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Queda do dólar deve demorar a baratear importados


Do Diário do Grande ABC

17/02/1999 | 21:46


A queda da cotaçao do dólar, que chega a 6% somente nas duas primeiras semanas deste mês, deve chegar ao preço dos importados no varejo somente em janeiro e fevereiro, na reposiçao de estoques. Ainda assim, mesmo que a tendência continue no início do ano, a queda nao deve ser generalizada porque alguns importadores nao chegaram a aumentar os preços para o consumidor na mesma proporçao da cotaçao do dólar. Agora, dizem que já estao adequados à nova cotaçao.

Segundo um estudo divulgado esta semana pelo banco BBV Brasil, embora a desvalorizaçao nominal do real tenha superado os 50%, seu impacto sobre o índice de inflaçao IPCA foi de apenas 9% em 1999. "A queda para o consumidor ainda este ano vai depender da concorrência no mercado", diz o presidente da Associaçao Paulista dos Supermercados (Apas), Omar Assaf.

"Se o dólar está baixando, a tendência é reduzir os preços", diz Omar, lembrando que alguns produtos podem ter sido pagos com a cotaçao no pico e outros com o dólar já em queda. "Tudo depende dos estoques e da necessidade de reposiçao."

Embora paguem o dólar do dia nos impostos e taxas de desembaraço das mercadorias, os importadores nem sempre usam a mesma cotaçao com os fornecedores, que às vezes oferecem prazos de até seis meses para pagamento. Do mesmo modo, importadores mantêm tabelas fixas para seus clientes, com o preço em reais ou em dólares com cotaçao fixa.

"Mantivemos nossos preços com uma cotaçao entre R$ 1,75 e R$ 1,80", diz o importador Osório Henrique Furlan Júnior, da Bruck Importadora, que tem 45% do mercado brasileiro de vinhos italianos. Apesar de pagar as taxas e impostos pela cotaçao do dólar, Furlan paga os vinhos que importa pela cotaçao da lira, a moeda italiana, que subiu bem menos do que a moeda americana este ano. Desde janeiro, enquanto o dólar subiu 53%, a lira aumentou 32%. Há três meses, Furlan mantém os preços estáveis, em reais.

Em janeiro, os produtos cujo estoque se esgotou e forem importados agora devem ter uma reduçao de até 10%, espera ele. Mas, nas linhas em que restou estoque deste ano, comprado com a cotaçao mais alta, a reduçao deve ser menor.

Na Casa Santa Luzia, a cotaçao dos importados nunca chegou aos R$ 2,00 do mercado financeiro. "Mantivemos o dólar cotado a R$ 1,78 no preço dos produtos, sacrificando margem quando pagamos mais do que isso", diz o proprietário, Jorge Conceiçao Lopes. Por isso, ele diz que a cotaçao atual, de R$ 1,80, nao altera seus preços. "Quando o dólar aumenta muito, nao podemos repassar tudo, senao nao vendemos", diz Lopes.



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