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Globo estréia faroeste à Mário Prata


André Bernardo
Da TV Press

02/10/2005 | 08:23


Até pouco tempo, o escritor Mário Prata levava a vida que pediu a Deus. Há quatro anos morando em Florianópolis, passava os dias refestelado numa rede fazendo palavras cruzadas ou lendo Tols-tói. Entre um passatempo e outro, escrevia uma crônica por semana e um livro por ano. Mas a rotina desse simpático mineiro de 59 anos virou de cabeça para baixo no dia em que o diretor Luiz Fernando Carvalho entregou à direção da Globo a sinopse de Bang Bang, um projeto de no-vela-faroeste que ele escreveu em meados dos anos 80 para a extinta Manchete. A produção estréia nesta segunda-feira no horário das 19h. "Não estava com saudades de fazer novela. Só voltei mesmo porque queria muito fazer 'essa' novela. Quando eu terminar, sumo novamente", brinca. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

PERGUNTA: A sinopse de Bang Bang é de 1986. Por que levou tanto tempo para sair do papel?
MÁRIO PRATA: Olha, eu escrevi essa novela para o Luiz Fernando Carvalho dirigir na Manchete, em 1986. Infelizmente, a Manchete deu no que deu e eu fiquei com a idéia na cabeça. Na época, não chegava a ser uma sinopse de novela. Era um esboço de poucas páginas. Recentemente, o Luiz Fernando convenceu a alta cúpula da Globo. A princípio, ele quis vender a idéia como minissérie, mas a Globo queria novela das sete. Eu não estava nem mais com vontade de escrever novela. Minha vida estava uma beleza só. Mas, quando o Luiz Fernando me chamou para fazer Bang Bang, não resisti.

PERGUNTA: De onde surgiu a idéia de fazer uma novela inspirada em filmes de faroeste?
MÁRIO PRATA: Tanto os filmes de faroeste quanto as novelas - e, principalmente, as novelas das sete - têm uma estrutura narrativa muito parecida. Assim como as telenovelas, os filmes de faroeste também têm herói, mocinho, bandido, essas coisas. Em Bang Bang, porém, não vai ter esse negócio de o casal principal da novela ter 30% ou 40% da ação. Todos os personagens que moram em Albuquerque me interessam por igual. Costumo dizer que o personagem principal da novela é a cidade.

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PERGUNTA: Por ser uma novela-faroeste, você pretende fazer referência ao referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo?
\r\nMÁRIO PRATA: Quando eu estava escrevendo os primeiros capítulos de Bang Bang começou a rolar essa história de desarmamento na mídia. E, apesar de a Globo não ter pedido absolutamente nada, decidi reescrever a cena do assalto à diligência. Nela, o Ben Silver e a Diana Bullock matavam uns salteadores. O que eu fiz? Optei por colocá-los lutando contra os bandidos a golpes de artes marciais. Além disso, não ficava legal acabar o intervalo comercial, sobre desarmamento de armas de fogo, e, logo em seguida, entrar a novela, com sangue, tiroteios e chacina. Chacina na hora do jantar não rola, né? Por isso, resolvemos também fazer a seqüência da chacina da família do Ben Silver em desenho animado. Justamente para amenizar a violência.",1]);//-->

PERGUNTA: Antes de Bang Bang estrear, a imprensa a comparou com Que Rei Sou Eu?, do Cassiano Gabus Mendes. Isso incomoda?
MÁRIO PRATA: De jeito nenhum! Até usei essa novela para vender a minha (risos). Ser comparado ao Cassiano é tudo o que eu mais quero. Já imaginou? Se fizerem mesmo essa comparação, vou me sentir lisonjeado. O curioso é que, já naquela época, a Globo levou uns dez anos para fazer a novela do Cassiano. Parece que tinham um certo receio, sei lá. A sátira do Cassiano era mais política, a minha é mais social. Até pensei em falar do mensalão, mas, quando reli os capítulos, achei que já estava meio furado. O que eu acho importante salientar é que não pretendo promover um debate político-social às sete horas da noite. Mesmo porque, logo depois, entra no ar o Jornal Nacional, que é sempre barra-pesadíssima. O que eu quero é divertir o público, sem sociologismos baratos.

PERGUNTA: Por ser uma novela-faroeste, você pretende fazer referência ao referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo?
MÁRIO PRATA: Quando eu estava escrevendo os primeiros capítulos de Bang Bang começou a rolar essa história de desarmamento na mídia. E, apesar de a Globo não ter pedido absolutamente nada, decidi reescrever a cena do assalto à diligência. Nela, o Ben Silver e a Diana Bullock matavam uns salteadores. O que eu fiz? Optei por colocá-los lutando contra os bandidos a golpes de artes marciais. Além disso, não ficava legal acabar o intervalo comercial, sobre desarmamento de armas de fogo, e, logo em seguida, entrar a novela, com sangue, tiroteios e chacina. Chacina na hora do jantar não rola, né? Por isso, resolvemos também fazer a seqüência da chacina da família do Ben Silver em desenho animado. Justamente para amenizar a violência.

PERGUNTA: O mocinho da história chama-se Ben Silver. É autobiográfico?
MÁRIO PRATA: Não, o Ben Silver é uma homenagem que presto ao meu tio-avô que se chamava Ben Prata. Ele foi prefeito de Uberaba e tinha umas tiradas deliciosas. Fora isso, os nomes dos personagens não têm lá muito sentido. Quer um exemplo? A Penny Lane. Quando ouvia a música dos Beatles, não sabia muito bem inglês. Aí, achava que era o nome de uma garota. Cresci com isso na cabeça. Mesmo quando descobri que era uma rua de Londres, ou seria de Liverpool?, Penny Lane continua a ser aquela garota que eu imaginava. Uma garota mais ou menos com o jeitão da Alinne Moraes.

PERGUNTA: A última novela que você escreveu para a TV foi O Campeão. Estava com saudade?
MÁRIO PRATA: De escrever novelas? Nenhuma. Bang Bang tem 50 personagens. E todos eles são eu. Sou homem, mulher, velho, criança. Diariamente, falo de 50 maneiras diferentes. Amo, sofro, dou risadas. Ou seja, cansa para caramba! Só voltei mesmo para escrever essa novela e não qualquer outra. Depois que terminar Bang Bang desapareço novamente (risos).

PERGUNTA:  Você já tem alguma idéia para uma próxima novela?
MÁRIO PRATA: Você está brincando? A primeira coisa que eu vou fazer é voltar para a minha rede lá na ilha, fazer palavras cruzadas, ler Tolstói e escrever minhas crônicas. Não quero fazer uma segunda novela, não. Prefiro escrever livros.



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