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Nova Selic frustra o comércio local


Clarissa Cavalcanti
William Glauber
Do Diário do Grande ABC

16/09/2005 | 08:20


Comerciantes do Grande ABC criticaram a queda de apenas 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), que entrou em vigor nesta quinta-feira. Segundo representantes do comércio, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central não terá impacto imediato nas movimentações financeiras do setor. A expectativa dos varejistas era uma redução de pelo menos 0,5 ponto percentual da Selic, que passou de 19,75% para 19,5% ao ano.

Para os presidentes de associações comerciais da região, a redução da taxa básica somente será sentida pelo setor varejista depois de quedas maiores e consecutivas do índice. A curto prazo, o recuo de 0,25 ponto percentual não altera efetivamente os juros praticados pelos bancos, principais instituições fornecedoras de linhas de crédito para comércio e consumidores.

Uma queda maior da taxa aceleraria os efeitos da medida na área financeira do comércio. Para encurtar esse tempo, o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, torcia pela redução de 0,5 ponto. Segundo ele, a medida do BC não terá influência direta no comércio, por enquanto. "Se a redução acontecer em doses homeopáticas, o impacto no comércio ocorrerá só em 2006."

A timidez da medida do BC foi o maior alvo das críticas dos comerciantes. "Faltou agressividade. Faltou bom senso. Deveriam ter baixado no mínimo entre 0,75 e 1 ponto", diz Marcos Soares, presidente da Aciam (Associação Comercial e Empresarial de Mauá) e também secretário de Desenvolvimento Econômico e Social do município. "Todos os indicadores inflacionários mostram condições para redução contínua da taxa", completa.

Mesmo gradativa, a expectativa é que se mantenha a redução nos próximos meses. O presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), Wilson Ambrósio, acredita que a redução da taxa de juros foi positiva porque sinaliza tendência. "A medida do BC foi cautelosa, mas se a redução persistir teremos aumento da oferta de crédito."

Embora boa parte dos consumidores desconheça a influência do taxa Selic sobre as vendas do comércio, a percepção de queda do índice é bem avaliada pela população. "O cliente faz apenas leitura de que os juros sobem ou descem", diz o gerente da Aciarp (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires), Manuel Mendes Júnior.

Conservadorismo – A redução da Selic já era esperada desde o mês passado por conta do controle da inflação. A queda de diversos índices apontam para a efetivação da meta de inflação de 5,1% para 2005, traçada pelo Ministério da Fazenda. No entanto, o diretor da Faculdade de Economia da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo), Evaristo Peroni Novaes, afirma que a decisão tardou por conta do conservadorismo da política econômica da atual gestão do Banco Central.

"A decisão é coerente com a política adotada. Qualquer sinal que indicasse inflação superior a 5,1%, traçada para este ano, faria com que a taxa fosse mantida. Se mantiver esse panorama de queda, a inflação pode chegar até 14% no final do próximo ano", prevê Novaes.

Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Imes, de São Caetano, Francisco Funcia, a taxa de juros deveria estar abaixo de 10%. "O Brasil tem umas das taxas mais altas do mundo." No entanto, Funcia diz que são necessárias condições ideais para efetivar a redução dos juros. "Juros baixos permitem investimentos em infra-estrutura, desenvolvimento e barateamento das linhas de crédito, estimulando novos financiamentos aos consumidores."



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