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PT cogita acionar CNJ para questionar ação de Moro

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dilma se reuniu com Lula por uma hora, em S.Bernardo, na residência do ex-presidente


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

06/03/2016 | 07:37


O PT estuda questionar no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a ação do juiz federal Sérgio Moro, que autorizou a PF (Polícia Federal) a conduzir coercitivamente (de forma obrigatória) o ex-presidente Lula e outros petistas a prestarem depoimento dentro da Operação Lava Jato, na sexta-feira. A informação foi concedida pelo deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), ao participar do encontro, ontem à tarde, entre o cacique petista e a presidente Dilma Rousseff (PT), no apartamento de seu mentor, em São Bernardo.

“Estava um clima muito bom (dentro do apartamento de Lula), de solidariedade, de companheirismo. A conversa girou em torno da situação do juiz Moro, por fazer condução coercitiva na casa de Lula e de (José de) Filippi (Júnior, PT, ex-prefeito de Diadema)”, revelou Vicentinho, ao acrescentar que irá sugerir que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, acione a entidade.

Dilma e Lula ficaram reunidos por cerca de uma hora. A presidente chegou por volta das 13h30 no prédio do líder petista – ambos não discursaram no local. Ela estava acompanhada do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (PT). Segundo Vicentinho, a chefe do Planalto prestou solidariedade ao padrinho político e reafirmou repúdio ao “abuso” de Moro, por expedir mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente e sua família. Os prefeitos petistas de São Bernardo, Luiz Marinho, e de Santo André, Carlos Grana, também participaram do encontro.

Antes de Dilma desembarcar em São Bernardo, Lula desceu do apartamento e cumprimentou militantes petistas que o aguardavam em vigília desde as 9h. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que organizou o ato, providenciou um carro de som, porém Lula disse que não discursaria porque há hospital ao lado do prédio de sua residência. Em meio a intenso tumulto, o ex-presidente abraçou e tirou fotos com apoiadores.

Após dialogar com o ex-presidente, Dilma, Wagner, Marinho e Grana apareceram na sacada do térreo do prédio de Lula e acenaram para o público. A presidente chegou a abrir o portão do edifício para cumprimentar alguns militantes. Até a saída de Lula, cerca de 300 pessoas, segundo a PM (Polícia Militar), acompanhavam a atividade – ao menos metade dos manifestantes deixou o local antes que a presidente comparecesse ao prédio.

Na sexta-feira, a defesa de Lula já havia informado que “tomaria medidas” contra a decisão de Moro. Assim como Lula, a PF também convocou Filippi, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, para prestarem esclarecimentos na 24º fase da Lava Jato, batizada de Aletheia. Lula e sua família são investigados por terem sido supostamente beneficiados por empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Lula nega todas as acusações e reclama de “arbitrariedade” da Justiça Federal.

Medida contra petista mescla reações em prefeitos da região

O mandado coercitivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obrigou o petista a prestar depoimento sexta-feira à Polícia Federal, na principal ação da 24ª fase da Operação Lava Jato, mesclou reações distintas entre os prefeitos da região. Crítica ao episódio e solidariedade pelo lado petista e neutralidade pelos demais chefes de Executivo.

No Grande ABC, três dos sete prefeitos são filiados ao PT e contabilizaram apoio de Lula na campanha de 2012: Carlos Grana (Santo André), Luiz Marinho (São Bernardo) e Donisete Braga (Mauá). O manifesto dos eleitos petistas se deu de imediato em páginas do Facebook, em tom de repúdio.

Afilhado político do ex-presidente, tendo sido ministro no governo Lula (2003-2010), Marinho sugeriu que a ação da PF foi desrespeitosa, além de citar que administra-se “conluio entre imprensa, setores engajados da polícia, oposição derrotada nas últimas eleições e do Judiciário. “Manifesto toda minha solidariedade ao presidente Lula e indignação em face da espetaculosa operação realizada. Cada vez mais fica patente o enredo construído para atingir e desgastar a imagem do maior líder vivo da história deste País. Não se busca a verdade. Utiliza-se de aparatos de Estado para se construir uma verdade.”

Grana endossou as palavras do correligionário. Relatou que foi surpreendido com a operação firmada na residência e na sede do Instituto Lula, que contou com “ampla cobertura da mídia e comemorada por setores conservadores da sociedade”. “Lula é responsável por avanços sociais que mudaram a cara do Brasil, e é por seus méritos que a grande mídia e a elite brasileira se sentem incomodadas. O objetivo da operação é desgastar sua imagem e papel de líder.”

Donisete, por sua vez, defendeu que Lula sempre colaborou com a Justiça, inclusive, prestando informações e depoimentos em quatro inquéritos. “Nada justifica o constrangimento ao qual o ex-presidente foi submetido. Se há indícios, eles devem ser investigados, mas dentro das medidas proporcionais. É preciso lembrar que o ex-presidente nem mesmo foi intimado”.

Único rival político de Lula a se manifestar foi o prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (PSDB). O tucano evitou, no entanto, se posicionar sobre a ação da PF. “Tudo o que ocorreu na sexta-feira precisa ser visto com preocupação, porque estamos em grande crise política e econômica. O que espero é por agilidade nas investigações e que a justiça seja feita, pois o Brasil precisa voltar a andar.” 



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