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Academias focam em aulas on-line durante pandemia

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com queda no faturamento e fechamento por causa da quarentena, locais recorrem à internet para manter vínculo com alunos


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

26/04/2020 | 00:01


A prática de exercícios físicos é demanda crescente na sociedade, seja em busca de saúde ou de estética. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, as academias de ginástica foram fechadas desde o início do decreto estadual da quarentena por causa da grande concentração de pessoas nos ambientes. Para passar por esse período – no qual o faturamento pode ter caído entre 40% e 100% – os estabelecimentos da região recorrem às transmissões via internet.

No Grande ABC são 8.312 profissionais da área de educação física, sendo que 7.696 estão registrados como pessoas físicas e 616 como jurídicas. Os dados são do Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) e foram levantados a pedido do Diário.

De acordo com o presidente do conselho, Nelson Leme da Silva Junior, a possibilidade de atendimento on-line, que é a principal alternativa neste período de isolamento, foi publicada em resolução recente por causa da pandemia. “Isso não estava regulamentado, então é algo que dá segurança jurídica para o profissional neste período”, afirmou.

Seja por meio de lives (transmissões feitas ao vivo por meio de redes sociais) ou até mesmo aulas gravadas, o contato via internet vem sendo crucial para quem é acostumado com exercícios físicos e está em isolamento físico.

Proprietário do Gatt One Centro de Treinamento, localizado na Vila Noêmia, em Mauá, Thiago Wagner Martins Menegatti afirmou que a adesão chega a uma média de 80% dos frequentadores. “Lógico que nada como o contato físico e o olho no olho, mas estamos tentando dar opções para que os alunos continuem treinando motivados. A principal foi a disponibilização de alguns dos materiais. Temos um aplicativo, no qual é feita prescrição de aulas on-line e também temos as transmissões ao vivo. Quando ele não consegue acompanhar, isso fica gravado.”

Mesmo assim, o empresário comentou que não são todos que se adaptam. “Alguns têm a necessidade de ir até o local, com o professor junto explicando tudo. Mas, em períodos como este, o exercício funciona como uma válvula de escape emocional.”

No estabelecimento, que funciona há três anos, são aproximadamente 150 inscritos e são disponibilizadas modalidades como fitdance e cross training (treinamento de condicionamento físico). Menegatti não possui funcionários, já que na unidade ele atua junto com outros sócios. Entre as principais despesas, destaca contas fixas como o aluguel. “Já estamos conversando sobre acordos com a imobiliária, como a prorrogação de pagamentos e ajuste de valores.” Segundo ele, a maioria dos alunos se manteve sócia, mas cerca de dez pessoas já cancelaram os planos por perderem o emprego. O faturamento teve queda de cerca de 40%.

Percursor da modalidade na região e fundador da Academia Lira Tae Kwon Do Club no Centro de Diadema, que existe há 40 anos, José Roberto Lima afirmou que esta é a pior crise pela qual passou. Ele, que fechou o estabelecimento uma semana antes do decreto da quarentena por causa da quantidade de alunos idosos, foi reticente à disponibilização de conteúdo on-line no começo.

“Fui relutante porque já é difícil em aula presencial manter a subsistência. Mas há duas semanas começamos a preparar aulas e disponibilizar para os alunos na nossa página”, citou ele, que aproveita para abordar outros conteúdos além dos exercícios. “Consigo dar a parte teórica, que pessoalmente, com muitas pessoas, não há oportunidade para ficar se estendendo. No vídeo, eu consigo dar detalhes.”

Lima ainda não calculou as perdas, mas discorreu que o importante é que os alunos continuem quando as atividades retornarem. Mas, para manter o espaço, recorreu a outros setores. “Eu trabalho com marcenaria e minha mulher está vendendo marmitex. O nosso recebimento neste mês não chegou a 20% do que é normalmente, Não entra o suficiente para pagar água, luz e aluguel, então a gente vai se virando.”

Setor cria cartilha com dicas sobre volta das atividades

Mesmo ainda sem definições sobre quando a retomada das atividades deve acontecer, o setor já se prepara para o retorno. O Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) lançou cartilha com procedimentos de reabertura de academias.

O material sugere que, após a reabertura, os estabelecimentos sigam os procedimentos de segurança durante as quatro primeiras semanas para reduzir o risco de contaminação pela Covid-19 dentro das unidades. Depois disso, é possível voltar à normalidade da operação, de acordo com a cartilha.

Entre as recomendações estão a disponibilização de álcool em gel para uso dos clientes e colaboradores em todas as áreas, fechamento de cada área de uma a duas vezes por dia para limpeza por pelo menos 30 minutos, posicionamento estratégico de kits de limpeza nos locais para musculação e peso livre e uso obrigatório de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para funcionários, personal trainers e terceirizados.

Como medida preventiva operacional, a orientação é que os estabelecimentos também façam a medição da temperatura com termômetro eletrônico de todos que entrarem, limitar a quantidade de clientes, com ocupação de uma pessoa a cada metro quadrado em áreas de treino, piscinas e vestiários, e delimitar com fita o espaço de 1,5 metro para o exercício nas salas de atividades físicas coletivas.

O diretor da Acad Brasil (Associação Brasileira de Academias) Ailton Mendes, que também é empresário do setor há 26 anos, comentou que muitos estabelecimentos chegaram ao faturamento zero, por isso é importante que, quando a volta for autorizada, o setor já esteja preparado.

“Os responsáveis já ficam a par de que o retorno não vai acontecer como era antes, e sim com uma série de restrições. A cartilha foi desenvolvida pelo Cref-4 junto com a Acad para que os profissionais já consigam se preparar para quando a abertura acontecer”, afirmou.

Mendes disse que o setor é um dos que mais estão sofrendo com a pandemia, já que, diferentemente de bares e restaurantes, não consegue atuar por delivery. Mesmo assim, comentou que a relação com os clientes ajuda neste momento.

“Na maioria das academias, a relação é muito pessoal. São as academias de bairro ou dos amigos ou dos familiares. Então, a maioria dos clientes está muito solidária em relação ao cancelamento de planos. Mas sabemos que é um período difícil, por isso é importante já dar um passo a frente para quando a retomada acontecer”, sugeriu.

Acordo visa garantia de empregos

Em uma articulação entre as principais associações do setor, um acordo coletivo foi firmado em todo o Estado para evitar a demissão de profissionais de educação física. Com base na MP (Medida Provisória) 936, proposta pelo governo federal, a decisão permite a suspensão dos contratos de trabalho por até 60 dias e corte dos salários de até 70% com redução de jornada.

O acordo foi firmado em reunião virtual entre o Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) com o Sindicato das Academias de São Paulo, a Acad (Associação Brasileira de Academias), o Sindicato dos Profissionais de Educação Física do Estado de São Paulo e o Sindesporte (Sindicato dos Empregados de Clubes Esportivos e em Federações, Confederações e Academias Esportivas no Estado de São Paulo). A ideia é obter acertos que evitem demissões no setor. Estão envolvidos no acordo coletivo cerca de 12 mil academias do Estado e 90 mil trabalhadores.

Uma das principais medidas tomadas, acordada por todos, foi um aditivo ao contrato de acordo coletivo da categoria para que todas as academias do Estado de São Paulo possam fazer uso da MP. Após o período da suspensão do contrato de trabalho, os empregadores se comprometem com a estabilidade do emprego de seus funcionários por período determinado.

Com o acordo coletivo, em vez de cada uma das academias do Estado precisar fazer sua própria negociação a assinar acordos individuais, uma só assinatura vale para todas. “Quanto maior o desemprego, mais difícil será a retomada quando essa crise acabar. Então, cada emprego que a gente consiga manter será de grande valia tanto do ponto de vista individual como do coletivo”, afirmou o diretor da Acad Brasil Ailton Mendes. “O setor sobrevive nesse sentido sem demissões, mas se perdurar muito tempo, haverá dificuldades e vamos ter que rever algumas coisas”, disse o presidente do Cref-4/SP, Nelson Leme.<EM>

CRESCIMENTO
A pandemia interrompe o crescimento no número de profissionais no setor. Com a alta demanda por mais qualidade de vida, todo o Estado tem um acréscimo médio de 7.000 profissionais por ano. “É um setor muito abrangente, que pode atuar em academias, mas também na prática de esportes como o stand-up paddle (esporte adaptado com uma prancha). Acreditamos que este será um ano atípico. É importante lembrar que também atuamos na saúde e bem estar das pessoas”, disse Leme. 



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Academias focam em aulas on-line durante pandemia

Com queda no faturamento e fechamento por causa da quarentena, locais recorrem à internet para manter vínculo com alunos

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

26/04/2020 | 00:01


A prática de exercícios físicos é demanda crescente na sociedade, seja em busca de saúde ou de estética. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, as academias de ginástica foram fechadas desde o início do decreto estadual da quarentena por causa da grande concentração de pessoas nos ambientes. Para passar por esse período – no qual o faturamento pode ter caído entre 40% e 100% – os estabelecimentos da região recorrem às transmissões via internet.

No Grande ABC são 8.312 profissionais da área de educação física, sendo que 7.696 estão registrados como pessoas físicas e 616 como jurídicas. Os dados são do Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) e foram levantados a pedido do Diário.

De acordo com o presidente do conselho, Nelson Leme da Silva Junior, a possibilidade de atendimento on-line, que é a principal alternativa neste período de isolamento, foi publicada em resolução recente por causa da pandemia. “Isso não estava regulamentado, então é algo que dá segurança jurídica para o profissional neste período”, afirmou.

Seja por meio de lives (transmissões feitas ao vivo por meio de redes sociais) ou até mesmo aulas gravadas, o contato via internet vem sendo crucial para quem é acostumado com exercícios físicos e está em isolamento físico.

Proprietário do Gatt One Centro de Treinamento, localizado na Vila Noêmia, em Mauá, Thiago Wagner Martins Menegatti afirmou que a adesão chega a uma média de 80% dos frequentadores. “Lógico que nada como o contato físico e o olho no olho, mas estamos tentando dar opções para que os alunos continuem treinando motivados. A principal foi a disponibilização de alguns dos materiais. Temos um aplicativo, no qual é feita prescrição de aulas on-line e também temos as transmissões ao vivo. Quando ele não consegue acompanhar, isso fica gravado.”

Mesmo assim, o empresário comentou que não são todos que se adaptam. “Alguns têm a necessidade de ir até o local, com o professor junto explicando tudo. Mas, em períodos como este, o exercício funciona como uma válvula de escape emocional.”

No estabelecimento, que funciona há três anos, são aproximadamente 150 inscritos e são disponibilizadas modalidades como fitdance e cross training (treinamento de condicionamento físico). Menegatti não possui funcionários, já que na unidade ele atua junto com outros sócios. Entre as principais despesas, destaca contas fixas como o aluguel. “Já estamos conversando sobre acordos com a imobiliária, como a prorrogação de pagamentos e ajuste de valores.” Segundo ele, a maioria dos alunos se manteve sócia, mas cerca de dez pessoas já cancelaram os planos por perderem o emprego. O faturamento teve queda de cerca de 40%.

Percursor da modalidade na região e fundador da Academia Lira Tae Kwon Do Club no Centro de Diadema, que existe há 40 anos, José Roberto Lima afirmou que esta é a pior crise pela qual passou. Ele, que fechou o estabelecimento uma semana antes do decreto da quarentena por causa da quantidade de alunos idosos, foi reticente à disponibilização de conteúdo on-line no começo.

“Fui relutante porque já é difícil em aula presencial manter a subsistência. Mas há duas semanas começamos a preparar aulas e disponibilizar para os alunos na nossa página”, citou ele, que aproveita para abordar outros conteúdos além dos exercícios. “Consigo dar a parte teórica, que pessoalmente, com muitas pessoas, não há oportunidade para ficar se estendendo. No vídeo, eu consigo dar detalhes.”

Lima ainda não calculou as perdas, mas discorreu que o importante é que os alunos continuem quando as atividades retornarem. Mas, para manter o espaço, recorreu a outros setores. “Eu trabalho com marcenaria e minha mulher está vendendo marmitex. O nosso recebimento neste mês não chegou a 20% do que é normalmente, Não entra o suficiente para pagar água, luz e aluguel, então a gente vai se virando.”

Setor cria cartilha com dicas sobre volta das atividades

Mesmo ainda sem definições sobre quando a retomada das atividades deve acontecer, o setor já se prepara para o retorno. O Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) lançou cartilha com procedimentos de reabertura de academias.

O material sugere que, após a reabertura, os estabelecimentos sigam os procedimentos de segurança durante as quatro primeiras semanas para reduzir o risco de contaminação pela Covid-19 dentro das unidades. Depois disso, é possível voltar à normalidade da operação, de acordo com a cartilha.

Entre as recomendações estão a disponibilização de álcool em gel para uso dos clientes e colaboradores em todas as áreas, fechamento de cada área de uma a duas vezes por dia para limpeza por pelo menos 30 minutos, posicionamento estratégico de kits de limpeza nos locais para musculação e peso livre e uso obrigatório de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para funcionários, personal trainers e terceirizados.

Como medida preventiva operacional, a orientação é que os estabelecimentos também façam a medição da temperatura com termômetro eletrônico de todos que entrarem, limitar a quantidade de clientes, com ocupação de uma pessoa a cada metro quadrado em áreas de treino, piscinas e vestiários, e delimitar com fita o espaço de 1,5 metro para o exercício nas salas de atividades físicas coletivas.

O diretor da Acad Brasil (Associação Brasileira de Academias) Ailton Mendes, que também é empresário do setor há 26 anos, comentou que muitos estabelecimentos chegaram ao faturamento zero, por isso é importante que, quando a volta for autorizada, o setor já esteja preparado.

“Os responsáveis já ficam a par de que o retorno não vai acontecer como era antes, e sim com uma série de restrições. A cartilha foi desenvolvida pelo Cref-4 junto com a Acad para que os profissionais já consigam se preparar para quando a abertura acontecer”, afirmou.

Mendes disse que o setor é um dos que mais estão sofrendo com a pandemia, já que, diferentemente de bares e restaurantes, não consegue atuar por delivery. Mesmo assim, comentou que a relação com os clientes ajuda neste momento.

“Na maioria das academias, a relação é muito pessoal. São as academias de bairro ou dos amigos ou dos familiares. Então, a maioria dos clientes está muito solidária em relação ao cancelamento de planos. Mas sabemos que é um período difícil, por isso é importante já dar um passo a frente para quando a retomada acontecer”, sugeriu.

Acordo visa garantia de empregos

Em uma articulação entre as principais associações do setor, um acordo coletivo foi firmado em todo o Estado para evitar a demissão de profissionais de educação física. Com base na MP (Medida Provisória) 936, proposta pelo governo federal, a decisão permite a suspensão dos contratos de trabalho por até 60 dias e corte dos salários de até 70% com redução de jornada.

O acordo foi firmado em reunião virtual entre o Cref-4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região) com o Sindicato das Academias de São Paulo, a Acad (Associação Brasileira de Academias), o Sindicato dos Profissionais de Educação Física do Estado de São Paulo e o Sindesporte (Sindicato dos Empregados de Clubes Esportivos e em Federações, Confederações e Academias Esportivas no Estado de São Paulo). A ideia é obter acertos que evitem demissões no setor. Estão envolvidos no acordo coletivo cerca de 12 mil academias do Estado e 90 mil trabalhadores.

Uma das principais medidas tomadas, acordada por todos, foi um aditivo ao contrato de acordo coletivo da categoria para que todas as academias do Estado de São Paulo possam fazer uso da MP. Após o período da suspensão do contrato de trabalho, os empregadores se comprometem com a estabilidade do emprego de seus funcionários por período determinado.

Com o acordo coletivo, em vez de cada uma das academias do Estado precisar fazer sua própria negociação a assinar acordos individuais, uma só assinatura vale para todas. “Quanto maior o desemprego, mais difícil será a retomada quando essa crise acabar. Então, cada emprego que a gente consiga manter será de grande valia tanto do ponto de vista individual como do coletivo”, afirmou o diretor da Acad Brasil Ailton Mendes. “O setor sobrevive nesse sentido sem demissões, mas se perdurar muito tempo, haverá dificuldades e vamos ter que rever algumas coisas”, disse o presidente do Cref-4/SP, Nelson Leme.<EM>

CRESCIMENTO
A pandemia interrompe o crescimento no número de profissionais no setor. Com a alta demanda por mais qualidade de vida, todo o Estado tem um acréscimo médio de 7.000 profissionais por ano. “É um setor muito abrangente, que pode atuar em academias, mas também na prática de esportes como o stand-up paddle (esporte adaptado com uma prancha). Acreditamos que este será um ano atípico. É importante lembrar que também atuamos na saúde e bem estar das pessoas”, disse Leme. 

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