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Tamanduateí tem pouco monitoramento

Cetesb tem 2 pontos de análise do rio de 35 Km; coliformes fecais proíbem o consumo humano já na nascente


Isis Mastromano Correia
Do Diário do Grande ABC

19/01/2009 | 07:01


Só dois pontos dos 35 quilômetros de extensão do Rio Tamanduateí são monitorados pela Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado): um na ponte da Avenida dos Estados, na divisa entre São Caetano e a Capital, e o outro em São Paulo, na Avenida Santos Dumont. A qualidade da água do restante da bacia não é acompanhada senão por algumas empresas do pólo petroquímico, em Mauá, que têm outorga para utilizar parte das águas.

A escassez de dados relacionados ao Tamanduateí, sobretudo no trecho que passa elo Grande ABC, deu margem à elaboração de um estudo pela química e pesquisadora do Centro Universitário Fundação Santo André, Simone Garcia de Ávila, que monitorou a condição das águas em seis pontos do rio pela região que são descobertos de qualquer tipo de avaliação. "É um trabalho que deveria ser feito pelos governos de forma constante", avalia a especialista.

O levantamento abrangeu uma área de 12 quilômetros e teve início na nascente do rio, na Gruta Santa Luzia, no Jardim Itapeva, em Mauá. O estudo revela que o Tamanduateí está arruinado desde seu início por influência do esgoto sem tratamento despejados ao longo do leito.

Coliformes fecais proíbem o consumo humano já na nascente. Ali, a cada 100 ml de água existem 50 UFC (Unidade Formadora de Coliforme), nível aceito apenas para águas destinadas à recreação e outros usos menos exigentes do que o consumo.

E se a cabeceira que está situada em área protegida tem essa condição, o restante do rio só faz piorar. Há 300 metros da nascente, as primeiras tubulações começam o despejo de esgoto doméstico. O aumento do número de moradias entre primeiro ponto de amostragem ao segundo é da ordem de 10.000 vezes, o que mostra que, a partir deste ponto, a descarga de esgoto doméstico é intensa.

Ao longo de todo o rio, até o bairro Capuava, em Mauá, há a presença de lixo caseiro, coliformes em quantidade que impossibilita até mesmo atividades de recreação e cistos de giárdia lamblia (microorganismo que pode causar diarréia) foram encontrados em dois pontos: na Avenida Barão de Mauá e no Centro de Mauá.

Simone explica que o ponto mais crítico é o trecho do rio que passa por trás do Mauá Plaza Shopping com altas concentrações de coliformes e cistos de giárdia. É o ponto onde as margens estão especialmente tomadas por casas.

À medida que o curso do rio se aproxima do aglomerado de indústrias no bairro Capuava, em Mauá, até o bairro Santa Terezinha, em Santo André, os micróbios dão lugar aos fenóis, substâncias químicas que podem ser usadas como solvente e desinfetante. Altamente corrosivo, o produto pode causar irritação e lesões na pele se o contato direto for prolongado.

A concentração de fenol encontrada foi igual a 1,2 mg/l no último ponto de amostragem, nas proximidades da indústria Rhodia, estava acima do permitido, o que evidencia a contaminação por efluentes industriais. O índice permitido é inferior a 1 mg/l.

Dos três padrões de qualidade da água, só acidez está aceitável

Por ser um rio enquadrado na classe 4 - cujo uso preponderante deveria ser a navegação e harmonia paisagística, conforme modelo estabelecido pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) - existem padrões de qualidade das águas apenas para três parâmetros: oxigênio dissolvido, que ajuda na decomposição de matéria orgânica, pH e fenóis.

A responsável pela pesquisa do Centro Universitário Santo André, Simone Garcia de Ávila, diz que o pH (valor de alcalinidade ou acidez) foi o único dos parâmetros averiguados no qual o rio está dentro dos limites permitidos. O Tamanduateí apresentara pH próximo a sete, que indica neutralidade. "Provavelmente, as indústrias próximas ao rio devem ajustar o pH de seus efluentes antes de despejá-los no Tamanduateí", diz Simone.

Contudo, além destes parâmetros, a especialista analisou outros fatores que também comprometem a qualidade da água. A nascente, 300 metros após a cabeceira do rio e junto ao pólo petroquímico são os únicos pontos que apresentaram índice de oxigênio dissolvido dentro do permitido. "A classificação dada ao rio acaba inibindo ações para melhoria da qualidade da água já que o uso proposto não é tão exigente", aponta Simone.

Como o rio é margeado por vias importantes - sobretudo a Avenida dos Estados -, Simone Garcia também pesquisou a influência dos veículos na qualidade das águas do Tamanduateí.

A pesquisadora concluiu que os poluentes atmosféricos como monóxido de carbono, dióxidos de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio não afetaram a qualidade da água no período em que a pesquisa foi feita. Em contato com a água, os óxidos podem originar ácidos. "Mas esse resultado pode mudar, não significa que é uma constante, por isso é importante uma avaliação regular da água", diz Simone.



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Tamanduateí tem pouco monitoramento

Cetesb tem 2 pontos de análise do rio de 35 Km; coliformes fecais proíbem o consumo humano já na nascente

Isis Mastromano Correia
Do Diário do Grande ABC

19/01/2009 | 07:01


Só dois pontos dos 35 quilômetros de extensão do Rio Tamanduateí são monitorados pela Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado): um na ponte da Avenida dos Estados, na divisa entre São Caetano e a Capital, e o outro em São Paulo, na Avenida Santos Dumont. A qualidade da água do restante da bacia não é acompanhada senão por algumas empresas do pólo petroquímico, em Mauá, que têm outorga para utilizar parte das águas.

A escassez de dados relacionados ao Tamanduateí, sobretudo no trecho que passa elo Grande ABC, deu margem à elaboração de um estudo pela química e pesquisadora do Centro Universitário Fundação Santo André, Simone Garcia de Ávila, que monitorou a condição das águas em seis pontos do rio pela região que são descobertos de qualquer tipo de avaliação. "É um trabalho que deveria ser feito pelos governos de forma constante", avalia a especialista.

O levantamento abrangeu uma área de 12 quilômetros e teve início na nascente do rio, na Gruta Santa Luzia, no Jardim Itapeva, em Mauá. O estudo revela que o Tamanduateí está arruinado desde seu início por influência do esgoto sem tratamento despejados ao longo do leito.

Coliformes fecais proíbem o consumo humano já na nascente. Ali, a cada 100 ml de água existem 50 UFC (Unidade Formadora de Coliforme), nível aceito apenas para águas destinadas à recreação e outros usos menos exigentes do que o consumo.

E se a cabeceira que está situada em área protegida tem essa condição, o restante do rio só faz piorar. Há 300 metros da nascente, as primeiras tubulações começam o despejo de esgoto doméstico. O aumento do número de moradias entre primeiro ponto de amostragem ao segundo é da ordem de 10.000 vezes, o que mostra que, a partir deste ponto, a descarga de esgoto doméstico é intensa.

Ao longo de todo o rio, até o bairro Capuava, em Mauá, há a presença de lixo caseiro, coliformes em quantidade que impossibilita até mesmo atividades de recreação e cistos de giárdia lamblia (microorganismo que pode causar diarréia) foram encontrados em dois pontos: na Avenida Barão de Mauá e no Centro de Mauá.

Simone explica que o ponto mais crítico é o trecho do rio que passa por trás do Mauá Plaza Shopping com altas concentrações de coliformes e cistos de giárdia. É o ponto onde as margens estão especialmente tomadas por casas.

À medida que o curso do rio se aproxima do aglomerado de indústrias no bairro Capuava, em Mauá, até o bairro Santa Terezinha, em Santo André, os micróbios dão lugar aos fenóis, substâncias químicas que podem ser usadas como solvente e desinfetante. Altamente corrosivo, o produto pode causar irritação e lesões na pele se o contato direto for prolongado.

A concentração de fenol encontrada foi igual a 1,2 mg/l no último ponto de amostragem, nas proximidades da indústria Rhodia, estava acima do permitido, o que evidencia a contaminação por efluentes industriais. O índice permitido é inferior a 1 mg/l.

Dos três padrões de qualidade da água, só acidez está aceitável

Por ser um rio enquadrado na classe 4 - cujo uso preponderante deveria ser a navegação e harmonia paisagística, conforme modelo estabelecido pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) - existem padrões de qualidade das águas apenas para três parâmetros: oxigênio dissolvido, que ajuda na decomposição de matéria orgânica, pH e fenóis.

A responsável pela pesquisa do Centro Universitário Santo André, Simone Garcia de Ávila, diz que o pH (valor de alcalinidade ou acidez) foi o único dos parâmetros averiguados no qual o rio está dentro dos limites permitidos. O Tamanduateí apresentara pH próximo a sete, que indica neutralidade. "Provavelmente, as indústrias próximas ao rio devem ajustar o pH de seus efluentes antes de despejá-los no Tamanduateí", diz Simone.

Contudo, além destes parâmetros, a especialista analisou outros fatores que também comprometem a qualidade da água. A nascente, 300 metros após a cabeceira do rio e junto ao pólo petroquímico são os únicos pontos que apresentaram índice de oxigênio dissolvido dentro do permitido. "A classificação dada ao rio acaba inibindo ações para melhoria da qualidade da água já que o uso proposto não é tão exigente", aponta Simone.

Como o rio é margeado por vias importantes - sobretudo a Avenida dos Estados -, Simone Garcia também pesquisou a influência dos veículos na qualidade das águas do Tamanduateí.

A pesquisadora concluiu que os poluentes atmosféricos como monóxido de carbono, dióxidos de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio não afetaram a qualidade da água no período em que a pesquisa foi feita. Em contato com a água, os óxidos podem originar ácidos. "Mas esse resultado pode mudar, não significa que é uma constante, por isso é importante uma avaliação regular da água", diz Simone.

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