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Homens buscam trabalho na via Anchieta


Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC

19/01/2009 | 07:00


Se você já ouviu ou costuma usar a expressão chapa como sinônimo de amigo, mas nem imagina a origem da palavra, observe o acostamento das rodovias. É no fim da madrugada que os chapas aparecem nas estradas em busca de caminhoneiros que lhes ofereçam trabalho. Eles ajudam a carregar e descarregar os caminhões, e cobram, em média, R$ 50 por dia. O preço é acertado antes com o caminhoneiro e varia de acordo com o peso da carga.

Os chapas podem ser diferenciados de quem pede carona pela fogueira que acendem para afugentar o frio e chamar atenção. Além do fogo, alguns investem em comunicação visual e utilizam placas com a palavra chapa em letras maiúsculas para se apresentarem.

Sair de casa tão cedo sem destino e correr o risco de voltar para casa de bolsos vazios, na maioria das vezes, não é escolha. É uma das opções de sobrevivência de aposentados ou homens quer perderam o emprego e não conseguiram mais se recolocar no mercado de trabalho.

"Venho aqui porque preciso ganhar o pão de cada dia", diz Heleno Moura, 55 anos, morador do bairro Paulicéia, em São Bernardo. É no acostamento do Km 14 da Via Anchieta, sentido Santos, que ele bate cartão todos os dias às 5h desde que ficou desempregado há oito anos. Quando consegue serviço costuma chegar em casa por volta das 17h. Na mochila leva sempre uma troca de roupa, um chapéu que só usa na hora de trabalhar, e o mais importante: o guia com mapas do Estado. "O chapa verdadeiro tem de servir ao motorista e ajudar em tudo o que precisa. Muitos vêm de outros Estados e não conhecem nada por aqui, então também trabalhamos como guia." E se o motorista for uma mulher, Moura costuma brincar que sua disponibilidade aumenta ainda mais. Ele conta que recentemente serviu de guia a uma caminhoneira que veio do Paraná para fazer entregas no Grande ABC e, como não conhecia nada da região, levou-o como orientador.

O desemprego também levou José Carlos Domenciano, 56, a encontrar a renda informal na beira da Anchieta. Ele conta nem todo dia consegue serviço e que a crise econômica internacional também atingiu os chapas. "O movimento diminuiu."

Mesmo assim, não desiste. De boné para se proteger do sol, mochila equipada com roupa e água, e bom papo, Domeciano conta que a vida de chapa é sofrida, mas há espaço para quem gosta de trabalhar. "O que pintar, eu aceito, e aqui na estrada aparece de tudo, mas tem de pegar firme."

Na última quinta-feira, por volta das 9h ele já havia descarregado um caminhão de latas em Diadema e voltado para a rodovia em busca de novo frete. Morador da Vila Luzita, em Santo André, Domenciano sonha um dia voltar a trabalhar com carteira assinada e salário fixo como foi na empresa automobilística em que atuou por 11 anos.



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Homens buscam trabalho na via Anchieta

Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC

19/01/2009 | 07:00


Se você já ouviu ou costuma usar a expressão chapa como sinônimo de amigo, mas nem imagina a origem da palavra, observe o acostamento das rodovias. É no fim da madrugada que os chapas aparecem nas estradas em busca de caminhoneiros que lhes ofereçam trabalho. Eles ajudam a carregar e descarregar os caminhões, e cobram, em média, R$ 50 por dia. O preço é acertado antes com o caminhoneiro e varia de acordo com o peso da carga.

Os chapas podem ser diferenciados de quem pede carona pela fogueira que acendem para afugentar o frio e chamar atenção. Além do fogo, alguns investem em comunicação visual e utilizam placas com a palavra chapa em letras maiúsculas para se apresentarem.

Sair de casa tão cedo sem destino e correr o risco de voltar para casa de bolsos vazios, na maioria das vezes, não é escolha. É uma das opções de sobrevivência de aposentados ou homens quer perderam o emprego e não conseguiram mais se recolocar no mercado de trabalho.

"Venho aqui porque preciso ganhar o pão de cada dia", diz Heleno Moura, 55 anos, morador do bairro Paulicéia, em São Bernardo. É no acostamento do Km 14 da Via Anchieta, sentido Santos, que ele bate cartão todos os dias às 5h desde que ficou desempregado há oito anos. Quando consegue serviço costuma chegar em casa por volta das 17h. Na mochila leva sempre uma troca de roupa, um chapéu que só usa na hora de trabalhar, e o mais importante: o guia com mapas do Estado. "O chapa verdadeiro tem de servir ao motorista e ajudar em tudo o que precisa. Muitos vêm de outros Estados e não conhecem nada por aqui, então também trabalhamos como guia." E se o motorista for uma mulher, Moura costuma brincar que sua disponibilidade aumenta ainda mais. Ele conta que recentemente serviu de guia a uma caminhoneira que veio do Paraná para fazer entregas no Grande ABC e, como não conhecia nada da região, levou-o como orientador.

O desemprego também levou José Carlos Domenciano, 56, a encontrar a renda informal na beira da Anchieta. Ele conta nem todo dia consegue serviço e que a crise econômica internacional também atingiu os chapas. "O movimento diminuiu."

Mesmo assim, não desiste. De boné para se proteger do sol, mochila equipada com roupa e água, e bom papo, Domeciano conta que a vida de chapa é sofrida, mas há espaço para quem gosta de trabalhar. "O que pintar, eu aceito, e aqui na estrada aparece de tudo, mas tem de pegar firme."

Na última quinta-feira, por volta das 9h ele já havia descarregado um caminhão de latas em Diadema e voltado para a rodovia em busca de novo frete. Morador da Vila Luzita, em Santo André, Domenciano sonha um dia voltar a trabalhar com carteira assinada e salário fixo como foi na empresa automobilística em que atuou por 11 anos.

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