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Família aguarda Justiça há 19 meses


Renato Castroneves
Especial para o Diário

28/09/2010 | 07:10


Dezenove meses após o acidente que vitimou Daniel Junqueira Cremon e Rubesnei Aguiar, mortos por uma descarga elétrica nas imediações do Atacadista Assaí, em Santo André, familiares das vítimas ainda aguardam decisão da Justiça no processo de indenização.

Daniel e Rubesnei, então com 20 e 46 anos, respectivamente, sofreram acidente similar ao de Murilo Duvilho Quartorolo, 18, morto na última quinta-feira, na Vila Luzita. No dia 7 de fevereiro de 2009, eles foram atingidos pela descarga elétrica de um poste metálico na área externa do atacadista, próximo ao Terminal Leste de santo André.

Um forte temporal atingiu o Grande ABC naquele dia. Daniel voltava do shopping com uma amiga quando encostou no poste energizado. Ele morreu no local. Já Rubesnei - que passava pela região para buscar a mulher e o filho - foi eletrocutado ao tentar salvá-lo.

Segundo a advogada da família Cremon, Jaíra Azevedo Carvalho, a decisão do Tribunal de Justiça do Estado foi "retardada" porque a assessoria jurídica do Atacadista Assaí conseguiu suspender a audiência marcada para 18 de maio. "Eles alegaram que o Daniel estava furtando o semáforo e conseguiram retardar a decisão do TJ (Tribunal de Justiça). Estamos esperando a marcação de uma nova audiência", afirmou.

A greve dos servidores do Judiciário, encerrada dia 1º de setembro, após quatro meses de paralisação, também afetou o processo. A família da vítima pede cerca de R$ 350 mil de indenização.

"Foi muito baixo o que o supermercado (Assaí) fez. Sei que dinheiro nenhum vai trazer meu filho de volta, mas não acho justo que nada seja resolvido", disse emocionada Ruti Aparecida Junqueira, 49, mãe de Daniel.

INQUÉRITO
O Diário tentou ontem ter acesso ao inquérito policial, mas não obteve sucesso. No 2º DP do município, responsável pela investigação, disseram que o documento estava no Fórum. A advogada Denise Ranieri Almeida, contratada pela família de Rubesnei, contou que está com "dificuldade" para visualizar o inquérito, ainda não finalizado. "Faz uns três meses que (o inquérito) fica ‘pulando' da delegacia para o Fórum. Não sei por que, mas está complicado o acesso a algumas questões que precisam ser esclarecidas", disse a advogada.

A ex-mulher da vítima, Fátima Sabóia Aguiar, 41, lamentou a indefinição. "Estou criando meus dois filhos (10 e 19 anos) com dificuldade. Tudo na minha vida piorou depois do acidente."

Procurada, a assessoria jurídica do Atacadista Assaí não retornou as ligações do jornal.

Jurista comenta caso semelhante ocorrido na Vila Luzita
Para o criminalista Antonio Gonçalves, a responsabilidade pela morte do ajudante de marcenaria Murilo Durvilho Quartarolo, 18 anos, na semana passada pode recair sobre a empreiteira responsável pela obra de contenção de enchentes na região da Vila Luzita, em Santo André. "O Semasa contratou a empreiteira acreditando que ela era capaz de prestar o serviço", afirma Antonio Gonçalves. Ainda segundo o jurista, "a empreiteira poderá ser acionada pela família da vítima com pedido de indenização caso a culpa seja comprovada."

Na noite de quinta-feira, Quartarolo encostou em um poste de ferro da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo e foi eletrocutado por causa de um fio com a ponta desencapada que deixou o poste eletrificado. Segundo testemunhas, a fiação foi alterada por funcionários da empreiteira que prestavam serviço para o Semasa. "Alguém deixou aquele fio solto. Temos de saber quem. A pessoa vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar)" diz o delegado do 6º DP (Distrito Policial) Sérgio Simionatto que promete ouvir representantes da Prefeitura, do Semasa e da empreiteira. (Evandro De Marco)



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Família aguarda Justiça há 19 meses

Renato Castroneves
Especial para o Diário

28/09/2010 | 07:10


Dezenove meses após o acidente que vitimou Daniel Junqueira Cremon e Rubesnei Aguiar, mortos por uma descarga elétrica nas imediações do Atacadista Assaí, em Santo André, familiares das vítimas ainda aguardam decisão da Justiça no processo de indenização.

Daniel e Rubesnei, então com 20 e 46 anos, respectivamente, sofreram acidente similar ao de Murilo Duvilho Quartorolo, 18, morto na última quinta-feira, na Vila Luzita. No dia 7 de fevereiro de 2009, eles foram atingidos pela descarga elétrica de um poste metálico na área externa do atacadista, próximo ao Terminal Leste de santo André.

Um forte temporal atingiu o Grande ABC naquele dia. Daniel voltava do shopping com uma amiga quando encostou no poste energizado. Ele morreu no local. Já Rubesnei - que passava pela região para buscar a mulher e o filho - foi eletrocutado ao tentar salvá-lo.

Segundo a advogada da família Cremon, Jaíra Azevedo Carvalho, a decisão do Tribunal de Justiça do Estado foi "retardada" porque a assessoria jurídica do Atacadista Assaí conseguiu suspender a audiência marcada para 18 de maio. "Eles alegaram que o Daniel estava furtando o semáforo e conseguiram retardar a decisão do TJ (Tribunal de Justiça). Estamos esperando a marcação de uma nova audiência", afirmou.

A greve dos servidores do Judiciário, encerrada dia 1º de setembro, após quatro meses de paralisação, também afetou o processo. A família da vítima pede cerca de R$ 350 mil de indenização.

"Foi muito baixo o que o supermercado (Assaí) fez. Sei que dinheiro nenhum vai trazer meu filho de volta, mas não acho justo que nada seja resolvido", disse emocionada Ruti Aparecida Junqueira, 49, mãe de Daniel.

INQUÉRITO
O Diário tentou ontem ter acesso ao inquérito policial, mas não obteve sucesso. No 2º DP do município, responsável pela investigação, disseram que o documento estava no Fórum. A advogada Denise Ranieri Almeida, contratada pela família de Rubesnei, contou que está com "dificuldade" para visualizar o inquérito, ainda não finalizado. "Faz uns três meses que (o inquérito) fica ‘pulando' da delegacia para o Fórum. Não sei por que, mas está complicado o acesso a algumas questões que precisam ser esclarecidas", disse a advogada.

A ex-mulher da vítima, Fátima Sabóia Aguiar, 41, lamentou a indefinição. "Estou criando meus dois filhos (10 e 19 anos) com dificuldade. Tudo na minha vida piorou depois do acidente."

Procurada, a assessoria jurídica do Atacadista Assaí não retornou as ligações do jornal.

Jurista comenta caso semelhante ocorrido na Vila Luzita
Para o criminalista Antonio Gonçalves, a responsabilidade pela morte do ajudante de marcenaria Murilo Durvilho Quartarolo, 18 anos, na semana passada pode recair sobre a empreiteira responsável pela obra de contenção de enchentes na região da Vila Luzita, em Santo André. "O Semasa contratou a empreiteira acreditando que ela era capaz de prestar o serviço", afirma Antonio Gonçalves. Ainda segundo o jurista, "a empreiteira poderá ser acionada pela família da vítima com pedido de indenização caso a culpa seja comprovada."

Na noite de quinta-feira, Quartarolo encostou em um poste de ferro da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo e foi eletrocutado por causa de um fio com a ponta desencapada que deixou o poste eletrificado. Segundo testemunhas, a fiação foi alterada por funcionários da empreiteira que prestavam serviço para o Semasa. "Alguém deixou aquele fio solto. Temos de saber quem. A pessoa vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar)" diz o delegado do 6º DP (Distrito Policial) Sérgio Simionatto que promete ouvir representantes da Prefeitura, do Semasa e da empreiteira. (Evandro De Marco)

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