantes cinco vezes ao dia; ou então o lendário James Boswell, pioneiro do sexo seguro, que só usava camisinhas feitas com tripa de carneiro amarradas com fitinhas de cores remetendo às nacionalidades das mulheres com as quais dormia; e mesmo os acessos de arrotos incontroláveis de outra figura poderosa, a rainha Vitória, da Inglaterra.

Mas é magnífico, por outro lado, o modo como Gordon conta a trajetória vitoriosa de Pasteur: “Em 1856, a indústria francesa de vinho praticamente fechou. Garrafa após garrafa de vinho avinagrado era devolvida iradamente aos sommeliers, seu conteúdo despejado nos esgotos, e elas foram quebradas com desespero contra a parede. A cerveja também estava horrível. Os vinhateiros de Bordeaux chamaram o professor de química de Lille, uma autoridade em fermentação assim como Flaubert era, em Rouen, autoridade em adultério”.

O resto da história a gente conhece bem. “Pasteur descobriu que aquela tráfica acidificação do vinho não era produzida por alguma química maligna, mas por organismos microscópicos vivos, gerados não pela própria bebida agradável, mas que estavam no ar. O desastre ecológico seria evitado se fossem mortos os organismos, o que poderia ser feito aquecendo o tanque a 60 graus centígrados”. Este processo, que ficou conhecido como pasteurização, salvou não só o raro vinho francês como a preciosa cerveja desses dias de calor africano que vivemos – e, claro, o leite da crianças também.

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