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São Caetano e Ribeirão lideram em vida saudável


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

25/06/2006 | 07:58


Poucas horas de sono e muitas de estresse. É assim que Marli Francioso, 60 anos, define seu dia-a-dia nos tempos em que morava na cidade grande. Há três meses, ela se encheu de coragem e vendeu a casa onde vivia, pertinho do Centro de São Bernardo. Mudou-se para o “meio do mato”, num condomínio fechado às margens da represa Billings, em Santo André, a alguns passos de Ribeirão Pires, onde se encontra o ar mais puro da região. A reviravolta teve um único objetivo: a busca por um ambiente saudável.

Por três anos, um grupo de profissionais de diferentes áreas discutiu o que é necessário para uma cidade ser saudável. Conclusão chegada: a questão não se resume a indicadores sociais, como nível de escolaridade ou renda per capita. A qualidade do meio ambiente ao qual o município está inserido é fator determinante. A sintonia entre esses dois pilares, muitas vezes antagônicos, oferece terreno fértil para um crescimento sustentável.

Mas nem sempre é fácil chegar a esse equilíbrio. No Grande ABC, há dois extremos dessa equação. De um lado, São Caetano. A cidade de melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Os salários são altos, o nível de estudo, elevado. São variáveis que oferecem um padrão de vida acima da média para seus moradores. Em compensação, São Caetano não conseguiu preservar um resquício sequer de sua mata nativa durante seu processo de desenvolvimento.

O oposto ocorreu com Ribeirão Pires. A cidade está inserida em uma área de preservação ambiental, o que freou seu crescimento industrial. Por um lado, a intervenção manteve intocada boa parte de sua vegetação. “Aqui a gente respira melhor”, acredita a recém-chegada Marli Francioso. O preço pago pela preservação ambiental foi o pouco entusiasmado desenvolvimento social. Enquanto São Caetano é o 1º no IDH, Ribeirão ocupa a 492ªposição.

De maneira geral, o Grande ABC sofre com essas contraposições por ter sua expansão atrelada a um forte processo de industrialização. Como resultado, a região ostenta hoje o título de vice-campeã no Estado em número de áreas contaminadas. Alguns casos são emblemáticos, como o Residencial Barão de Mauá, onde vivem 1.760 famílias. Construído sobre um antigo depósito de lixo industrial e orgânico da Cofap, no Parque São Vicente, em Mauá, brotam de seu solo 44 tipos de gases, alguns altamente tóxicos, como benzeno que em condições extremas pode causar câncer.

Para Carlos Bocuhy, presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), entidade que liderou as discussões em torno do estudo, reverter esse quadro conflituoso só é possível com a adoção de políticas de longo prazo. “Acredito que os resultados práticos desse trabalho só devem ser sentidos dentro de dez anos. A Constituição Brasileira prevê que todos têm direito a um ambiente saudável. Lenvando em consideração que 85% da população do país vive em cidades, nada mais razoável que seja feito um esforço para que esses centros urbanos sejam equilibrados.”

Segundo Carlos Bocuhy, um ambiente degradado estimula o processo de migração. “Ninguém quer viver em um lugar que não seja saudável. Por outro lado, as regiões que se aproximam desse equilíbrio tendem a se tornar superpopulosas e, conseqüentemente, perdem em qualidade. Por isso, esse processo de melhoria não pode ser isolado. É necessário pensar macro.”



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