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José Padilha volta a Berlim



08/01/2009 | 07:00


Tem Brasil este ano de novo em Berlim. José Padilha, que levou o Urso de Ouro em 2008 com Tropa de Elite, nesta edição emplacou Garapa, seu novo documentário, na seção Panorama do festival, que ocorre de 5 a 15 de fevereiro. O filme faz sua pré-estreia mundial e compete com outros 50. Na última quarta-feira, a direção do festival divulgou os primeiros 21 que integram a categoria, que neste ano também comemora seus 30 anos de criação.

"É a seção certa para o filme estar, a ‘seção dos documentários'. Estou feliz, claro. Tenho ótimas lembranças de Berlim e voltar à cidade pelo segundo ano consecutivo é um privilégio e tanto", comentou o diretor, que filmou Garapa antes de dirigir Tropa de Elite.
"Viajei ao Ceará, onde o filme se passa, antes mesmo de começar o Tropa. Deixei o filme ‘guardado' e o editei depois de terminar o Tropa. Apesar de já fazer algum tempo, a realidade que encontrei não mudou muito", continua Padilha.

Em Garapa, segundo documentário longa de Padilha (que também assina Ônibus 174), é uma alusão à mistura de água com açúcar que pessoas carentes tomam para aplacar a fome.

No filme, o diretor documenta o cotidiano de três famílias do Ceará que sofrem de fome crônica. "Apesar dos números terem diminuído e a situação ter melhorado, ainda há cerca de 11,5 milhões de brasileiros em situação de ‘insegurança alimentar grave', e que recebem o auxílio do Fome Zero. A ideia de que não há fome no Brasil é equivocada", comenta o diretor, que decidiu realizar o documentário após conversas com o amigo Francisco Menezes, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).

Menezes apresentou Padilha a várias ONGs do Ceará, que o auxiliaram a encontrar as famílias do filme. "É um filme completamente diferente de Tropa de Elite. Não há entrevistas, é em preto-e-branco, não há trilha sonora, é totalmente contemplativo. Quis dar cara, e vida, aos números e estatísticas de que falamos tanto. E o que contemplo nele são estas três famílias cearenses. Uma vive em um lugar completamente longe de tudo, a outra em um lugar no meio termo e a terceira em uma cidade urbana, no caso, a capital Fortaleza. É da fome crônica, de pessoas que mal se alimentam por toda a vida, e não da fome aguda, que fala o filme", adianta o cineasta, que ainda não sabe quando o longa será exibido em Berlim.

A julgar pelas opções do diretor quanto à forma de contar sua nova história cinematográfica, Garapa segue a trilha do ‘documentário direto', em que a narrativa quase literalmente coloca o espectador no ponto de vista do personagem documentado. Neste caso, como observa Padilha, a intenção é a de provocar a experiência direta de como é a vida de quem convive diariamente com a miséria. Raridade no cinema de hoje, em que recursos de manipulação são cada vez mais comuns, Garapa promete uma acolhida, no mínimo, polêmica em Berlim.

De qualquer forma, o resultado, para Padilha, já é mais que positivo. "Mais que a competição e a exibição, importa é o filme contribuir para a discussão do problema da fome crônica. Não só no Brasil, mas no mundo. Enquanto tantos estão obesos (e mesmo assim, desnutridos) outros estão à beira da inanição."



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José Padilha volta a Berlim


08/01/2009 | 07:00


Tem Brasil este ano de novo em Berlim. José Padilha, que levou o Urso de Ouro em 2008 com Tropa de Elite, nesta edição emplacou Garapa, seu novo documentário, na seção Panorama do festival, que ocorre de 5 a 15 de fevereiro. O filme faz sua pré-estreia mundial e compete com outros 50. Na última quarta-feira, a direção do festival divulgou os primeiros 21 que integram a categoria, que neste ano também comemora seus 30 anos de criação.

"É a seção certa para o filme estar, a ‘seção dos documentários'. Estou feliz, claro. Tenho ótimas lembranças de Berlim e voltar à cidade pelo segundo ano consecutivo é um privilégio e tanto", comentou o diretor, que filmou Garapa antes de dirigir Tropa de Elite.
"Viajei ao Ceará, onde o filme se passa, antes mesmo de começar o Tropa. Deixei o filme ‘guardado' e o editei depois de terminar o Tropa. Apesar de já fazer algum tempo, a realidade que encontrei não mudou muito", continua Padilha.

Em Garapa, segundo documentário longa de Padilha (que também assina Ônibus 174), é uma alusão à mistura de água com açúcar que pessoas carentes tomam para aplacar a fome.

No filme, o diretor documenta o cotidiano de três famílias do Ceará que sofrem de fome crônica. "Apesar dos números terem diminuído e a situação ter melhorado, ainda há cerca de 11,5 milhões de brasileiros em situação de ‘insegurança alimentar grave', e que recebem o auxílio do Fome Zero. A ideia de que não há fome no Brasil é equivocada", comenta o diretor, que decidiu realizar o documentário após conversas com o amigo Francisco Menezes, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).

Menezes apresentou Padilha a várias ONGs do Ceará, que o auxiliaram a encontrar as famílias do filme. "É um filme completamente diferente de Tropa de Elite. Não há entrevistas, é em preto-e-branco, não há trilha sonora, é totalmente contemplativo. Quis dar cara, e vida, aos números e estatísticas de que falamos tanto. E o que contemplo nele são estas três famílias cearenses. Uma vive em um lugar completamente longe de tudo, a outra em um lugar no meio termo e a terceira em uma cidade urbana, no caso, a capital Fortaleza. É da fome crônica, de pessoas que mal se alimentam por toda a vida, e não da fome aguda, que fala o filme", adianta o cineasta, que ainda não sabe quando o longa será exibido em Berlim.

A julgar pelas opções do diretor quanto à forma de contar sua nova história cinematográfica, Garapa segue a trilha do ‘documentário direto', em que a narrativa quase literalmente coloca o espectador no ponto de vista do personagem documentado. Neste caso, como observa Padilha, a intenção é a de provocar a experiência direta de como é a vida de quem convive diariamente com a miséria. Raridade no cinema de hoje, em que recursos de manipulação são cada vez mais comuns, Garapa promete uma acolhida, no mínimo, polêmica em Berlim.

De qualquer forma, o resultado, para Padilha, já é mais que positivo. "Mais que a competição e a exibição, importa é o filme contribuir para a discussão do problema da fome crônica. Não só no Brasil, mas no mundo. Enquanto tantos estão obesos (e mesmo assim, desnutridos) outros estão à beira da inanição."

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