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Marinho, Sadao e uma pauta

Luiz Marinho, hoje prefeito de São Bernardo, e Sadao Higuchi, contador, tinham muito em comum


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

01/03/2009 | 00:00


Luiz Marinho, hoje prefeito de São Bernardo, e Sadao Higuchi, contador, tinham muito em comum. Ambos vieram do interior de São Paulo. Os dois responderam pela administração do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, hoje do ABC, na segunda metade da década de 1980. Marinho era o diretor-tesoureiro e Sadao, o administrador.

Sadao partiu precocemente, mas deixou um belo depoimento sobre as atividades do sindicato em uma entrevista que concedeu há 20 anos à jornalista Ana Cristina da Conceição, do Diário. A entrevista foi dada ao lado do amigo Marinho. E a foto dos dois saiu publicada pela primeira vez no Diário na edição de 25 de junho de 1989.

Hoje Sadao ficaria feliz em ver Marinho primeiro como ministro de outro companheiro, Lula, e mais ainda como prefeito de São Bernardo nos seus primeiros meses de governo.

A GRANJA E A CHÁCARA
O que a reportagem não contou, e revelamos agora, é que Sadao Higuchi já morava bem perto do sindicato, no topo da atual Rua Anita Franchini. Ali seus familiares mantinham uma granja. Da granja, em 15 minutos a pé, já era possível atingir a Chácara Silvestre, hoje próprio municipal em busca da sua identidade e preservação oficiais.

Várias vezes Sadao e colegas de bairro viram passar pelas então estradinhas locais os filhos e netos de Wallace Simonsen, que desfrutavam da Chácara Silvestre nas férias ou fins de semana. Os Simonsen tinham belos cavalos e gostavam de cavalgar pelos lados do Montanhão e do Pico do Bonilha, passando imponentes e vestidos a caráter pelas vilas ao redor que se formavam: Santa Terezinha, Aurora, Coppini, do Tanque...

Com certeza, hoje, Sadao Higuchi marcharia em defesa da preservação em definitivo da Chácara Silvestre. Afinal, a chácara é o que restou do verde urbano do passado de São Bernardo e foi também um referencial de muitas crianças e jovens como Sadao.

DE BAURU A SÃO BERNARDO
Sadao Higuchi veio de Bauru para São Bernardo em 1954 com os pais - Higuchi e dona Tereza. Tinha 7 anos. Cresceu em São Bernardo ao lado dos irmãos Keiko, Kioko e Massaro. Todos ajudaram na granja familiar. Sadao formou-se em contabilidade e teve seu primeiro emprego com carteira assinada aos 19 anos: os Higuchi perdiam um colaborador na granja; esta vivia seus últimos momentos; o progresso em forma de concreto armado engolia o que restava da São Bernardo colonial.

Sadao trabalhou na Provimi do Brasil, fabricante de ração animal que funcionava na Vila Euro. Transferiu-se para o Consórcio Nacional Ford e depois para a Chrysler, de onde saiu para ingressar no Sindicato dos Metalúrgicos em 1973, quando estava na presidência Paulo Vidal, antecessor do Lula.

Na entrevista que concederam ao Diário em 1989, Sadao e Marinho trataram da situação financeira do sindicato e das aplicações que a entidade fazia, como qualquer outra empresa, investindo na poupança e no open naqueles tempos de inflação desenfreada.

Eram 62 mil sócios e 243 funcionários no sindicato - bem mais do que os 18 mil sócios e 50 funcionários que Sadao encontrou quando começou o seu trabalho contábil no sindicato, 16 anos antes.

Vinte anos depois, uma pauta...
É lembrando de Sadao e da entrevista de 1989 que registramos aqui uma pauta traçada pela coluna e por Josimar Alvez Bezerra, da TV dos Trabalhadores. Banana, apelido do Josimar, é um dos nossos orientadores. Cabeça privilegiada, ele guarda como poucos detalhes da memória social de São Bernardo, sua terra desde a infância.

E é porque temos esta retaguarda do Banana que nos atrevemos a passar ao governo Marinho os pontos que se seguem da nossa pauta:

1. Revitalização da Chácara Silvestre, com a preservação de todo o seu verde e manutenção de todas as suas árvores.

2. Criação do Museu do Trabalhador, de preferência nos baixos das novas arquibancadas do Estádio Primeiro de Maio.

3. Publicação do segundo volume do livro de John French, que cobre o período de 1945 até a Era Lula, falando da organização dos trabalhadores do Grande ABC.

4. Revitalização da Praça Brasil, com especial atenção ao Monumento ao Imigrante Italiano, hoje totalmente pichado, semidestruído, descaracterizado.

5. Revitalização da Praça Afonso Monteiro da Cruz, na Avenida Maria Servidei Demarchi, bem em frente aos portões dos trabalhadores da Volkswagen. A praça homenageia uma liderança metalúrgica histórica da região e que chegou a exercer, com todo o apoio da categoria, a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A lista vai longe. Paramos por aqui. Mas se essa pauta inicial for encaminhada, em muito ganharia a Memória da cidade governada pelo Luiz Marinho, o amigo do Sadao.

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