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Pirelli se distancia do esporte regional

Gilberto Marques/Arquivo DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Multinacional foi imprescindível na manutenção de diversas modalidades nas décadas de 1980 e início de 1990


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

30/03/2015 | 07:00


Santo André era reconhecida nacionalmente como a capital do esporte no fim da década de 1970, durante os anos 1980 e até meados dos 1990, graças ao apoio incondicional da Pirelli, multinacional instalada na cidade desde 1929. Neste período, contribuiu para várias conquistas do País e era base da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de 1980, 1984 e 1988. Em 1992, porém, a empresa interrompeu abruptamente o patrocínio – manteve apenas o apoio ao vôlei masculino até 1994 – com o corte repentino de 300 atletas e, desde então, tem se afastado dos times da região, direcionando os recursos para competições e equipes envolvidas com esportes a motor.

A importância da Pirelli no esporte de Santo André começou para valer em 1978 – apesar da inauguração do clube atlético em 1947 – e se mistura com a evolução do Brasil em Olimpíada. A base da Geração de Prata do vôlei masculino, que foi vice em Los Angeles (1984), era o time andreense, comandado por Xandó, Montanaro e William. Mais tarde, em Barcelona (1992), Carlão, Douglas, Talmo e o técnico José Roberto Guimarães eram os representantes legítimos da cidade na medalha de ouro, que deu início à evolução do esporte no País.

“Aquele time da Pirelli mudou a história da modalidade. Foi o primeiro a ter centro de treinamento, vários técnicos estrangeiros vieram estagiar e conhecer nossa estrutura, enfim, era o que existia de melhor”, ressaltou José Carlos Brunoro, que era técnico da equipe e atualmente tem empresas de marketing esportivo. “Estranho a Pirelli não investir mais na região, já que as empresas estão acostumada a financiar projetos onde estão instaladas”, acrescentou.

Um dos principais jogadores do time, William Carvalho, também guarda com carinho o tempo que a multinacional investia no esporte andreense. “Naquela época, se o Brasil levasse 120 atletas à olimpíada, 80 eram de Santo André, em várias modalidades. No vôlei, éramos imbatíveis em todas as categorias”, recordou o ex-levantador.

OUTROS ESPORTES

Não foi apenas no vôlei que os atletas patrocinados pela Pirelli brilhavam. Servílio de Oliveira, um dos principais pugilistas do País em todos os tempos tinha apoio da empresa e com ele venceu o bronze nos Jogos do México (1968), assim como o judoca Aurélio Miguel, que em Seul (1988) entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar o título olímpico na modalidade.

Outros esportes, como ciclismo e o basquete feminino também eram mantidos com as verbas de patrocínio da fábrica de pneus e contou com nomes como Nilza Monte Garcia, Odila Fernandes, Arilza Coraça, Nadir Bazani, Valquíria, além de Laís Elena, que até hoje é treinadora da equipe.

Uma das últimas investidas da Pirelli no esporte de Santo André foi no patrocínio à Copa Inter Pirelli Campus, em 1998 e 1999, quando a empresa era parceira da Inter de Milão e resolveu promover a competição no Brasil para formentar seu nome no mercado nacional e incentivar a prática do futebol em comunidades carentes.

Na ocasião, o torneio ganhou prestígio porque os campeões receberam o troféu das mãos do ex-atacante Ronaldo Fenômeno, que à época era jogador da Inter e veio rapidamente ao Brasil para participar da cerimônia. Como tinha recebido pela segunda vez seguida o título de melhor do mundo e estava às vésperas da Copa do Mundo de 1998, o jogador atraiu centenas de garotos ao campo do EC Santo André, no Jaçatuba, onde aconteceu a premiação.


Vôlei da Pirelli conquistou 57 troféus em 14 temporadas


É impossível falar da história do vôlei brasileiro sem se referir ao fantástico time que a Pirelli montou na década de 1980 até meados dos anos 1990. Foram 57 conquistas inesquecíveis em apenas 15 temporadas, ou seja, mais de quatro títulos por ano. Até que em março de 1994, dois anos após corte aos outros esportes, a fabricante de pneus surpreendeu a comunidade esportiva ao anunciar que não iria mais apoiar a modalidade.

Entre as conquistas mais marcantes da história da Pirelli estão os dois títulos do Campeonato Mundial Interclubes, obtidos em 1984, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e em 1989, na Itália. Além disso, chamam atenção os oito troféus do Campeonato Paulista, que demonstram o amplo domínio no Estado, e diversos torneios conquistados no Exterior.

“O que a Pirelli fez na década de 1980 nenhum clube mais vai repetir. Era uma equipe maravilhosa, não apenas no time adulto, mas tínhamos todas as categorias de base. Me lembro de um ano em que ganhamos todos os troféus do Estadual, em todas as categorias”, recorda William Carvalho, ex-capitão e lavantador da equipe.
Atualmente técnico do time feminino do São Bernardo, William diz que o investimento feito na época pela Pirelli – cerca de US$ 1 milhão por temporada – é equivalente ao injetado hoje pelas grandes equipes do vôlei brasileiro (R$ 4 milhões). “Era a empresa que mais investia. Se fosse nos dias de hoje, estaria entre os maiores patrocínios da Superliga. Uma pena que não teve continuidade”, lamentou o ex-levantador.


Venda do clube colocou fim a uma era


A venda do clube da Pirelli para a UniABC (Universidade do Grande ABC), que atualmente pertence ao Grupo Anhanguera, em outubro de 2001 por R$ 7 milhões enterrou de vez o elo que existia entre a fábrica de pneus e o esporte de alto rendimento de Santo André.

A área de 39 mil metros quadrados, localizado na Vila Homero Thon, foi comprada pela UniABC para a construção de campus da universidade. A estrutura do clube foi mantida, inclusive o ginásio, que recebeu algumas das partidas memoráveis do time masculino de vôlei, que ganhou quase tudo que disputou no tempo em que teve o apoio da Pirelli.

O campo de futebol também permanece praticamente inalterado e tem sido usado com bastante frequência pelo time de futebol profissional do São Caetano para a realização de treinamentos.

O investimento feito pela universidade foi comemorado na época porque seria o primeiro de instituição privada na chamada Cidade Pirelli, que não saiu do papel e o espaço acabou sendo comprado pela construtora Brooksfield, que ergueu no local o Atrium Shopping e conjuntos de prédios comerciais e residenciais.


Último apoio da fábrica foi a projeto da ex-jogadora Janeth Arcain


O último suspiro da Pirelli voltado ao esporte do Grande ABC aconteceu em 2010, quando a fabricante de pneus aceitou patrocinar projeto do Instituto Janeth Arcain, entidade fundada pela ex-jogadora da Seleção Brasileira de basquete e que trabalha para a inclusão social por meio do esporte e de atividades sociais.

O projeto tem seis unidades espalhadas pelas cidades de Santo André (dois núcleos), Mauá, Cubatão, Atibaia e Bragança Paulista, beneficiando diretamente 700 jovens com idade entre 7 e 14 anos – sendo que mais de 5.000 jovens já passaram pelo instituto. O principal objetivo é afastar crianças e adolescentes da rua por meio da prática esportiva. Para isso, o projeto oferece treinos práticos e teorias formativas para a qualidade de vida dos alunos.
A Pirelli tem parceria com o instituto desde março de 2010, a qual foi viabilizada por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, contribuindo exclusivamente com cerca de 100 crianças nos núcleos de Santo André. 



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